Subvariante BA.2 da Ômicron: o que já se sabe sobre a nova cepa

Saúde
02 de Fevereiro, 2022
Subvariante BA.2 da Ômicron: o que já se sabe sobre a nova cepa

A variante Ômicron é, atualmente, a grande responsável pela alta de casos de coronavírus em todo o mundo. Agora, cientistas detectaram uma subvariante da cepa, conhecida como BA.2, que já começou a superar a Ômicron em países da Europa e da Ásia.

De acordo com um estudo dinamarquês, a BA.2 é mais transmissível do que a mais comum (BA.1) e tem uma capacidade maior de infectar pessoas vacinadas.

“Concluímos que a Ômicron BA.2 é substancialmente mais transmissível do que BA.1, e que também possui propriedades imunoevasivas que reduzem ainda mais o efeito protetor da vacinação contra infecções”, disseram os pesquisadores do SSI (Statens Serum Institut), da Universidade de Copenhague, da Estatísticas da Dinamarca e da Universidade Técnica da Dinamarca.

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O que já se sabe sobre a subvariante BA.2

A subvariante BA.2 foi descoberta por meio de análises genômicas na África do Sul, Austrália e Canadá. Na época, o diretor do Instituto de Genética da University College London (UCL), François Balloux, afirmou que as linhagens podem se comportar de formas divergentes.

Agora, com a divulgação do estudo dinamarquês, é possível conhecer como a subvariante se comporta. A pesquisa analisou infecções por coronavírus em mais de 8.500 lares dinamarqueses entre dezembro e janeiro. Como resultado, o estudo indicou que pessoas infectadas com a subvariante BA.2 têm aproximadamente 33% mais chances de infectar outras pessoas, em comparação com as infectadas com BA.1. 

Dessa forma, embora a subvariante BA.1 seja responsável por mais de 98% dos casos de ômicron, a BA.2 rapidamente se tornou a cepa dominante na Dinamarca, ultrapassando a BA.1 na segunda semana de janeiro. Como consequência, a BA.2 já representa 82% dos casos na Dinamarca, que começa a suspender as restrições sanitárias. No Reino Unido, a subvariante da Ômicron já responde a 9% das infecções; nos EUA, 8%.

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“Se você foi exposto à ômicron BA.2 em sua casa, você tem 39% de probabilidade de ser infectado dentro de sete dias. Se você tivesse sido exposto à BA.1, a probabilidade é de 29%”, disse à Reuters o principal autor do estudo, Frederik Plesner. Em contrapartida, o estudo não conseguiu identificar nenhuma diferença no risco de hospitalização ao fazer a comparação entre a BA.1 e a BA.2.

Por outro lado, o professor Seshadri Vasan, da Agência de Ciências da Austrália, informou ao jornal inglês The Guardian, que “até agora, evidências mostram que, embora possa se espalhar mais rapidamente, não há evidências de aumento da gravidade. Portanto, é importante manter a calma e continuar as medidas existentes, como nos vacinar e seguir o distanciamento social, máscaras e diretrizes locais”.

O que diz a Organização Mundial da Saúde

A subvariante BA.2 não parece ser mais grave do que a forma original, BA.1, disse Boris Pavlin, da equipe de resposta à covid-19 da Organização Mundial da Saúde. Ainda segundo o representante, as vacinas também continuam fornecendo proteção semelhante contra as diferentes formas da ômicron.

De acordo com Pavlin, com base em dados da Dinamarca, o primeiro país onde a subvariante ultrapassou a “original”, parece não haver diferença na gravidade da doença. No entanto, a BA.2 tem potencial de substituir globalmente a BA.1.

“Olhando para outros países onde a BA.2 está agora ultrapassando, não estamos vendo nenhum aumento na hospitalização acima do esperado”, disse. No entanto, a subvariante já está se tornando dominante nas Filipinas, Nepal, Catar, Índia e Dinamarca, disse Pavlin. De qualquer forma, a própria OMS já pediu prioridade nas investigações relacionadas à BA.2 para entender melhor a nova cepa.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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