Contraceptivo masculino: cientistas desenvolvem nova versão

Saúde
15 de Fevereiro, 2023
Contraceptivo masculino: cientistas desenvolvem nova versão

Pesquisadores podem estar mais perto de um contraceptivo masculino. Trata-se de um medicamento não hormonal, usado sob demanda e que funciona impedindo o espermatozoide de nadar.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature Communications, testes realizados em camundongos sugerem que a pílula consegue manter os espermatozoides disfuncionais por algumas horas. Dessa forma, eles são impedidos de alcançar o óvulo. A ideia é que, eventualmente, os usuários possam tomar a pílula uma hora antes do sexo.

No entanto, outros testes estão previstos e são necessários para que o projeto avance. Além disso, antes do ensaio com pessoas, planeja-se testes em coelhos.

Leia mais: Nova pílula anticoncepcional masculina pode ter 99% de eficácia

Características do contraceptivo masculino

Ao contrário da pílula anticoncepcional feminina, o novo contraceptivo masculino não envolve hormônios. Segundo os cientistas responsáveis pelo projeto, essa é uma das vantagens do medicamento. Isso porque não seria necessário cortar a testosterona, tampouco nem haveria efeitos colaterais por conta de alterações hormonais.

Em vez disso, o interruptor da “natação do espermatozoide” é uma proteína de sinalização celular chamada adenilil ciclase solúvel. Nesse sentido, a pílula masculina experimental bloqueia a ação dessa enzima.

No estudo inicial em camundongos, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, uma única dose do medicamento, chamado TDI-11861, imobilizou o espermatozoide antes, durante e depois do sexo. O efeito durou cerca de três horas e, em 24 horas, parecia ter desaparecido completamente.

Uma das autoras do estudo, Melanie Balbach, do centro de pesquisas Weill Cornell Medicine, em Nova York, disse que o projeto se mostrou promissor por ser um anticoncepcional reversível e fácil de usar.

No entanto, é importante lembrar que o contraceptivo masculino não protegeria contra infecções sexualmente transmissíveis. Nesse caso, então, os preservativos seguem necessários.

Leia mais: Primeiro contraceptivo masculino deve ficar pronto em 2023

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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