Vontade de comer ou compulsão alimentar: como diferenciar?

Diante da correria do dia a dia e das adversidades que acabam surgindo, não é incomum sentirmos desejo por alguns alimentos — quem nunca recorreu a um pedaço de bolo para aliviar um dia ruim, não é mesmo? Essa prática não é prejudicial (pelo contrário, pode ser muito reconfortante!), mas deve ser analisada com consciência. Isso porque a linha entre vontade de comer e compulsão alimentar pode ser tênue em alguns casos. E aí, como diferenciar? Veja o que dizem os especialistas:

O que é a vontade de comer?

De acordo com a médica nutróloga Dra Fernanda Cortez, “existe a fome fisiológica (a ‘normal’), que ocorre quando o corpo realmente precisa se alimentar. Os sinais mais claros são tontura e dores na cabeça e no estômago”, explica. Ainda segundo ela, uma pessoa com fome fisiológica não costuma escolher demais a comida que irá saciar a sua fome, já que o corpo demanda apenas alimentos, sem especificidades.

Por outro lado, a fome emocional é um pouco diferente. “Acontece, por exemplo, quando a pessoa está passando por algum momento de estresse e acaba com desejo de comer por ansiedade, tristeza ou raiva”, diz a especialista.

É aí que a vontade de comer alguma coisa mais específica surge — isso porque provavelmente ela gera prazer e conforto para esse indivíduo. “Esses alimentos, na maioria das vezes, têm maiores índices de gordura, açúcar e carboidrato”, explica.

A vontade de comer algo específico (ou seja, a fome emocional) também pode aparecer em momentos de alegria. Não é à toa, então, que reuniões em família, datas comemorativas, casamentos e outras festividades são sempre acompanhadas de muitos pratos gostosos.

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Vontade de comer ou compulsão alimentar?

Tanto a fome emocional quanto a vontade de comer acontecem com todas as pessoas e não significam, necessariamente, que há algo errado. Afinal, a comida pode ter outros significados além de nutrir o corpo — como já explicado anteriormente.

O problema surge quando esse desejo gera, com frequência, sentimento extremo de culpa, episódios de ingestão exagerada de alimentos e outros comportamentos prejudiciais, como indução do vômito, jejuns prolongados ou prática intensa de exercícios físicos como formas de compensar o que foi consumido. Nesses casos, há a possibilidade de estarmos diante de um quadro de compulsão alimentar.

“Em geral, a pessoa compulsiva perde o controle sobre o que e quanto ela está ingerindo. Esse transtorno alimentar é sempre uma representação mental/psicológica de alguma coisa que a pessoa já passou ou passa na vida, e períodos mais estressantes podem potencializar o problema”, afirma o psicólogo Alexander Bez.

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Como identificar a compulsão alimentar?

Os episódios compulsivos têm algumas características típicas, como:

  • Comer rapidamente;
  • Ingerir alimentos até ficar desconfortável ou passar mal;
  • Comer sem sentir fome;
  • Esconder comida para episódios de voracidade;
  • Não ter paciência para preparar a comida, e acabar consumindo alimentos frios ou crus.

Vale lembrar que, apesar das dicas, o diagnóstico é clínico, ou seja, somente um médico e um psicólogo podem bater o martelo. Da mesma forma, o tratamento deve incluir o acompanhamento de profissionais de diferentes áreas — e, em alguns casos, envolve o uso de medicamentos.

“É necessário investigar os sentimentos e as emoções ligados à ingestão de determinados alimentos e tratá-los”, finaliza a nutróloga.

Fontes:

  • Fernanda Cortez, nutróloga, ortomolecular e pós-graduada em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia);
  • Alexander Bez, psicólogo, especialista em Relacionamentos pela Universidade de Miami (UM), especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA) e especialista em Saúde Mental.

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