Cirurgia refrativa: para que serve, quem pode fazer e cuidados

27 de junho, 2022

Quem possui algum distúrbio de visão, como miopia, astigmatismo e hipermetropia, provavelmente já ouviu falar na cirurgia refrativa. O procedimento ajuda a melhorar a qualidade da visão e, em muitos casos, dispensa o uso de óculos ou lentes de contato. A seguir, saiba tudo sobre o procedimento.

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Para que serve a cirurgia refrativa?

Também conhecida por cirurgia de correção de grau, a cirurgia refrativa reduz ou até elimina os problemas de visão que fazem a pessoa depender dos óculos ou lentes de contato. “Geralmente os resultados são bastante duradouros, e os pacientes costumam usar o termo ‘liberdade’ após o procedimento”, explica o médico oftalmologista Marcelo Brito. Em contrapartida, o especialista destaca que nenhum método é definitivo ou capaz de corrigir 100% todos os casos. Ou seja, com o passar do tempo, a visão pode voltar a ter problemas devido ao diversos fatores, como o envelhecimento.

Quem pode fazer?

De acordo com Brito, a maioria das pessoas com miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia pode fazer a cirurgia. Contudo, o médico precisa checar alguns critérios antes de recomendar o procedimento. Por exemplo:

  • Ser maior de 21 anos.
  • Possuir refração com pouca ou nenhuma mudança nos últimos anos (“graus estáveis”).
  • Ter córneas saudáveis e com boa estrutura para aplicação do laser.
  • Ter boa lubrificação ocular.
  • Caso a cirurgia seja com implantes intraoculares, a retina precisa ser saudável e com boa capacidade de visão.

Técnicas da cirurgia refrativa

Dependem do grau e problema de visão da pessoa e geralmente são intervenções simples e rápidas. Confira as principais:

Laser

Brito explica que a operação ocorre nos dois olhos e no mesmo dia. “Apesar de ser bastante delicada, a cirurgia é rápida — leva cerca de 15 minutos. Aplicamos o laser na superfície da córnea, na parte chamada estroma. Para a anestesia, utilizamos colírios e o paciente pode ir embora logo após o procedimento”, relata o médico.

Implante intraocular

Ao contrário da cirurgia refrativa a laser, o implante intraocular não permite a intervenção simultânea nos dois olhos. “Mas o intervalo é curto, de uma a duas semanas para operarmos o outro olho”, acrescenta Marcelo Brito. Por sua vez, a duração é igualmente rápida, de 15 a 20 minutos por olho. Outra diferença é que o implante é mais invasivo. Dessa forma, é necessário retirar o cristalino e substituí-lo pela lente intraocular permanente. “A princípio, a anestesia mais comum é a sedação e liberamos o paciente depois que ele está bem consciente”, completa Brito.

Ceratectomia fotorrefrativa (PRK)

Também tem o laser como ferramenta reparadora. Porém, é mais indicada para quem possui a córnea mais fina, e busca corrigir a curvatura dessa camada. Para isso, o médico retira a parte mais superficial da córnea para aplicar o laser. Assim como as técnicas anteriores, a intervenção é rápida e o paciente recebe alta depois que acorda da anestesia.

Ceratotomia radial ou astigmática

A ceratotomia possui dois subtipos: a radial corrige a miopia e astigmática, o astigmatismo. Ambas a técnica são iguais. Todavia, o que as diferencia são o formato de incisão na córnea. Com um bisturi de diamante, laser ou lâmina de aço, o médico realiza o corte na estrutura para alterar a forma e reparar a deformidade da visão. Apesar de ser segura, a maioria dos médicos oftalmologistas optam pelo método a laser, pois tem menos riscos de complicações e a recuperação é mais tranquila.

Exames pré-operatórios para a cirurgia refrativa

A maioria dos exames envolve a análise da saúde ocular. Por exemplo, topografia, mapeamento da córnea, paquimetria, dilatação da pupila e aferição da pressão ocular são alguns testes que integram o check-up pré-operatório. Entretanto, alguns quadros podem exigir mais exames, como o eletrocardiograma e a investigação mais profunda da córnea. Além disso, o médico avalia se o paciente possui alguma contraindicação anestésica.

Cuidados pós-operatórios

Logo depois do procedimento, a pessoa pode ir para casa e precisa seguir o tratamento por algumas semanas. Os primeiros dias são essenciais para a recuperação dos olhos. Portanto, Brito enfatiza o repouso absoluto e sem atividades na semana do pós-operatório. O contato com a luz excessiva também deve ser evitado, assim como não tocar os olhos nem coçá-los. Como sintomas, é normal ter mais sensibilidade à luz, ardência e vermelhidão ocular. Outras recomendações:

  • Não entrar na piscina ou mar por, pelo menos, 30 dias.
  • Suspender o uso de maquiagem e cosméticos para a região dos olhos pelo mesmo período — 30 dias.
  • Respeitar os horários dos medicamentos e higienizar os olhos com gaze e soro fisiológico.

Possíveis complicações

Mesmo com a tecnologia e segurança da cirurgia refrativa, algumas intercorrências podem surgir, e muitas delas são imprevisíveis. Traumas oculares são comuns no pós-operatório, principalmente quando a pessoa esbarra em algo ou não faz o repouso corretamente. Como resultado, a retina pode se descolar ou o olho pode sofrer infecções e inflamações. Outra situação é a necessidade de uma nova cirurgia. Isso acontece por diversos motivos. Um deles é quando a pessoa coça muito os olhos e acaba deslocando o FLAP, uma membrana recortada a laser. O processo de cicatrização “errado” também é um fator que pode levar à repetição do procedimento. Por isso, é importante seguir à risca todas as orientações médicas e comunicar quaisquer incômodos inesperados para o especialista.

Fonte: Marcelo Brito, médico oftalmologista – CRM: 18871/RQE:415.