Trauma Raquimedular: o que é, porque acontece e tratamento

18 de julho, 2022

Acidentes de trânsito, quedas, violência com arma de fogo ou até mesmo esportes como o ski podem causar lesões graves na coluna, entre elas o trauma raquimedular. No Brasil, estima-se que 130 mil indivíduos convivam com lesão medular e esse número tende a crescer. Para entender melhor sobre o assunto, conversamos com o neurologista Leonardo de Sousa Bernardes, que nos explicou as causas, o tratamento e como acontece este tipo de lesão.

O que é o trauma raquimedular?

Basicamente, é uma lesão na coluna vertebral, que pode afetar a capacidade de movimento. “É um trauma, acidente, batida que ocorre na região da coluna, afetando a medula espinhal ou os nervos que saem dela”, explica.

De acordo com o médico, o trauma raquimedular ou trauma na medula espinhal, ocorre em virtude de uma força traumática, aguda e excessiva, que leva a um dano nas estruturas ósseas e ligamentares. Além disso, pode também causar uma lesão neurológica medular ou radicular, que são das raízes nervosas.

Afinal, o que faz a medula espinhal?

A medula é responsável por fazer conexões entre o cérebro e o corpo. Além disso, é dela que saem os nervos espinhais responsáveis por levar os impulsos nervosos de sensibilidade e movimento para o tronco, braços, pernas e parte da cabeça. Já os nervos espinhais são responsáveis por nos permitir sentir dor, calor, frio, vontade de urinar, entre outras sensações e movimentos.

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Quais são as principais causas?

O médico destaca que no Brasil não há muitos estudos sobre o tema, mas de acordo com a literatura internacional, os acidentes automobilísticos são a principal causa do problema, responsáveis por 48% dos casos. “Seguido de quedas (16%) e violência com arma de fogo (12%). Além disso, esportes como o ski, snowboard, luta livre, entre outros também podem causar o trauma raquimedular”, conta.

Tipos de trauma raquimedular

O trauma é dividido de acordo com a localização na coluna: cervical, que é a porção mais alta, a torácica, a transição toracolombar, lombar e sacral. “De longe, a mais comum é a cervical, que responde a 60% dos casos e, infelizmente, a mais grave de todas”, conta. “É justamente na cervical que saem os nervos responsáveis pela força e sensibilidade para os braços e pernas.”

Principais consequências do trauma raquimedular

O trauma raquimedular pode causar sequelas que vão variar de acordo com a localização da lesão. Em geral, este tipo de lesão pode ocasionar paralisias temporárias ou permanentes dos membros, além de alterações na sensibilidade. Se for um traumatismo na parte cervical ou torácica alta, o paciente pode ficar tetraplégico e sem ter forças nos braços e pernas. Já se for um trauma cervical baixo ou lombar, pode ficar paraplégico. Além disso, a pessoa pode apresentar complicações como retenção de urina, constipação e alteração de pressão, que pode oscilar com mais facilidade.

Tratamentos

Quando diagnosticado o trauma raquimedular, o tratamento inclui reabilitação com o suporte de uma equipe multiprofissional com neurologista, neurocirurgião, fisiatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e equipe de enfermagem. Entretanto, infelizmente, é uma condição que não tem cura, mas prevenção. “Precisamos conscientizar a população e evitar as possíveis causas desse trauma”, destaca Leonardo.

Fonte: Leonardo de Sousa Bernardes, neurologista com especialização em Neuro-Oncologia do Hospital Albert Sabin

Referência: BVS

Sobre o autor

Beatriz Libonati
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em diabetes e obesidade.