Brasil corre risco muito alto de reintrodução da poliomielite, diz Opas

Saúde
21 de Setembro, 2022
Brasil corre risco muito alto de reintrodução da poliomielite, diz Opas

A Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) disse nesta quarta-feira (21) que, além da República Dominicana, Haiti e Peru, o Brasil corre um risco muito alto de reintrodução da poliomielite. Isso porque os países estão enfrentando uma queda na cobertura regional de vacinação contra a doença para cerca de 79%, o menor desde 1994.

Recentemente, o estado de Nova York declarou uma emergência na tentativa de acelerar os esforços para vacinar moradores contra a poliomielite depois que o vírus foi detectado em amostras de esgoto. Além dos EUA, outros casos também sugiram em Londres e Jerusalém.

Autoridades de saúde pública disseram que a hesitação sobre vacinas contribuiu para a queda nas imunizações contra a poliomielite. Além disso, a Covid-19 causou a pior interrupção na vacinação de rotina em uma geração, de acordo com a Organização das Nações Unidas.

Leia mais: Poliomielite: o que é, sintomas e como prevenir a paralisia infantil

Afinal, o Brasil realmente corre um risco muito alto de reintrodução da poliomielite?

Até o momento, o Brasil faz parte dos seis países com alto risco de retorno do vírus da paralisia infantil. Ele divide o ranking com Argentina, Bolívia, Equador, Panamá e Paraguai. Em entrevista anterior à Vitat, Claudia Valente, membro do Departamento Científico de Imunização da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, explicou que 30% das crianças menores de um ano não estão vacinadas contra a poliomielite. Além disso, 40% não receberam o reforço dado no primeiro ano de vida bem como 55% não tiveram a dose adicional dada aos quatro anos.

A importância da vacina contra a polio

A poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença infectocontagiosa viral aguda causada por um vírus que mora no intestino, chamado de poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3). Embora seja uma doença que possa atingir pessoas de todas as idades, ela é vista com mais frequência entre crianças menores de quatro anos.

A pólio, como outras doenças virais, não possui um tratamento específico. Assim, o que deve ser feito é a imunização da população para evitar a disseminação da doença. Além disso, outra medida social fundamental é garantir o saneamento básico no país para, então, evitar a contaminação pelo vírus por via oral-fecal, por exemplo.

A doença pode causar paralisia irreversível em alguns casos, mas pode ser prevenida por meio da vacina. Assim, três injeções da vacina fornecem quase 100% de imunidade.

Referência: OPAS.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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