Doação de óvulos: Principais dúvidas sobre o assunto

18 de outubro, 2021

Ao cogitar e sonhar com a chegada de um filho, inicia-se o desejo de uma vida totalmente nova. Mas, infelizmente, nem sempre isso é possível pelas vias naturais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 48 milhões de casais no mundo são inférteis — e, em média, 35% ocorre por causa da mulher. Nesses casos, a doação de óvulos pode ser uma saída.

Mas o que é a doação de óvulos?

O ato ocorre quando uma mulher (doadora) cede seu óvulo para que ele seja fecundado e implantado de forma anônima em outra mulher que, por algum motivo, não pode utilizar seus óvulos próprios (receptora).

“A doação de óvulos, entretanto, ainda é considerada um tabu em nossa sociedade”, analisa a médica ginecologista Ana Paula Aquino. “O esclarecimento sobre o tema é extremamente relevante, já que atualmente as notícias falsas são constantemente disseminadas por meio de aplicativos e redes sociais. Por isso, reforçamos a importância de sempre buscar fontes seguras”, enfatiza.

Leia também: Tudo que você precisa saber antes de realizar a fertilização in vitro

Em quais casos é necessário utilizar óvulos doados?

O procedimento é uma alternativa para casais homoafetivos ou heterossexuais que não conseguem engravidar. Eles recebem os óvulos de uma mulher mais jovem, de maneira anônima e com o apoio da clínica.

Além disso, o tratamento é indicado para pacientes que realizaram vários ciclos de FIV (fertilização in vitro) sem sucesso, mulheres com menopausa precoce, falência ovariana prematura, ausência de ovários devido a cirurgias e perda da capacidade de produzir óvulos causada pela quimioterapia.

Como funciona a ovodoação no Brasil?

A doação de óvulos, sêmen e embriões é regulamentada no Brasil pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) por meio da resolução 2.168/2017. Trata-se de um processo voluntário, anônimo e sem caráter lucrativo ou comercial.

A doação de óvulos é anônima?

O programa tem caráter anônimo, respeitando as exigências do Conselho Federal de Medicina (CFM), que também proíbe a comercialização de óvulos. Dessa forma, sigilo e anonimato são fundamentais nos tratamentos que envolvem a doação de gametas.

Leia também: Infertilidade feminina: Conheça as principais causas e os tratamentos

O que é a doação de óvulos compartilhada?

Esse processo acontece quando a paciente doa parte dos óvulos para custear o próprio tratamento, e acontece quando a mulher possui uma boa reserva ovariana.

Qualquer mulher pode ser doadora?

Para que a doação aconteça, a mulher passa por uma triagem. Ou seja, ela realiza exames e faz o levantamento do seu histórico familiar e de doenças.

Se a saúde estiver dentro dos padrões e atender a todos os pré-requisitos, ela estará apta a doar seus óvulos. Também existe a preferência por mulheres com menos de 35 anos. Ademais, vale ressaltar que todos os procedimentos necessários são realizados sem custos para a doadora.

Como é feita a escolha da doadora?

De acordo com a médica, esse processo pode depender da clínica. “Há duas formas de seleção dos óvulos. A primeira é baseada na experiência das enfermeiras responsáveis, que são profissionais que realizam uma minuciosa escolha para identificar as semelhanças físicas e diferenças da doadora com a receptora. A segunda maneira é por meio de um software, que realiza a análise da biometria facial das receptoras e busca doadoras compatíveis.”

Leia também: Como calcular o período fértil?

Como é o procedimento para a doadora?

O procedimento é parecido com o congelamento de óvulos. Durante 10 a 14 dias, a doadora deve usar medicamentos injetáveis subcutâneos (sob a pele) que estimulam o crescimento dos óvulos disponíveis. Nesse intervalo, ela faz de 4 a 5 ultrassons.

Em seguida, é feita a coleta de óvulos com sedação. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão retenção de líquidos (podendo haver ganho de um a três quilos), mamas inchadas e desconforto abdominal. Outras implicações mais raras são dor de cabeça, instabilidade emocional com alterações de humor e aumento do apetite.

E para a receptora?

Para a receptora, o processo é mais simples e praticamente indolor, pois conta apenas com o uso de medicações orais, vaginais ou tópicos. O intuito é simular um ciclo menstrual da paciente, de modo que o endométrio cresça. Dura entre 17 e 20 dias.

No período, são realizadas em torno de três ultrassonografias. A transferência dos embriões também é feita em uma sala cirúrgica, mas sem a necessidade de sedação.

Existem riscos?

Para as receptoras, não. Por outro lado, as doadoras podem apresentar um leve sangramento e dependendo da quantidade de folículos retirados, um hiperestímulo — dor abdominal, inchaço, náuseas e diarreia.

Quais os cuidados especiais para doação de óvulos?

Durante a fase de estímulo do ovário, é indicado não realizar atividades físicas, principalmente exercícios que forçam o abdômen. Também é preciso uma atenção especial aos horários das medicações.

Leia também: Envelhecimento ovariano: Por que a fertilidade feminina diminui com o passar do tempo?

Fonte: Ana Paula Aquino, ginecologista pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), e médica especializada em reprodução assistida na Huntington Medicina Reprodutiva.

Sobre o autor

Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.