Reserva cognitiva: como ela protege contra doenças neurodegenerativas

23 de junho, 2022

A reserva cognitiva (RC) não é um tema muito famoso, mas pode ajudar a prevenir ou minimizar os sinais de doenças como o Alzheimer e a demência. Segundo Thais Bento, gerontóloga e parceira científica do SUPERA – Ginástica para o cérebro, o primeiro estudo sobre o assunto surgiu de forma inusitada. “Na década de 1980, um grupo de freiras iniciou a primeira pesquisa, que durou 17 anos. A amostra investigada apresentou um significativo desempenho cognitivo ao longo desse período. Após a morte das freiras, constatou-se que estruturalmente o cérebro de uma delas era equivalente ao de uma pessoa com doença de Alzheimer em fase avançada”, relata. Porém, ao longo da vida, a freira não manifestou os sintomas da doença. Como conclusão, o estudo atribuiu o fato à reserva cognitiva, que “protegeu” a freira contra o desenvolvimento da enfermidade.

Veja também: Linguagens do amor: como elas interferem nos relacionamentos?

Estilo de vida e experiências favorecem a reserva cognitiva

Tanto Thais Bento quanto o médico neurologista e neuropediatra Marcelo Aragão alegam que nossas experiências e atividades do cotidiano são preponderantes para o estímulo da reserva cognitiva. “Nível educacional, atividade ocupacional e de lazer, incluindo atividade física, melhoram a RC”, afirma Aragão. “Essas experiências de vida permitem que novas conexões neuronais sejam formadas. Portanto, há o aumento da possibilidade de um melhor funcionamento da memória, funções executivas e outras habilidades”, complementa Thais.

De que forma a RC beneficia nossa saúde?

De acordo com Thais, a reserva cognitiva é um fator de proteção das habilidades cognitivas, que mudam com o envelhecimento, mas também devido a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Aragão reforça a tese de que a RC é fundamental para adiar, mesmo que provisoriamente, a manifestação dos sintomas de enfermidades desse tipo. Então, mesmo com predisposição a quadros que comprometem o sistema nervoso e cognitivo, a pessoa pode sofrer menos os efeitos da doença. Além disso, a RC exerce outro papel de aprimorar nossa capacidade de realizar tarefas do dia a dia. “Nesse sentido, quanto maior a RC, melhor será a capacidade de realização de diversas ações, inclusive as inesperadas”, acrescenta Thais.

Dicas para exercitar e melhorar a sua reserva

Ambos os especialistas são enfáticos: precisamos apostar em atividades edificantes, que agreguem conhecimento, aptidão física e testem nosso potencial de socialização e resolução. Veja alguns exemplos:

  • Exercite-se regularmente: tente variar os estímulos e experimentar novas modalidades.
  • Invista em conhecimento: sabemos que a educação de qualidade ainda é um privilégio. Então, na medida do possível, faça cursos de seu interesse, seja por hobby ou para ampliar os horizontes profissionais. Outra forma mais acessível é dedicar um tempo à leitura de assuntos que você gosta.
  • Passe tempo de qualidade com as pessoas de seu convívio: relações interpessoais ajudam a fortalecer a reserva cognitiva, sobretudo quando são saudáveis.
  • Busque autoconhecimento: conhecer a si próprio pode ser um caminho espinhoso em alguns momentos. Entretanto, o autoconhecimento melhora a autoestima e a autoconfiança, e nos deixa mais prontos para as adversidades.
  • Adquira hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, vida ativa, controle do estresse e descanso são pilares para prevenir fatores de risco de doenças diversas. Principalmente condições que afetam o sistema nervoso e as funções cerebrais.

Fontes: Marcelo Aragão, neurologista, neuropediatra e médico-assistente de Neurologia da Unifesp e do Hospital Japonês Santa Cruz; e Thais Bento, gerontóloga e parceira científica do SUPERA – Ginástica para o cérebro.