Exercícios podem impactar no microbioma intestinal?

4 de dezembro, 2019

O termo microbioma intestinal se refere aos trilhões de microrganismos, bactérias, fungos e vírus que vivem dentro do nosso trato gastrointestinal. Eles atuam em funções importantes, como a digestão, a produção de hormônios, vitaminas e outros nutrientes, bem como a absorção pelo organismo. 

Assim, já sabemos que os microrganismos que habitam o intestino são influenciados pelo que comemos. Dessa forma, alimentos como kombucha, chucrute e kimchi têm a capacidade de adicionar cepas benéficas ao microbioma. 

Por sua vez, as comunidades de bactérias e fungos que vivem no intestino contribuem para uma infinidade de condições relacionadas à saúde, incluindo o quanto estamos ansiosos ou felizes, com que frequência estamos indo ao banheiro e até com que eficácia a imunidade está funcionando.

Mas será que, assim como a alimentação, os exercícios podem impactar no microbioma intestinal?

Microbioma intestinal e exercícios físicos: O que diz a ciência

Em um estudo comandado pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os pesquisadores analisaram 32 mulheres e homens que não se exercitavam. Ao longo de seis semanas, os voluntários aumentaram suas rotinas de exercícios, começando com caminhada e terminando com uma hora de vigorosa corrida ou ciclismo. Então, as amostras intestinais foram coletadas novamente e, mais uma vez, seis semanas depois, após outro período sem exercícios.

Como resultado, todos os participantes viram mudanças no microbioma intestinal devido aos exercícios, mesmo que as bactérias e os fungos individuais variassem muito entre os voluntários. No entanto, as maiores mudanças foram observadas em participantes magros em comparação com os obesos.

Com isso, os participantes magros viram um aumento em seus microrganismos intestinais produtores de ácidos graxos de cadeia curta, que são a principal fonte de combustível para o revestimento do cólon.

Então, significa que não é benéfico para indivíduos obesos se exercitarem? De modo nenhum. Obviamente, a atividade física tem muitos benefícios para todos, e mais pesquisas estão sendo feitas para identificar o impacto do exercício no microbioma intestinal de maneira geral. Da mesma forma, os pesquisadores descobriram que, após as seis semanas sem exercícios, o microbioma de todos os envolvidos voltaram ao antigo modo.

Outros estudos 

Já em uma análise do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda, cientistas analisaram os efeitos do exercício de baixa e alta intensidade no microbioma intestinal. Com isso, os pesquisadores descobriram que o movimento de baixa intensidade, como caminhada ou ioga, ajudou a aumentar o tempo de trânsito intestinal, que é a rapidez com que a comida passa por você e é eliminada.

O tempo ideal para o trânsito intestinal é de 18 a 24 horas, mas a maioria de nós tem até 72 horas, em média, o que é bastante desagradável. Isso porque, se você não vai ao banheiro pelo menos uma vez por dia, seu “lixo” interno fica parado e pode causar grandes problemas, pois o corpo é exposto às bactérias que você não está eliminando.

Assim, ao aumentar esse tempo de trânsito, o exercício de baixa intensidade demonstrou reduzir o risco de câncer de cólon, diverticulite e doença inflamatória intestinal. 

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Como usar os exercícios para manter o microbioma intestinal em boa forma

  • Quem ainda não se exercita pode começar devagar. Incorpore 30 minutos por dia de caminhada, corrida leve ou ioga na rotina.
  • Depois, aumente a intensidade para uma hora por dia, mas diminua se perceber sintomas adversos.
  • Exercite-se regularmente. Pois, a pesquisa mostra que, quando paramos de nos exercitar, nosso microbioma volta ao seu estado antigo, de modo que a consistência é importante.

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