Síncope vasovagal: o que é, sintomas, causas e tratamento

Saúde
22 de Dezembro, 2021
Síncope vasovagal: o que é, sintomas, causas e tratamento

Desmaio súbito causado por perda de consciência: assim é a síncope vasovagal, por vezes também chamada de síndrome vasovagal. Vale pontuar, no entanto, que há uma diferença: enquanto a síndrome se refere aos sinais e sintomas que se antecedem o desmaio, a síncope é o desmaio em si.

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Síncope vasovagal: o que é?

Muitos nervos estão conectados aos vasos sanguíneos e ao coração e ajudam a regular o ritmo cardíaco e a pressão nas artérias em situações normais. Entre eles, está o nervo vago. Quando ocorrem alguns estímulos específicos, como é “ver sangue” para algumas pessoas, pode acontecer uma reação neural inesperada e exagerada, que deixa os vasos mais dilatados e diminui o ritmo cardíaco. Em consequência, pode haver redução do aporte de sangue no cérebro e, como resultado, acontece uma síncope.

É neste cenário que acontecem a síndrome vasovagal e a síncope vasovagal. “É uma perda súbita e transitória da consciência causada por uma redução no fluxo de sangue para o cérebro, decorrente de uma queda brusca da pressão arterial”, resume o cardiologista Edilberto Castilho P. Júnior, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo.

Quem pode sofrer

A síncope vasovagal não é uma doença e pode acontecer com qualquer pessoa. No entanto, o médico explica que é mais comum que ocorra em jovens com idade entre 20 e 30 anos e idosos acima dos 70 anos.

Síncope vasovagal: sinais e sintomas que surgem antes do desmaio

Apesar de normalmente surgir de forma súbita, alguns sinais e sintomas podem aparecer antes da síncope. Dessa forma, a chamada síndrome vasovagal pode apresentar:

  • Fadiga.
  • Fraqueza.
  • Sudorese.
  • Náuseas.
  • Alteração visual.
  • Tontura.
  • Dor de cabeça.
  • Disartria, isto é, dificuldade de pronunciar palavras.
  • Formigamento no corpo.

O que fazer ao sentir a proximidade do desmaio súbito?

Quando os sintomas que precedem a síncope começarem a aparecer, o ideal é tentar deitar-se ou ficar próximo ao chão para evitar ferimentos que podem ocorrer com a queda. “Se não for possível se deitar, procurar sentar e fique com o tórax mais próximo do chão”, diz o especialista.

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Fatores que podem desencadear a síncope vasovagal

A síncope vasovagal não tem uma causa bem definida, mas pode ser desencadeada por fatores como:

  • Ansiedade.
  • Dor.
  • Medo.
  • Ficar muito tempo em pé.
  • Alteração na temperatura do ambiente.
  • Exercícios físicos.
  • Medicamentos como diuréticos ou anti-hipertensivos, por exemplo, podem estimular o surgimento da síncope.

Diagnóstico de síncope vasovagal

Antes de fazer o diagnóstico de síncope vasovagal, é preciso eliminar outras possíveis causas para os desmaios. Por isso, o médico poderá solicitar alguns exames, como:

  • Exames de sangue: para descartar a possibilidade de uma anemia, por exemplo.
  • Eletrocardiograma: para detectar caso haja arritmia ou outras alterações cardíacas.
  • Holter 24 horas: exame capaz de monitorar as alterações de pressão arterial durante o dia.
  • Ecocardiogramas: exame que identifica alterações em estruturas cardíacas, como estenoses das válvulas do coração.

Além desses testes, o “tilt test” pode ajudar a confirmar o diagnóstico de síncope vasovagal. Nesse exame, o paciente permanece deitado em uma maca cuja movimentação é acionada por um botão e que possui faixas fixadoras para estabilizá-lo e garantir que não se machuque durante a realização. Um técnico, então, aciona o mecanismo que faz com que a maca se incline e coloque o paciente em diferentes posições. O ritmo cardíaco e a pressão arterial são monitorados o tempo inteiro para identificar possíveis alterações.

Tratamento da síncope vasovagal

O cardiologista Edilberto Castilho explica que a principal forma de tratamento para a síncope vasovagal é adotar medidas que ajudam a prevenir a ocorrência das crises. Dessa forma, deve-se evitar ficar muito tempo em pé, levantar-se rapidamente, permanecer em ambientes muito quentes, sentir estresse em excesso e não se manter adequadamente hidratado, por exemplo. Além disso, é recomendável, ainda, que cada indivíduo observe o que causa as próprias crises e evite estas situações.

Da mesma forma, existem também medicamentos que podem ser utilizados para evitar as crises. No entanto, antes de optar por eles, devem ser tomadas medidas para prevenção das crises. Eles passam a ser uma opção quando a ocorrência das síncopes prejudica a qualidade de vida do indivíduo e têm a função de ajudar a evitar as quedas de pressão arterial.

Afinal, quais são os riscos da síndrome vasovagal?

Por fim, a boa notícia é que a síndrome vasovagal é uma síndrome benigna. Em outras palavras, ela não impõe graves riscos para a saúde ou sequelas físicas. Dessa forma, os maiores perigos relacionados a ela referem-se às quedas causadas pelos desmaios e consequentes fraturas e ferimentos. Por isso, além de tomar medidas para prevenir as crises, é muito importante deitar-se ou ficar próximo ao chão ao sentir a proximidade do desmaio.

Fonte: Dr. Edilberto Castilho P. Júnior, cardiologista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo.

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