Recentemente, o país presenciou um acontecimento triste e chocante: a morte de Lucas Santos, de apenas 16 anos. O filho da cantora de forró Walkyria Santos cometeu suicício após publicar um vídeo no TikTok e receber diversos ataques homofóbicos. A repercussão do caso trouxe à tona um assunto que vem sendo cada vez mais falado: o impacto da internet na saúde mental de crianças e adolescentes.
De acordo com a mãe de Lucas, a internet foi a responsável pela morte do filho. “Como vocês sabem, ele postou um vídeo pensando que as pessoas achariam engraçado. As pessoas destilaram ódio na internet, deixando comentários maldosos”, diz em um vídeo publicado no Instagram. “Foram os comentários desse TikTok nojento na internet que fizeram ele chegar a este ponto”, desabafou.
Nos dias de hoje, as redes sociais têm contribuído para alavancar negócios, estudar, fazer novas amizades, perder a timidez, entre outros. No entanto, o lado negativo da internet também existe, e vem afetando — principalmente — a saúde mental de crianças e adolescentes.
“Os riscos podem estar relacionados ao tempo que os adolescentes passam nas redes sociais”, diz Rosangela Sampaio, psicóloga e apresentadora do programa Mulheres Em Flow.
De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center com quase 750 jovens de 13 a 17 anos, 45% estão online constantemente e 97% usam ao menos uma plataforma de mídia social. Como YouTube, Facebook, Instagram ou Snapchat.
Outra pesquisa, feita em 2019 com mais de 6.500 jovens de 12 a 15 anos, mostrou que aqueles que gastam mais de três horas por dia navegando na internet podem estar sob risco elevado de problemas de saúde mental.
Durante a pandemia, o aumento do tempo das crianças e dos adolescentes na internet foi muito significativo. Afinal, pelo fato de estarem em casa, eles ficam “entediados” e buscam utilizar as mídias sociais como forma de distração.
Mas a exposição pode trazer várias consequências. “Devido à natureza impulsiva, os adolescentes correm o risco de compartilhar fotos íntimas ou histórias altamente pessoais. Isso pode resultar em adolescentes sendo intimidados, assediados ou mesmo chantageados”, explica Rosângela. “Os adolescentes geralmente criam postagens sem considerar as consequências ou sem se preocupar com a privacidade”, afirma.
Além disso, qualquer rede social pública abre caminhos para comentários ofensivos, contribuindo para o cyberbullying.
Receber ataques de pessoas desconhecidas nas redes sociais é algo extremamente difícil. “Muitos adolescentes ficam incomodados com as críticas, porque logo pensam em alguma característica negativa própria. Desse modo, não se sentem confortáveis quando alguém avalia o que fizeram ou expressaram”, ressalta a psicóloga.
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Por isso, veja algumas dicas da especialista que podem ser essenciais para combater os ataques:
É fundamental que os pais monitorem as atividades dos filhos nas mídias sociais. Além disso, também devem ficar de olho nas amizades, saídas e idas à escola.
Sem dúvidas, ter o apoio dos pais ou responsáveis é imprescindível. Pois muitas vezes a criança ou o adolescente não sabe expressar seus sentimentos, guardando tudo para si.
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“Ao dizer ‘Você não deveria fazer isso’ para um adolescente, é provável que seu feedback seja recebido com um revirar de olhos. Isso porque quando as crianças se transformam em adolescentes, elas acham que não precisam de ajuda dos adultos, especialmente de seus pais”, explica Rosangela.
“Procure compartilhar feedbacks construtivos com definições de limites, ou seja, aponte o que o seu filho fez bem e o que ele poderia fazer melhor da próxima vez. Estabelecer uma relação de parceria, respeito e confiança com seu filho vai facilitar passar por essa fase tão desafiadora, que é a adolescência”, finaliza.
De fato, as crianças e os adolescentes não devem passar por isso sozinhos. Portanto, abaixo estão algumas dicas de como ajudar o seu filho a navegar na internet de forma saudável:
Fonte: Rosangela Sampaio, psicóloga e apresentadora do programa Mulheres Em Flow.