Um surto de raiva humana tem preocupado médicos e autoridades da área de saúde. Ontem (03), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que uma criança morreu diagnosticada com a doença. Essa é a terceira morte causada por raiva em Minas Gerais no período de apenas um mês. De acordo com a SES-MG, ambos os casos estão relacionados à mordedura por morcego. Há, ainda, outros casos suspeitos.
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A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, que acomete mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. A doença é uma zoonose (doença que passa dos animais ao homem e vice-versa).
É causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae, mortal tanto para o homem como para o animal. Isso porque o vírus prejudica o sistema nervoso central, levando ao óbito após curta evolução.
A transmissão da raiva ocorre quando os vírus existentes na saliva do animal infectado penetram no organismo por meio da pele ou de mucosas, após mordida, arranhadura ou lambedura. Além disso, a raiva apresenta três ciclos de transmissão:
O período de incubação – intervalo entre a data de contato com o vírus até o início dos sintomas – da raiva humana varia. Assim, pode chegar a dias e até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças.
Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas da raiva, que duram, em média, de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente pode apresentar as fobias consideradas clássicas da raiva (hidrofobia e aerofobia), a tríade parestesia, paresia e paralisia, a Síndrome de Guillain-Barré, bem como outros sinais e sintomas. Confira:
Além disso, podem ocorrer alterações de comportamento.
Não é difícil diagnosticar a raiva humana. Assim, geralmente o quadro clínico acompanha, além dos sinais e sintomas da doença, caracteristicas de mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosas provocadas por animal raivoso ou suspeito. Esse quadro clínico típico ocorre em cerca de 80% dos pacientes.
Uma vez que o paciente tenha desenvolvido os sintomas da raiva, não há tratamento eficaz. Dessa forma, a taxa de mortalidade é de praticamente 100%. Se por um lado praticamente 100% dos pacientes morrem após o início dos sintomas, por outro, há vacina e tratamento profilático com imunoglobulinas (anticorpos), que são altamente eficazes e impedem o desenvolvimento da raiva, se administrados em tempo hábil.
Inicialmente, no caso de agressão por parte de algum animal, a assistência médica deve ser procurada o mais rápido possível. Quanto ao ferimento, deve-se lavar abundantemente com água e sabão e aplicar produto antisséptico. Veja o que fazer quando for mordido por um animal, mesmo se ele estiver vacinado contra a raiva:
Além disso, evite tocar em animais estranhos, feridos ou doentes; perturbar animais quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo; separar animais que estejam brigando; ou criar animais silvestres ou tirá-los de seu “habitat” natural.
Referências: Biblioteca Virtual em Saúde e MSD Manuals.