Fertilização in vitro: Confira dicas de como se preparar para esse momento

Gravidez e maternidade Saúde
24 de Janeiro, 2023
Fertilização in vitro: Confira dicas de como se preparar para esse momento

Conforme a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), no Brasil, cerca de 8 milhões de indivíduos podem ser inférteis. Porém, muitos desses casos podem ser resolvidos com a fertilização in vitro (FIV). Caso um médico indique a FIV por ela ser o tratamento mais apropriado para o paciente, é fundamental conhecer dicas de como se preparar para o procedimento, elevando as chances de sucesso do procedimento. Conversamos com o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em Reprodução Humana, para saber tudo sobre a preparação.

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Fertilização in Vitro: Saiba como se preparar

De acordo com Rodrigo, a fertilização in vitro, no geral, possui uma alta probabilidade de sucesso, com chance de gravidez de 50 a 60%. “No entanto, esse índice pode variar de paciente para paciente, já que depende de fatores como idade da mulher, histórico de saúde e causa da infertilidade. Portanto, é importante que a paciente se informe com o médico sobre as chances de gestação especificamente em seu caso”, completa o médico.

O especialista explica que os tratamentos de reprodução humana são recomendados em casos de alterações das tubas, endometriose profunda, idade avançada e casos de alterações importantes de sêmen que dificultam ou impedem a gravidez espontânea.

Assim, após a recomendação médica, o paciente precisa realizar alguns procedimentos específicos para se preparar para a fertilização. Confira as dicas do Dr. Rodrigo a seguir:

Exames antes do tratamento

Para que a FIV seja o tratamento de fertilização recomendado pelo médico especialista, inicialmente será necessário realizar diversos exames no casal.

“Essa investigação completa deve envolver ambos e inclui uma série de protocolos clínicos como perfil imunológico, metabólico e hormonais, exames de secreção vaginal, avaliar a flora vaginal, espermograma e índice de fragmentação de DNA espermático. Outros exames complementares podem identificar IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis)”, diz o médico.

Medicação

“Os medicamentos hormonais servem para estimular o crescimento e recrutamento dos folículos existentes naquele ciclo menstrual no ovário. Com isso, há mais folículos crescendo e, na aspiração, maior número de óvulos coletados. Portanto, o controle dessa estimulação é realizado por meio de ultrassonografia e também por exames de sangue, que colaboram na identificação do momento correto de fazer a coleta dos óvulos”, explica o Dr. Rodrigo Rosa.

Duração da fertilização

A primeira fase é a de estímulo ovariano, coleta de óvulos e coleta de sêmen, com a união de ambos os gametas no laboratório e o desenvolvimento desses embriões.

“Esse estágio dura entre 13 e 14 dias e os embriões se desenvolvem de três a cinco dias no laboratório. Assim, a transferência do embrião pode ser feita no mesmo ciclo menstrual, o que ocorre em 10% dos casos apenas, ou um ciclo menstrual seguinte. Nesses casos, os embriões são congelados, a mulher menstrua de novo, e a transferência de embrião é realizada de 17 a 20 dias após a menstruação. Assim, o tratamento como um todo leva de 45 a 50 dias”, diz o médico.

Dicas para o pós da fertilização in vitro

O que muda na rotina

Em geral, a mulher não precisará de grandes mudanças na rotina durante o tratamento de FIV. No entanto, os especialistas recomendam que as mulheres evitem atividades como corrida ou musculação, já que elas podem provocar o aumento dos ovários e prejudicar o tratamento.

“No período também é recomendado que a mulher não cometa excessos, como consumo de álcool, tabaco ou medicações sem informar o médico especializado em reprodução humana. Até mesmo o excesso de trabalho e ansiedade podem ser danosos neste momento, sendo importante evitá-los”, enfatiza o Dr. Rodrigo.

Mudanças na dieta

Não há uma dieta específica a seguir. No entanto, deve-se ter uma alimentação saudável e evitar ultraprocessados, segundo o médico.

“Uma indicação é consumir entre 60 a 70 g de proteína diariamente; carnes magras, peixes, favas, ovos e lentilhas são ricos em proteínas. Comer alimentos ricos em cálcio também pode ajudar; eles estão em alimentos como iogurte, amêndoas, queijo e legumes como couve ou espinafre”, aponta o médico.

Efeitos colaterais

A medicação ingerida durante o tratamento pode provocar alguns efeitos colaterais leves como inchaço e retenção de líquido, que somem logo após a menstruação.

“Ocorrências mais intensas como dor de cabeça, desconforto abdominal e mudanças de apetite ou humor estão associadas a casos de estimulação exagerada dos folículos, sendo importante comunicar o médico se ocorrerem. Os efeitos colaterais graves como trombose, sangramentos e infecções são raros, mas podem acontecer, o que exige um monitoramento contínuo do médico responsável”, diz o médico.

Chances de sucesso da fertilização

Por fim, o Dr. Rodrigo explica que o sucesso é variável, de acordo com a idade da mulher e com o número de óvulos coletados, que por sua vez depende da reserva ovariana (que é o estoque de óvulos) e da resposta ovariana ao estímulo. “A taxa de sucesso pode variar de 60% em mulheres até 35 anos até 10% por volta dos 43 anos”, finaliza o especialista.

Fonte: Dr. Rodrigo Rosa, médico ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. 

 

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