Soluço pode ser sintoma de ansiedade ou estresse

15 de julho, 2021

Na última quarta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro foi internado em um hospital de Brasília após uma crise de soluço que estava durando dias. Ele já vinha reclamando do problema há uma semana, e chegou a contar em uma live que perdeu a voz por causa disso.

Desse modo, o chefe do Executivo precisou ficar em observação e foi examinado pelo médico Antônio Luiz Macedo, que operou Bolsonaro quando ele foi vítima de uma facada na eleição de 2018. Mas a questão levantou dúvidas acerca da condição: afinal, quanto tempo dura um soluço, e o que ele significa? Veja a seguir:

O que causa o soluço?

O soluço nada mais é do que um espasmo, como se fosse uma “cãibra”, no diafragma — músculo que separa o nosso tórax do abdômen e auxilia em alguns processos da digestão. Isso geralmente é provocado por um estímulo diferente, seja um líquido muito quente, uma refeição muito pesada ou bebidas alcoólicas em excesso, por exemplo.

Assim, a contração do músculo, somada ao fechamento da glote (localizada entre as cordas vocais), gera o som característico e conhecido como soluço.

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Soluço constante

Normalmente, o problema tende a passar depois de alguns minutos ou horas. Contudo, há quem sofra com o soluço persistente, como Bolsonaro. Quando ele dura mais de dois dias, é preciso procurar um médico, pois pode ser sintoma de alguma doença.

Confira algumas das possíveis causas:

  • Doenças gastrointestinais como refluxo e hérnia de hiato;
  • Excesso de gases;
  • Tumores;
  • Pós-operatório de cirurgias abdominais;
  • Tabagismo;
  • Diabetes;
  • Alterações metabólicas;
  • Alguns medicamentos — o presidente, inclusive, desconfiava que a causa era um remédio que ele havia tomado depois de um implante dentário;
  • Doenças neurológicas: meningite, encefalites, AVC, neoplasias, esclerose múltipla.

Estresse e ansiedade

Ademais, questões psicológicas podem gerar o soluço persistente. Uma das possíveis explicações é que emoções fortes estimulam a secreção exagerada de ácido no estômago, provocando o refluxo.

“Quadros de ansiedade, pânico e até depressão podem, sim, desencadear a condição. Mas para que o soluço seja diagnosticado como psicossomático (sintoma físico com causa emocional) precisamos, primeiro, eliminar todas as outras possibilidades de doenças do corpo”, explica o psiquiatra Pablo Vinicius, neurocientista e especialista em saúde mental. É por isso que o acompanhamento médico se faz necessário, mesmo que o incômodo pareça simples.

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Como parar o soluço

Tomar um susto, prender a respiração, beber água de cabeça para baixo… Você já deve ter escutado essas dicas por aí. Apesar de a maioria não ter comprovação científica, algumas fazem mais sentido do que outras. Veja o que pode parar o soluço — e o que não passa de mito:

  • Beber água: Geralmente funciona, desde que você tome pequenos goles para controlar a respiração;
  • Beber água de cabeça para baixo: Mentira. O líquido ajuda, mas a posição não faz diferença;
  • Prender a respiração: Pode funcionar, uma vez que a apneia pode controlar melhor a respiração;
  • Respirar devagar: Geralmente funciona;
  • Levar um susto: Pode funcionar, mas a probabilidade é mais baixa — sem contar o risco para pessoas com problemas cardíacos. Isso porque, quando tomamos um susto, geralmente prendemos a respiração;
  • Colocar o dedo na garganta: Se for perto da faringe (no céu da boca), pode funcionar, já que estimula um nervo relacionado ao soluço;
  • Abraçar os joelhos: A postura comprime o diafragma e interfere no ritmo da respiração. Portanto, é uma boa ideia;
  • Comer miolo de pão: Mito.