Uso racional de medicamentos: o que é e qual é a importância?

Saúde
17 de Outubro, 2022
Uso racional de medicamentos: o que é e qual é a importância?

Não é incomum ouvir histórias de pessoas que não levaram um tratamento medicamentoso até o final. Isso se dá pelo fato de que, muitas vezes, há uma melhora nos sintomas. No entanto, o que pouca gente conhece é a importância do uso racional de medicamentos.

Dados da Fiocruz de 2014 apontam que pelo menos 35% dos medicamentos adquiridos no Brasil são comprados por automedicação. Os medicamentos são responsáveis por 27% das intoxicações no Brasil, e 16% dos casos de morte por intoxicações são causados por medicamentos. Além disso, 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou usados inadequadamente, e os
hospitais gastam de 15 a 20% de seus orçamentos para resolver as complicações causadas pelo mau uso dos mesmos. Por isso, entenda o que é o uso racional de medicamentos e sua importância.

Leia mais: Como armazenar medicamentos em casa?

O que é uso racional de medicamentos?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o uso racional de medicamentos ocorre quando pacientes recebem remédios para suas condições clínicas em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade.

O uso irracional ou inadequado de medicamentos é um dos maiores problemas em nível mundial. A OMS estima que mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ​​ou vendidos de forma inadequada, e que metade de todos os pacientes não os utiliza corretamente.

Exemplos de uso irracional de medicamentos incluem:

  • Uso de muitos medicamentos por paciente, ou seja, a “polifarmácia”;
  • Uso inadequado de antimicrobianos, muitas vezes em dosagem inadequada, para infecções não bacterianas;
  • Excesso de uso de injeções quando formulações orais seria mais apropriado;
  • Falta de prescrição de acordo com as diretrizes clínicas;
  • Automedicação inapropriada, muitas vezes medicamentos prescritos;
  • Não aderência aos regimes de dosagem.

Afinal, o tratamento sempre inclui medicamentos?

Nem todas as doenças exigem o uso de medicamentos. Alguns problemas são de duração muito curta e podem desaparecer mesmo sem o uso deles. Dessa forma, há medidas que podem auxiliar na cura de doenças, tais como, dietas, repouso, exercícios, entre outras. Além disso, ressalta o Ministério da Saúde, fitoterápicos e homeopáticos também são medicamentos. Os fitoterápicos, por exemplo, são obtidos exclusivamente de plantas medicinais. Já os homeopáticos derivam de plantas, animais, minerais, de substâncias biológicas ou sintéticas.

Os riscos da automedicação

Pode agravar doença ou criar um novo problema de saúde

A principal causa da automedicação é aliviar algum tipo de sintoma que a pessoa julga inofensivo, como uma dor de estômago. A falta de um sistema de saúde eficiente aliada à facilidade de conseguir medicamentos sem receita incentivam ainda mais esse hábito.

Porém, qualquer dor ou desconforto é um sinal que o corpo nos dá para algo que não vai bem, principalmente se for recorrente. Ao tomar um remédio sem prescrição e por repetidas vezes, isso pode “esconder” os sintomas de uma doença ou, ainda, sobrecarregar seus órgãos e causar um novo problema de saúde. 

Todo medicamento é um tipo de droga

Qualquer remédio tem substâncias que causam algum tipo de reação química no corpo. Por isso, todo medicamento tem potencial para dar início a um vício. Um simples medicamento antitérmico ou anti-inflamatório, por exemplo, podem desencadear esse inconveniente. O consumo desenfreado de medicamentos pode ainda causar a hipocondria, condição em que a pessoa acredita que está sempre doente. 

Uso racional de medicamentos: Automedicação causa reações adversas

Talvez este seja o grande perigo a curto prazo. Muitas pessoas sequer sabem que possuem alergia a algum tipo de medicamento e podem ter sérios problemas com a automedicação. Ingerir um remédio sem a dosagem adequada também pode provocar intoxicações (superdosagem) ou agravar a doença caso haja uma subdosagem, além de outros tipos de mal-estar que poderiam ser evitados com orientação médica. 

O corpo torna-se resistente à medicação

Tomar o medicamento em altas quantidades e por muito tempo, sem a indicação correta, pode promover a resistência do organismo à substância. É como se o corpo “se acostumasse” com a dosagem que recebe todos os dias ou sempre que surge o sintoma. Dessa forma, quando descobre-se a causa, podem existir dificuldades para encontrar o tratamento ideal, como em resistências a antibióticos e analgésicos. 

Uso racional de medicamentos: médicos desaconselham automedicação

Por fim, o arsenal de medicamentos para qualquer tipo de sintoma é desaconselhado por médicos e há muitas razões para tal:

  • Acúmulo de medicamentos sem necessidade, que trazem o risco de consumo após o vencimento.
  • Armazenamento incorreto pode causar ineficácia do medicamento e os perigos já mencionados, como intoxicação medicamentosa.
  • Crianças correm o risco de ingerir os medicamentos acidentalmente.
  • Possibilidade de trocar a medicação e ingerir o remédio errado. 

Referências

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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