O que são cuidados paliativos e por que estão sendo feitos por Pelé?

Saúde
05 de Dezembro, 2022
O que são cuidados paliativos e por que estão sendo feitos por Pelé?

Neste sábado (03), a notícia sobre o estado de saúde do Pelé preocupou e mobilizou os fãs do eterno craque. Diagnosticado com câncer de cólon em setembro de 2021, o ex-jogador vem fazendo tratamento de quimioterapia para combater a doença. No entanto, Pelé não está mais reagindo à terapia curativa. Como parte do tratamento não curativo, existem os cuidados paliativos que servem para amenizar os sintomas da enfermidade. Em publicação no Instagram, o símbolo do Santos tranquilizou os seguidores: “estou forte, com muita esperança e sigo meu tratamento como sempre”, escreveu. Afinal, o que são cuidados paliativos e por que eles são indicados em casos como o de Pelé?

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O que são cuidados paliativos e qual a importância deles?

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tratamento paliativo são os “cuidados de saúde ativos e integrais prestados à pessoa com doença grave, progressiva e que ameaça a continuidade de sua vida”.

A premissa da abordagem, portanto, é trazer mais conforto ao paciente, e envolve uma série de profissionais e práticas para esse objetivo. Por exemplo, após uma cirurgia ou avanço de um câncer de garganta, a pessoa pode ter problemas para engolir e falar.

Dessa forma, é essencial ter o suporte de um fonoaudiólogo para auxiliar com exercícios capazes de melhorar as funções. Além disso, a inclusão de psicólogos, nutricionistas, psiquiatras, fisioterapeutas e outros especialistas contribuem para a missão de uma vida melhor ao paciente. Em conjunto, as medidas são capazes de reduzir as dores e outros sintomas físicos debilitantes.

Mas, ao ouvir o termo, muitas pessoas associam os cuidados à ideia de que a jornada de um paciente está chegando ao fim. Contudo, os cuidados paliativos podem ajudar a prolongar a qualidade de vida de um indivíduo com condições progressivas.

“É o oposto de ‘não há mais nada a se fazer’. A medicina paliativa é exaltar a vida, enquanto ela exista, independente de previsões. Lutamos, ao lado dos colegas que buscam o controle na progressão dessas doenças. Assim, podemos abordar questões psíquicas, físicas, sociais e espirituais que surgem a partir do diagnóstico e que se estendem durante a evolução do quadro clínico,” explica Rodrigo Valle, coordenador médico de cuidados paliativos do Hospital Moinhos de Vento.

Cuidados com a saúde mental são parte essencial do trabalho

Lorena Caleffi, psiquiatra que também trabalha com cuidados paliativos no Hospital Moinhos de Vento, alerta que os quadros de depressão são muito comuns em pacientes com esse perfil.

“Nunca é adequado dizer ‘o paciente está em estado terminal, claro que está deprimido’. Depressão não é um estado normal em nenhuma fase da vida e precisa de diagnóstico e tratamento. Afinal, ela interfere no estado geral, na aderência aos demais tratamentos, alterações de sono e apetite, levando a uma piora da qualidade de vida e do prognóstico do caso,” explica.

A psiquiatra reforça que os cuidados paliativos também se estendem aos familiares. “A convivência com a perspectiva de uma perda e a perspectiva do luto futuro provocam uma mudança no funcionamento do paciente e da família. Então, o cuidado paliativo precisa ser o mais individualizado possível, e a equipe precisa prestar atenção para manter a dignidade daquele indivíduo”, finaliza.

Exemplos de cuidados paliativos

  • Psicoterapia.
  • Acompanhamento nutricional.
  • Fisioterapia.
  • Uso de medicamentos para aliviar a dor e incômodos variados.
  • Exercício da fé e da espiritualidade.
  • Atividades que estimulam a socialização, incluindo o apoio da família.

 

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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