Subvariante Arcturus tem primeiro caso registrado em São Paulo

Saúde
02 de Maio, 2023
Subvariante Arcturus tem primeiro caso registrado em São Paulo

A nova subvariante Arcturus do coronavírus — também chamada de XBB.1.16 — já está no Brasil. No mês passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), passou a ter um olhar mais cauteloso sobre a mutação na Índia, onde foi identificada pela primeira vez no início do ano. Desde então, a Arcturus causou uma onda de novas infecções e já se tornou a cepa dominante no país.

Mesmo que em menores proporções do que no auge da pandemia, as novas variantes do coronavírus continuam surgindo, evoluindo e causando problemas em outros países. De acordo com a OMS, até agora não houve mudança de gravidade da doença, embora ela pareça estar se espalhando mais rapidamente do que as anteriores. Portanto, merece monitoramento para avaliar a transmissibilidade, o escape imune e o aumento de gravidade dos casos.

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Nova subvariante Arcturus tem primeiro caso em São Paulo

O Ministério da Saúde confirmou na sexta-feira (28) que há uma infecção pela nova variante no Estado de São Paulo. O caso foi identificado por meio de um sequenciamento genético pelo Hospital Israelita Albert Einstein no final de abril e informado à Vigilância Epidemiológica do município.

Em nota, o governo informou ainda que “as evidências atuais relacionadas a esta linhagem da variante Ômicron não indicam risco adicional à saúde pública se comparada a XBB.1.5 (principal linhagem em circulação no Brasil). Assim como não há evidências de alteração na gravidade dos casos.”

Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de casos confirmados da variante vem aumentando. Na semana entre os dias 17 e 21 de abril, a subvariante Arcturus foi responsável por cerca de 10% dos casos de Covid-19, acima dos 6% registrados na semana anterior.

Afinal, o que sabemos sobre a Arcturus?

A Arcturus é uma sublinhagem da variante XBB, que por sua vez é uma “descendente” da Ômicron – a variante do SARS-CoV-2 que causou um aumento considerável de infecções, hospitalizações e mortes em todo mundo no ano passado.

A XBB1.16 carrega várias alterações no seu código genético, o que aparentemente aumenta a sua capacidade de se espalhar e de escapar da imunidade adquirida. Uma dessas mutações em especial ocorre na proteína Spike, justamente a que o vírus usa para invadir as células.

Apesar de até o momento a Arcturus não ter causado uma versão mais grave da doença nas pessoas infectadas, ela tem uma característica que a difere das anteriores. Ou seja, um dos sintomas é a conjuntivite (principalmente em crianças), com febre alta e tosse.

A constatação foi feita pelo Comitê Indiano de Imunizações Pediátricas, que observou um aumento de casos de Covid-19 entre crianças que também apresentavam conjuntivite. Contudo, ainda não há dados concretos que confirmem essa associação.

Segundo a OMS, atualmente existem apenas cerca de 800 sequenciamentos da XBB 1.16 no mundo. Basicamente todos feitos na Índia, onde a subvariante Arcturus já é dominante e substituiu as demais em circulação.

“Como ela [Arcturus] tem mais mutações, provavelmente irá substituir a outra variante que está em circulação no Brasil, a XBB1.5. O quadro clínico é igual às variantes anteriores, com exceção da conjuntivite em crianças. Mas vale ressaltar que ela não é uma variante de preocupação (VOC) como foi a Ômicron. É uma variante de interesse”, destacou a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Vacinação continua sendo fundamental

No dia 24 de abril, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação com a dose de reforço bivalente contra a Covid-19 para toda a população acima de 18 anos. O objetivo é reforçar a proteção contra a doença e ampliar a cobertura vacinal em todo país.

Cerca de 97 milhões de brasileiros podem ser vacinados nesta etapa. De acordo com o governo, até a sexta-feira (28), já haviam sido aplicadas 10.847.940 doses de reforço bivalente.

A orientação de se imunizar com a vacina bivalente vale para quem já recebeu pelo menos duas doses de vacinas monovalentes (Coronavac, Astrazeneca, Pfizer ou Janssen) como esquema primário ou como dose de reforço, respeitando um intervalo de quatro meses da última dose.

Quem ainda não completou o ciclo vacinal e está com alguma dose de reforço em atraso, pode e deve procurar as unidades de saúde.

“Vamos ainda observar qual será o comportamento da Arcturus. Afinal, os vírus estão sempre em evolução. A mensagem principal é para que as pessoas continuem se vacinando, sobretudo agora que houve a ampliação da vacinação bivalente”, disse Emy.

Aliás, a FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) atualizou a recomendação de imunização contra Covid-19 no país e retirou a vacina monovalente da lista. Por lá, só terá a vacina bivalente.

“A ampliação da vacinação bivalente faz todo o sentido porque a gente precisa disponibilizar a vacinação pra todos. Temos um contingente enorme de pessoas que não estão procurando os postos de saúde para se vacinar. Quanto mais pessoas imunizadas tivermos, melhor será”, finalizou.

 

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