Espasmos musculares: o que são quais são as causas

18 de July, 2022

Provavelmente você já teve – ou vai ter – espasmos musculares alguma vez na vida e deve ter surgido diversas dúvidas: o que causa essas sensações?

O problema é tão comum quanto parece. A cantora Céline Dion, por exemplo, sofre de espasmos musculares graves e persistentes. Em 2021, inclusive, ela precisou adiar sua turnê para cuidar da saúde.

O que são espasmos musculares?

Os espasmos musculares são contrações involuntárias de um músculo ou um conjunto de músculos, que podem ocorrer em todo o corpo.

De acordo com o médico neurocirurgião, Dr. Marcelo Valadares, eles são divididos em dois grupos: os espasmos clônicos, que alternam a contração e o relaxamento; e os espasmos tônicos, que consistem em enrijecimento persistente e dolorido dos músculos.

“Um exemplo é a contração involuntária (parecendo um leve tremor), que pode ocorrer na pálpebra de uma pessoa, chamada de mioquimia palpebral. Assim, essa pode ser desencadeada, entre outros motivos, por estresse. Outro tipo de espasmo conhecido é a câimbra, uma contração muscular dolorosa, que acomete principalmente os membros inferiores. Os espasmos, portanto, podem vir acompanhados de uma dor localizada”, explica o especialista. 

Sintomas

Os sintomas dos espasmos musculares podem variar entre cada pessoa, com intensidade leve ou intensa, duração de segundos ou minutos, e podem afetar diversos músculos. Portanto, confira os principais:

  • Dor;
  • Fraqueza no músculo;
  • Contração involuntária;
  • Sensação de agulhadas;
  • Paralisia no músculo afetado;
  • Dormência.

Dessa maneira, geralmente, as contrações duram alguns minutos e não é necessário tratamento. Mas é importante ressaltar que, se os sintomas causarem muito desconforto, o ideal é buscar avaliação médica.

Causas dos espasmos musculares

Existem diversas causas para o surgimento de espasmos musculares. Portanto, veja abaixo as mais comuns, listadas pelo Dr. Marcelo:

  • Estresse; 
  • Fadiga muscular; 
  • Excesso de exercícios físicos;
  • Lesão por esforço repetitivo; 
  • Desidratação; 

Além disso, os espasmos podem ser causados por níveis elevados de fosfato no sangue, ou baixos níveis de nutrientes como o magnésio e o potássio

“Por outro lado, em determinados casos os espasmos também podem indicar doenças graves. Pacientes com insuficiência renal crônica, por exemplo, costumam sofrer com cãibras frequentes. Assim, entre outras causas possíveis, estão algumas doenças cerebrais, como o Parkinson, a epilepsia, a distonia e a esclerose múltipla, além de tumores e lesões na medula. Alguns medicamentos também podem ocasionar espasmos”, ressalta o neurocirurgião.

Leia também: Tremores no corpo: conheça as principais causas e como evitá-las

Perguntas frequentes sobre espasmos musculares

É normal ter espasmos musculares?

Uma das grandes dúvidas é se ter essa contração involuntária é normal. Desse modo, se você costuma ter espasmos musculares frequentemente, acompanhado de outros sintomas, como dormência e formigamento, o ideal é buscar uma avaliação médica

Por que temos mais espasmos ao dormir?

É comum ter espasmos quando estamos prestes a dormir. Esse processo é chamado de mioclonia noturna, que consiste em uma reação fisiológica natural do corpo.

Isso porque enquanto dormimos, o sistema motor ainda possui certo controle sobre o corpo. Mas quando entra em conflito com os outros sistemas, pode causar a mioclonia.

Conheça os principais tipos de mioclonias: 

  • Fisiológica: pode trazer soluços ou no início do sono, por exemplo; 
  • Epiléptica: consiste em convulsões e precisa de acompanhamento médico;
  • Idiopática: hereditária;
  • Secundária: associada a lesões na medula espinhal, asfixia ou concussões, por exemplo.

“Em geral, os espasmos noturnos não são motivo de preocupação quando os movimentos são rápidos e breves. Porém, no caso da epilepsia, principalmente, podem indicar problemas no sistema nervoso central. Sempre que os espasmos causarem dores constantes, atrapalharem a rotina do paciente ou estiverem associados a outros sintomas, é importante consultar um médico”, afirma o Dr. Marcelo. 

Quando buscar um médico?

Apesar de não ser considerado grave, quando o espasmo muscular se tornar recorrente e prejudica a rotina da pessoa, é importante buscar entender quais são as causas e possíveis tratamentos. Para isso, procure especialistas como clínico geral e ortopedista.

Diagnóstico e tratamento dos espasmos musculares

O diagnóstico é feito a partir de uma avaliação de um neurologista associada a resultados de exames como a eletroneuromiografia e outros exames de neuroimagem, que podem detectar possíveis problemas estruturais.

“Como explicado, nem sempre os espasmos musculares são motivo de preocupação. No caso dos espasmos persistentes, o tratamento depende da origem do problema”, complementa o médico.

De acordo com Dr. Marcelo, quando o diagnosticado que não está associados a problemas graves, são indicados tratamentos multifuncional. Como por exemplo, reabilitação, que envolve fisioterapia e, possivelmente, medicamentos.

Por fim, em alguns casos onde os espasmos musculares surgem por conta de problemas de saúde, o tratamento deve ser feito para a doença em específico.

Como prevenir

Não existe uma fórmula mágica para prevenir os espasmos musculares. Porém, existem algumas dicas que podem ajudar:

  • Alongar os músculos antes e depois das atividades físicas;
  • Não praticar exercícios em dias muito quentes;
  • Diminuir o consumo de cafeína;
  • Beber bastante água;
  • Ingerir alimentos ricos em potássio, como por exemplo, maçã, banana e kiwi.

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Fontes

Dr. Marcelo Valadares, médico neurocirurgião e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein.

Links úteis

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Dr. Carlos Costa Marques

Sobre o autor

Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.