Quando estamos lidando e convivendo com pessoas que tiveram câncer ou estão em tratamento, pode ser difícil encontrar as palavras certas. Embora as intenções de acolhimento e apoio sejam nobres, é comum errarmos nesse sentido.
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Para trazer o máximo de sensibilidade e empatia em conversas delicadas com pacientes oncológicos, reunimos algumas dicas de Vanessa Karam, psicóloga da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Confira.
Provavelmente você já viu ou até mesmo deve ter falado ou pensado que pessoas que já tiveram um câncer são vencedoras. No entanto, o termo “vencer” é equivocado, na avaliação da especialista.
“Dizer que alguém venceu significa que a pessoa foi responsável pelo êxito. Mas em uma doença como o câncer, o desejo de dar conta do tratamento não é o suficiente para a recuperação. Logo, ao utilizar a palavra ‘vencer’, entregamos o título de perdedor para aqueles que falecem em decorrência da doença — e aos sobreviventes, o peso da responsabilidade”, esclarece.
Em muitos casos, amigos, familiares e outros do círculo de alguém que está lidando com o câncer encaram a doença como uma guerra. Logo, o paciente é um “guerreiro” ou combatente. Por mais que a figura de linguagem queira transmitir força, o câncer não é guerra e o paciente não é um soldado. Afinal, a enfermidade já é desafiadora o bastante para ser comparada com um combate.
“Você tem que ser forte”, “tem que acreditar”, “está rezando pouco”, “perdoe, porque a doença vem de mágoas acumuladas”… Todas estas frases podem ser corriqueiras para os ouvidos de alguém que está com câncer. Em vez de encorajar a pessoa a ter fé, a abordagem compassiva é o melhor caminho. Por exemplo, ao descobrir que um ente querido recebeu o diagnóstico, que tal apoiá-lo com a sua presença?
“Ou seja, frases como ‘estou aqui para você’, ‘está precisando de algo?’, ‘como você está?’ permitem que a pessoa se sinta acolhida e livre para dizer o que está sentindo”, explica Vanessa.
Outra situação que pode frustrar um paciente com câncer é trazer histórias de outras pessoas que receberam alta do tratamento. Mesmo que o objetivo seja trazer inspiração para aquele indivíduo e amenizar o sofrimento, não há como fazer um comparativo nesse caso.
Cada jornada para a cura do câncer é única, e generalizá-la pode estressar ainda mais a pessoa, que já está fragilizada com o diagnóstico.
A frase “atitudes valem mais do que palavras” nunca serviu tão bem para o contexto. Para quem está acompanhando, seja de perto ou longe, mostrar disponibilidade, estudar sobre os sintomas e ouvir mais do que falar são atos que fortalecem o paciente.
De acordo com a psicóloga da BP, é importante respeitar a vontade de quem está atravessando o adoecimento. Ou seja, ficar à disposição e entender se o paciente não quiser falar sobre o assunto. Isso porque quando se fala muito sobre o câncer, pode dar a sensação de que o indivíduo foi reduzido ao diagnóstico. Logo, dar espaço para se expressar traz mais leveza à rotina.
Em contrapartida, os apoiadores também precisam cuidar das emoções. “A família sente os abalos psíquicos por tantas mudanças e ameaças. Logo, a busca pela psicoterapia é útil para a saúde mental e, dessa forma, ganhar mais força para auxiliar o paciente”, sugere.