Mutação da varíola dos macacos pode ser causa de surto atual

25 de maio, 2022

Desde o início de maio, a varíola dos macacos se tornou assunto de saúde pública em diversos países. A infecção, antes restrita a algumas regiões do continente africano, se espalhou para outras nações, sobretudo na Europa. Até o momento, são mais de 250 casos confirmados e suspeitos, e a forma de transmissão é o que mais intriga a comunidade científica. Afinal, há indícios de que humanos estão contaminando outros por meio da saliva, contato próximo e suor. Mas parece que há uma justificativa para a disseminação inédita: uma mutação da varíola dos macacos pode ser uma das responsáveis pelo novo surto.

É o que sugerem um grupo de pesquisadores portugueses, que analisaram o vírus de infectados e mapearam 50 mutações genéticas em comparação com o vírus “convencional” da África Ocidental. Tais divergências genéticas e sinais de microevolução são uma causa provável da facilidade da infecção entre humanos. Contudo, ainda é cedo para conclusões — as próximas semanas serão determinantes para entender o comportamento e a mutação da varíola dos macacos.

Veja também: Vacina da varíola dos macacos está em desenvolvimento pela Moderna

A mutação da varíola dos macacos é perigosa?

Ainda que faltem respostas para a mutação como o principal fio condutor da rápida transmissão, a doença costuma ter sintomas leves. De todos os casos detectados até agora, nenhum houve óbito. Porém, o vírus pode desencadear outras doenças, como broncopneumonia, sepse e encefalite, complicações capazes de levar à morte.

Dessa forma, países como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido já estão planejando a vacinação de alguns grupos de pessoas para frear a infecção. O imunizante será o da varíola humana, que apresenta boa proteção contra o vírus animal — segundo a OMS, a vacina tem até 85% de eficácia. A princípio, o Brasil não adotou nenhuma medida de segurança específica para adiar a chegada da varíola dos macacos — até então, o Ministério da Saúde está monitorando o avanço da enfermidade e a Anvisa reforçou as medidas de segurança adotadas para o coronavírus. Por exemplo, uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento social, especialmente em aeroroportos e aviões.

Referência: Virological.org.