Exame de PSA auxilia no diagnóstico do câncer de próstata. Saiba mais

24 de março, 2022

O PSA, conhecido por Antígeno Prostático Específico, é uma enzima produzida pela próstata cujo aumento da concentração pode indicar alterações no órgão, como câncer de próstata, por exemplo. Além do câncer, o exame PSA pode ser solicitado pelo médico para avaliar a possível presença de prostatite, uma inflamação da próstata que pode ser aguda ou crônica, ou ainda a hipertrofia benigna da próstata, conhecida por HBP. O exame é feito através da coleta de sangue do paciente.

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Para quem é indicado o exame de PSA

Conforme explica o urologista Alfredo Canalini, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, a dosagem do PSA, assim como o exame de toque retal, deve ser feita em todos os homens a partir dos 50 anos, sobretudo para os pacientes do grupo de risco, que são homens afrodescendentes, que tenham histórico familiar de câncer de próstata ou que tenham obesidade e IMC acima de 35.

“É recomendado que esse grupo faça obrigatoriamente o exame a partir dos 45 anos, já que são homens que têm a maior chance de desenvolver essa doença ao longo da vida”, ressalta Canalini.

A princípio, a periodicidade com que o exame deve ser feito depende do que se encontra na primeira consulta. Dessa forma, é levado em consideração o perfil do paciente, a dosagem inicial de PSA e como o toque de próstata se mostra na primeira avaliação. A partir disso, o médico pode solicitar o exame anual ou com um espaçamento de tempo maior.

“Às vezes é necessário encurtar esse período quando se suspeita que aquele PSA está se elevando e que essa elevação possa ser uma suspeita de câncer”, lembra o especialista.

O PSA junto com o toque retal é utilizado como um marcador de câncer de próstata. No entanto, ele não é responsável pelo diagnóstico final. “O diagnóstico, na verdade, é a biópsia de próstata que normalmente é pedida após a ressonância magnética confirmar que tem um nódulo suspeito”, esclarece o urologista Danilo Galante, membro da Sociedade Brasileira de Urologia.

Valores do exame de PSA

Segundo Galante, os valores considerados normais são:

  • Até 55 anos: PSA total até 2,5 ng/mL;
  • Acima de 55 anos: PSA total até 4 ng/mL.

“Se o resultado do exame de um paciente com mais de 55 anos der acima de 4 ng/mL, consideramos um valor anormal. Seguindo na investigação, o próximo passo é realizar a ressonância magnética.”

Vale mencionar que após os 50 anos, a próstata do homem cresce continuamente, bem como o valor do PSA. Isso significa que, ao longo dos anos, há um aumento no resultado do PSA. “Um aumento de até 0,75 no ano é considerado normal e não precisamos seguir na investigação. Diferentemente de quando esse número está mais alto, como um paciente que tem um aumento de 1 ng/mL em um ano e no outro 2 ng/mL, por exemplo. Neste caso, é necessário prosseguir na investigação”, afirma o urologista Galante.

PSA livre e PSA total: entenda como é usado

Os resultados do PSA livre e PSA total servem para indicar uma suspeita de maior ou menor chance de câncer de próstata. Assim, para chegar no resultado, é feito um cálculo. “Ao pegar o valor do PSA livre sobre o PSA total chegamos numa porcentagem. Se for menor do que 10%, esse paciente tem mais chance de ter câncer de próstata. Por outro lado, acima de 20% ele tem mais chance de ter aumento benigno. Se a porcentagem ficar entre 10 e 20 consideramos uma zona cinzenta, ou seja, esse número não nos ajuda muito”, afirma Galante.

Preparo para o exame

Por fim, como preparo, o urologista Carlos Bautzer, especialista do núcleo de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês, recomenda evitar as situações que levem a um aumento do PSA, de modo a atrapalhar a interpretação do exame:

  • Não ter relações sexuais ou ejaculação nas 48 horas antes da coleta; 
  • Não realizar exercícios que causem impacto no períneo nas 48 horas antes da coleta (como andar de bicicleta, andar a cavalo, andar de motocicleta, entre outros) 

“Exames de próstata com toque retal, uso de supositórios ou passagem de sondas na uretra devem ser evitados por 4 dias antes do exame. Além disso, outros exames como ultrassonografia transretal, colonoscopia, cistoscopia, estudo urodinâmico e biópsia de próstata também devem ser evitados em períodos que podem variar de 5 a 30 dias”, completa.

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Fontes: Dr. Alfredo Canalini, urologista e presidente da Sociedade Brasileira de Urologia; Dr. Danilo Galante, urologista e membro da Sociedade Brasileira de Urologia; e Dr. Carlos Bautzer, urologista que atua no núcleo de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês e membro da Sociedade Brasileira de Urologia.

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