Óculos de sol falsificados: perigo à vista

Saúde
01 de Julho, 2022
Óculos de sol falsificados: perigo à vista

Quem nunca comprou ou ao menos experimentou um óculos de camelô ou sem saber a procedência que atire a primeira pedra. Considerado um item fashion, muitas vezes a escolha do acessório é baseada em tendências de moda ou preço, mas raramente é feita levando em consideração a qualidade. E aí que mora o perigo. Usar óculos de sol falsificados à primeira vista parece algo inofensivo e até uma alternativa para economizar, mas pode trazer um problemão para os seus olhos. É o famoso barato que sai caro.

A questão não é a marca x ou y, muitos menos o valor do produto. O grande problema de utilizar esse tipo de óculos é que eles não oferecem proteção contra os raios ultravioletas (UV). Você já deve ter ouvido falar sobre os buracos na camada de ozônio, certo? É através deles que os raios UV, emitidos por meio da luz solar, chegam até nós e podem nos colocar em apuros. A radiação ultravioleta pode desencadear doenças de pele como queimaduras e câncer, mas também afeta os olhos. Vamos entender melhor sobre o assunto.

Óculos de sol falsificados não oferecem proteção aos olhos

“A nossa íris, a parte colorida do olho, foi projetada para, quando estivermos em um ambiente de muita luminosidade, se fechar e diminuir a entrada de luz no olho”, ensina o oftalmologista Kim Kayat. “É um mecanismo de defesa natural do nosso corpo. E quando o olho é exposto a um ambiente mais escuro, como atrás das lentes de um óculos de sol, a resposta é dilatar a pupila para que entre mais luz no olho.” E aí que vem o perigo.

Sem a proteção UV, os óculos de sol falsificados permitem que a radiação chegue ao olho. “Se o óculos é de má qualidade, logo ele não filtra os raios. Os danos que vamos ter no globo ocular estão relacionados justamente à entrada de mais do que deveria de raio ultravioleta”, diz o médico. Ou seja, usar óculos de má procedência pode ser pior do que não usar nada.

Complicações nos olhos

Entre as complicações mais simples estão dor de cabeça, cansaço e desconforto na visão. Mas uma das formas mais graves dessa exposição sem proteção é a catarata, mas ainda há outros riscos pelo uso de óculos de sol falsificados. “A radiação UV pode causar a degeneração macular, uma lesão no centro da retina, que pode levar a perda gradual da visão”, explica o oftalmologista.

Kim também destaca os riscos para desenvolvimento de um tipo de câncer no olho: o melanoma de coróide. “O mesmo câncer que pode dar na pele, o melanoma, pode dar no fundo do olho, na coróide, tecido logo abaixo da retina.” Ou seja, usar óculos de sol é mais do que importante: é necessário para a saúde ocular. Mas diante disso, fica a pergunta: é obrigatório usar óculos sempre que sair de casa?

A resposta é: depende. O que vai determinar é o quanto você se expõe ao sol. “Se a pessoa tem uma atividade recorrente ao sol ou vai se expor de forma prolongada deve usar o óculos, porque aumenta a incidência dos raios UV”, explica o médico.

Afinal, como escolher o melhor óculos de sol?

Sem dúvida, é importante evitar os óculos de sol falsificados ou também conhecidos como réplicas de marcas famosas. O ideal é optar por óculos de marcas conhecidas e que forneça um certificado que comprova que aquele produto tem proteção contra os raios ultravioletas.

Na dúvida, também é possível checar por meio de um aparelho específico a qualidade do óculos. “A maioria dos oftalmologistas e óticas possuem o lensômetro que consegue checar se o óculos filtra ou não a radiação”, explica Kim. Outra dica importante é ficar atento sobre o formato da lente. “Não adianta você ter um óculos com uma lente maravilhosa, mas muito fino nas laterais e, com isso, permitir a entrada de radiação no seu olho”, faz o alerta. “O óculos deve vedar de maneira significativa os raios que entram, por isso o formato da lente tem que encaixar bem no seu olho para manter a proteção.”.

Fonte: Kim Kayat, médico oftalmologista pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e especialista em retina pela UNIFESP/EPM
Referência: Retina Brasil

Sobre o autor

Beatriz Libonati
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em diabetes e obesidade.

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