Primeiros sinais de Alzheimer podem aparecer nos olhos

Saúde
28 de Março, 2023
Primeiros sinais de Alzheimer podem aparecer nos olhos

Um estudo recente, publicado em fevereiro na revista Acta Neuropathologica, parece ter encontrado sinais de Alzheimer nos olhos de pacientes com a doença já diagnosticada. A descoberta é importante porque abre espaço para novas investigações e, eventualmente, para o desenvolvimento de exames que permitam identificar a condição mais cedo (e com mais precisão).

O Alzheimer é uma doença degenerativa que provoca danos irreversíveis no sistema nervoso e no cérebro. Quando em estágios mais avançados, afeta a memória, a linguagem, o comportamento, os movimentos e as funções básicas (engolir, evacuar e urinar, por exemplo). Em síntese, o Alzheimer sequestra a independência da pessoa.

Diante de tantas consequências, há anos a ciência vem estudando formas de reconhecer o quadro precocemente e, assim, prevenir fatores de risco modificáveis como pressão alta, colesterol e diabetes. Nesse sentido, os olhos têm se mostrado um bom caminho.

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Sinais de Alzheimer nos olhos

Para chegar às conclusões, os pesquisadores coletaram amostras da retina e do cérebro de 86 pessoas com doença de Alzheimer e comprometimento cognitivo leve durante 14 anos. De acordo com os autores, esse foi o maior grupo já examinado.

“Nosso estudo é o primeiro a fornecer análises aprofundadas dos perfis de proteínas e dos efeitos moleculares, celulares e estruturais da doença de Alzheimer na retina humana e como eles correspondem a mudanças no cérebro e na função cognitiva”, disse em um comunicado a principal autora Maya Koronyo-Hamaoui, professora de neurocirurgia e ciências biomédicas no Cedars-Sinai, em Los Angeles.

Os cientistas, então, compararam as amostras coletadas às de doadores com funções cognitivas consideradas normais. E acharam aumentos significativos no beta-amiloide, um marcador importante da doença, em pessoas com Alzheimer e declínio cognitivo.

Além disso, eles perceberam uma queda de 80% das chamadas células microgliais em pacientes com a doença. Essas estruturas são responsáveis, sobretudo, por reparar e manter outras células saudáveis.

Isso sem falar nos níveis mais altos de inflamação nos pacientes com a condição, o que pode ser um marcador importante de progressão do Alzheimer.

Os achados foram vistos, aliás, até em indivíduos em estágios bastante iniciais. O que traz esperança para os cientistas, que poderão, possivelmente, trabalhar em exames de retina que detectam a condição.

Referência: Retinal pathological features and proteome signatures of Alzheimer’s disease.

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