Atraso na fala de crianças: quando buscar ajuda médica?

15 de março, 2022

Talvez você já tenha ouvido alguma história de que determinada pessoa da família demorou a falar, certo? É comum que situações como essa sejam observadas, principalmente pelos pais — uma vez que o atraso na fala de crianças pode se sobressair dentro de casa ou até mesmo na escola. A ordem cronológica da vida nem sempre acontece da mesma forma em todas as famílias, no entanto, há funções fisiológicas que devem aparecer em determinados períodos. 

De acordo com Ludmilla Rachid, endocrinologista pediátrica, alguns sinais devem ser percebidos ainda nos primeiros meses de vida. “Para reconhecer o atraso, precisamos conhecer o que é esperado em cada fase”, alerta. “Entre quatro e seis meses, o bebê começa a emitir sons como “grrr” ou “errr”. Já dos seis aos oito meses, alguns sons começam a ser balbuciados, por exemplo “gugu”, “dada”, “baba”. Além disso, é nesta hora que eles começam a imitar diferentes entonações das vozes adultas”, explica. 

“Perto de completar o primeiro ano de vida, a criança consegue falar palavras simples do dia a dia, como ‘água‘, ‘papa’, ‘mamãe’ e ‘papai’. Aos quase dois anos (mais ou menos um ano e oito meses, por exemplo), o bebê já deve conseguir falar mais de 50 palavras, além de conhecer o significado de cada uma delas”, completa a médica. “Até os três anos, elas já têm um vocabulário bem maior e conseguem formar frases completas — período em que os adultos conseguem entender tudo o que é dito, mesmo que de forma errada”, reforça Ludmilla. 

Como identificar o atraso na fala de crianças? 

Para reconhecer que uma intervenção ou ajuda são necessárias, a médica diz que é importante se atentar se o pequeno prefere usar a linguagem não verbal à fala propriamente dita. “Alguns sinais para identificar uma possível dificuldade são: não reagir aos sons, ter dificuldade de imitar ou tentar repetir palavras, preferir gestos, não balbuciar a partir dos 12 meses”, alerta. 

Segundo Ludmilla, alguns fatores causam esse atraso. Muitos pais acreditam que a criança demora para falar frases completas porque tem preguiça ou ‘está em seu próprio tempo’. No entanto, a médica sinaliza que é preciso observar e estimular a criança e, caso seja necessário, levá-la ao especialista. 

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Questione e perceba 

Ludmilla diz que há uma série de dicas que podem ajudar os pais na identificação do atraso na fala. “Alguns fatores podem interferir no desenvolvimento da fala da criança, como dificuldade auditiva (pergunte se ela escuta bem), falta de conversa com a criança, excesso de jogos no celular e televisão, pouca brincadeira de coordenação motora, dificuldades cognitivas (como processar informações para sentar e levantar), autismo, epilepsia, dificuldades na motricidade oral e transtorno psicológico (recusa em falar em determinadas situações).” 

Fora isso, a médica reforça que também é possível que a criança apresente D.E.L, Distúrbio Específico de Linguagem. Isto é, dificuldade para aprender sons, palavras ou estruturar frases. Neste caso, ela afirma que a avaliação precoce é cada vez mais necessária.

Para desenvolver a fala e outras sensações, os adultos devem estimular e acompanhar de perto o desenvolvimento do pequeno. A médica reforça que alguns profissionais são indicados — como fonoaudiólogos, neurologistas, otorrinolaringologistas, entre outros. “O tratamento depende do grau do atraso e da causa”, diz. “Mas, quanto antes iniciarmos o tratamento, maior a chance de uma rápida recuperação”, finaliza. 

Fonte: Ludmilla Rachid, endocrinologista pediátrica

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