Vacinação infantil da Covid-19: tudo o que você precisa saber

13 de janeiro, 2022

Para o alívio de muitas famílias, as primeiras doses de vacinas do coronavírus para as crianças chegaram ao Brasil, permitindo assim que inicie-se a vacinação infantil da Covid-19. Confira as principais informações que você precisa saber sobre o início da imunização.

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Como será a vacinação infantil da Covid-19?

Primeiramente, serão imunizadas com doses da Pfizer as crianças que têm entre 5 a 11 anos. Serão priorizadas aquelas que têm comorbidades ou que sejam portadores de deficiência permanente. Além disso, os pais devem estar presentes no momento da vacinação infantil da covid-19 de seus filhos. Caso isso não seja possível, a aplicação deve ser autorizada via termo de consentimento assinado por eles. Confira outras recomendações da ANVISA

  • O intervalo entre as duas doses das vacinas contra covid-19 deve ser de oito semanas, ou seja, dois meses.
  • A imunização deve ocorrer em sala separada da de adultos.
  • A vacina não deve ser administrada no mesmo período de outras do calendário de vacinação infantil, sendo recomendado um intervalo de 15 dias entre elas.
  • Deve-se evitar a vacinação de crianças no esquema drive-thru (dentro do carro).
  • As crianças deverão ficar em observação no local por 20 minutos após receberem a dose.
  • Os profissionais de saúde devem informar aos pais sobre possíveis efeitos adversos do imunizante, como dor, inchaço no local da aplicação e febre.

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Imunizantes possuem dose reduzida

Ainda de acordo com a agência de saúde, na vacinação infantil da covid-19, as crianças receberão uma dosagem menor que a dos adultos, que será equivalente a um terço da dose usada nos adultos. Dessa forma, serão 10 microgramas, enquanto quem tem 12 anos ou mais recebe a dose de 30 microgramas.

Além disso, com o intuito de evitar possíveis confusões na hora da aplicação, o rótulo da vacina para as crianças terá a cor laranja, ou seja, coloração diferente daquela aplicada em adultos.

A vacina também tem esquema de conservação diferente, já que pode ficar por 10 semanas em temperatura de 2ºC a 8ºC. Já a vacina aplicada em pessoas acima de 12 anos pode ser guardada por quatro semanas após o descongelamento. As crianças terão ainda que receber a primeira e a segunda dose da mesma vacina, ou seja, não podem “misturar” as vacinas entre uma dose e outra.

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Distribuição das doses

As doses que darão o pontapé inicial na vacinação infantil da covid-19 serão distribuídas de forma proporcional aos estados e ao Distrito Federal, de acordo com a população-alvo.

Cada estado vai divulgar a data de início da vacinação. Cabe às secretarias estaduais de Saúde a distribuição das doses para os municípios. Como cada região tem realidade logística diferente, a definição do cronograma fica por conta dos gestores estaduais e municipais.

No entanto, especialistas relatam que a oferta de vacinas para as crianças parece bem menor do que a quantidade de pessoas nessa faixa etária no Brasil. A estimativa é de que 3,7 milhões de doses cheguem ao país. Porém, segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 20,5 milhões de crianças com essa idade.

A vacinação infantil da Covid-19 é segura?

Representantes da Anvisa afirmam que os imunizantes para as crianças são seguros, e que os benefícios superam os riscos. “A carga da doença [Covid-19] não é desprezível. A mortalidade dessas crianças nessa faixa etária é elevada, superior a qualquer outra vacina do calendário infantil, onde nós não hesitamos em recomendar as vacinas para as crianças dessa faixa etária”, afirmou Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Do mesmo modo, a vacinação infantil deve reduzir o número de mortes de crianças pelo coronavírus. De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, cerca de 2,5 mil crianças e adolescentes brasileiros morreram de covid-19 desde o início da pandemia. Além disso, a covid-19 mata mais do que todas as demais doenças infecciosas contempladas no calendário de vacinação infantil. Nesse sentido, segundo a ANVISA, duas doses da vacina para crianças de 5 a 11 anos evita casos graves da doença, além de óbitos. O imunizante já está sendo aplicado em países como Estados Unidos, Áustria, Alemanha, Chile, China e Colômbia.

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Volta às aulas: crianças que não tomaram a vacina devem ir para a escola?

Já se sabe que a ordem de vacinação das crianças será feita por idade, priorizando as que têm comorbidade. Dessa forma, com o ano letivo prestes à iniciar, muitas crianças deverão voltar para as escolas ainda sem terem sido imunizadas. Mas será que é seguro?

De acordo com o pediatra e infectologista Marcelo Otsuka, que também é coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia, sim.

“Vacinar as crianças o mais brevemente possível é o melhor que podemos fazer por elas, e isso nós não podemos deixar passar”. No entanto, ele relembra o tanto que as crianças já sofreram ao longo de quase 2 anos de pandemia. “As crianças foram prejudicadas no ensino. Para grande parte delas, foi uma perda irreparável. Além de serem vítimas de agressão e terem problemas com a alimentação, já que muitas delas tinham na escola sua principal refeição. São várias situações que indicam que as crianças precisam sim, ir para a escola”.

A sugestão é que, se possível, as famílias fiscalizem todos os procedimentos de prevenção adotados pela escola, como o distanciamento social, o uso de máscaras e álcool em gel, bem como a higiene nos banheiros. A escola também deve colaborar alterando os horários de entrada e saída dos alunos, evitando assim que todas as turmas entrem ou saiam ao mesmo tempo, assim como nos momentos de refeições coletivas.

Fonte: Marcelo Otsuka, Pediatra e Infectologista. É Coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da SBI e Membro Efetivo do Comitê de CCIH da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde