Menopausa e osteoporose: Como a reposição hormonal pode ajudar

Saúde
14 de Março, 2022
Menopausa e osteoporose: Como a reposição hormonal pode ajudar

Se você já completou 45 anos, pode começar a perceber alguns sintomas da menopausa — como alterações no ciclo menstrual e os famosos “calorões”. Contudo, o que nem toda a mulher sabe é que, a partir do aparecimento da menopausa, também ficamos mais suscetíveis a desenvolver osteoporose, uma doença que atinge os ossos, mas pode ser prevenida.

Para entender melhor a relação, Cris Dias conversa com a ginecologista e obstetra Rebeca Gerhardt e com a educadora física Bruna Oneda neste nono episódio da segunda temporada do podcast De bem com você, da Vitat. Não perca:

Menopausa e osteoporose: Conheça as convidadas

menopausa e osteoporose

Bruna Oneda é profissional de educação física com especialização em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento. Ela possui doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente é professora na Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). Além disso, é criadora do perfil Menopausa Fit, página que fala sobre assuntos relacionados à condição.

Rebeca Gerhardt é médica ginecologista e obstetra com especialização em Ginecologia Endócrina e Climatério. Possui mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também em Ginecologia Endócrina e Climatério.

O que é a menopausa

Trata-se da etapa da vida de uma mulher na qual ela sai de sua fase reprodutiva e adquire uma característica não-reprodutiva (isto é, ela passa a não poder gerar filhos). Isso é acompanhado por mudanças hormonais significativas, que podem levar a alguns incômodos.

Os sintomas da condição variam muito de pessoa para pessoa. Mas os principais são:

  • Fogachos (ondas de calor);
  • Desequilíbrios emocionais;
  • Desânimo, fadiga ou cansaço;
  • Perda de libido;
  • Alterações no ciclo menstrual;
  • Dores musculares e articulares;
  • Insônia ou dificuldade para dormir.

Além disso, há um maior risco cardiovascular para elas nessa fase. “A mulher também sofre com algumas alterações metabólicas. Desse modo, ela pode ter os níveis de colesterol, triglicérides e até a pressão arterial aumentados. Sem contar que ela pode apresentar uma maior tendência a ganhar peso”, alerta a profissional de educação física.

Para a maioria, a menopausa tem início por volta dos 50 anos, e é considerada precoce quando começa antes dos 45. Mas ao contrário do que algumas pensam, essa idade não tem a ver com a menarca (ou seja, quando ocorreu a primeira menstruação). “O fator que possui um pouco de relação é a idade com a qual as parentes próximas entraram na menopausa (mãe e irmãs)”, explica a ginecologista.

E muitos foram os avanços conquistados pela ciência (e pela sociedade como um todo) com relação à questão. “Antigamente, a menopausa começava perto do momento do falecimento — porque vivia-se menos. Então, não víamos os efeitos da ausência de uma assistência profissional durante a menopausa, e nem tínhamos a preocupação com a prevenção dos sintomas”, diz Rebeca Gerhardt.

Mas e a osteoporose na menopausa?

Realmente, mulheres acima dos 40 anos (e não só aquelas que já entraram na menopausa) precisam ter cautela quanto ao risco de osteoporose. “Ossos saudáveis são rígidos, cheios de cálcio e outros minerais. Eles precisam ser resistentes, pois compõem a estrutura do nosso corpo, dando sustentação”, afirma Bruna Oneda.

Diariamente, adquirimos e perdemos minerais que preenchem essas estruturas. Até os 30, geralmente “ganhamos” mais massa óssea do que eliminamos. Contudo, conforme a idade avança, esse processo é invertido, e passamos a apresentar uma maior facilidade a ter ossos enfraquecidos.

“Isso acontece porque diminuímos um hormônio que auxilia a entrada dos minerais para dentro do osso. Então, se não cuidar, a mulher pode desenvolver a osteoporose”, finaliza a educadora física.

O que fazer para prevenir a osteoporose na menopausa

A dica primordial das duas especialistas é não esperar a menopausa dar as caras. Desse modo, é essencial adotar hábitos para prevenir os incômodos desde já, e isso inclui a prática regular de atividades físicas, uma dieta equilibrada (rica em alimentos fontes de cálcio) e a adoção de atividades que beneficiam a saúde mental.

“A gente recomenda exercícios aeróbicos [aqueles que melhoram a capacidade cardiorrespiratória]. Mas, principalmente, indicamos os de força — pode ser a musculação tradicional ou até um treino em casa”, diz Bruna Oneda.

O ideal, de acordo com a profissional, é que haja a progressão das cargas utilizadas nas sessões de resistência. Isso porque só o peso corporal geralmente não é suficiente para que haja o desenvolvimento dos músculos e dos ossos. O acompanhamento de um personal, nesse caso, é indispensável.

Já a médica explica que o cardápio deve priorizar leite e seus derivados (se não houver nenhuma intolerância, é claro), além de vegetais verde-escuros (brócolis, espinafre e couve, por exemplo). Uma consulta com um nutricionista também é indicada.

Reposição hormonal: Tabus

As terapias de reposição hormonal entram em cena como grandes aliadas no alívio dos problemas. Contudo e infelizmente, elas seguem pouco utilizadas devido aos tabus que ainda existem.

Isso acontece sobretudo por conta de estudos publicados na década de 90 a respeito dos tratamentos hormonais em mulheres na menopausa — o mais conhecido é chamado de WHI (Women’s Health Initiative). Eles tinham como objetivo criar estratégias válidas para a prevenção de doenças cardíacas, câncer de mama e colorretal e fraturas por osteoporose nesse grupo específico.

Entretanto, as pesquisas apresentavam inconsistências que passaram despercebidas na época. Os cientistas usaram, por exemplo, mulheres que já estavam na menopausa, e a reposição hormonal foi feita sem considerar possíveis comorbidades. Além disso, vale destacar que as terapias disponíveis há 20 anos usavam hormônios diferentes dos utilizados atualmente.

Como resultado, muitas voluntárias sofreram infartos, AVC (acidente vascular cerebral) e até câncer. Então, a partir disso, disseminou-se uma imagem muito negativa do tratamento. “A comunidade médica ficou achando que a terapia hormonal poderia expor mulheres a eventuais riscos cardiovasculares e cancerígenos”, explica a ginecologista e obstetra.

Reposição hormonal atualmente

Contudo, hoje a história é outra. Aconteceram diversos avanços significativos desde então (como a formulação de novas moléculas de hormônios e a individualização da prescrição) que tornaram a técnica bem mais segura.

Rebeca Gerhardt explica que, hoje, ela é indicada nos primeiros dez anos após a menopausa (ou antes dos 60) — a denominada “janela de oportunidade”. “Isso porque a gente sabe que, nessa idade, ainda não há placas significativas de gordura instaladas nas atérias”, diz.

Além disso, a prática regular de atividades físicas e o controle de fatores como sobrepeso, colesterol e triglicérides podem ser outros pré-requisitos para o tratamento. Confira os principais hormônios utilizados na terapia de reposição hormonal, segundo a especialista:

Estradiol

Usado para repor o estrogênio, hormônio ovariano feminino responsável por ajudar na remodelação óssea e na prevenção da osteoporose. Ele também contribui para a regulação da temperatura corporal (diminuindo, assim, os fogachos), para o controle mental e para evitar a demência.

Progesterona

O útero da mulher na menopausa é “programado” para receber cada vez menos estrogênio. Por isso, aquelas que recebem o estradiol geralmente também precisam de mais progesterona para proteger o órgão.

Derivados da testosterona

A testosterona começa a diminuir no organismo delas antes mesmo da menopausa. Desse modo, repor o hormônio pode trazer mais disposição e até aumentar o desejo sexual.

Sobre o De Bem Com Você

No podcast da Vitat, Cris Dias conduz conversas descomplicadas com especialistas e convidados para você descobrir como ficar de bem com você. A cada semana, um episódio novo será lançado. Confira os outros temas aqui!

E tem para todos os gostos: os bate-papos também ficarão disponíveis nas plataformas de áudio Spotify, Deezer, Google e Apple.

Menopausa e osteoporose. Referências:

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