Fevereiro laranja: mês de combate à leucemia

28 de janeiro, 2022

Fevereiro é o mês do ano dedicado à campanha Fevereiro Laranja, que tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea. Atualmente, a doença ocupa a nona posição nos tipos de câncer mais comuns em homens e a 11ª em mulheres. Dados do Instituto Nacional de Câncer (InCA) apontam que, anualmente, até 2022, serão diagnosticados no Brasil mais de 10 mil casos novos de leucemia, sendo 5.920 em homens e 4.890 em mulheres.

A campanha busca alertar sobre possíveis sintomas da doença, além de orientações sobre tratamento e prevenção, conscientizando sobre a necessidade de exames e, principalmente, sobre a importância da doação de medula óssea. Confira mais detalhes sobre a Leucemia.

Leia mais: Fevereiro Roxo conscientiza sobre Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer

O que é a leucemia?

A leucemia é um câncer do sangue e da medula óssea. A doença surge após crescimento rápido e descontrolado de células anormais (leucêmicas), que começam a ocupar o espaço dentro da medula óssea, as quais então se espalham na corrente sanguínea.

As células leucêmicas normalmente são imaturas e não exercem adequadamente sua função na corrente sanguínea. Além disso, as demais células (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) têm cada vez menos espaço e suporte para continuar a crescer e se multiplicar dentro da medula óssea.

Quais são as causas e fatores de risco?

A leucemia ocorre quando o DNA de uma única célula na medula óssea sofre uma mutação e não pode se desenvolver ou funcionar normalmente. Todas as células que surgem dessa célula mutada inicial também têm o DNA mutado. 

Porém, ainda não se sabe exatamente o que causa esse primeiro dano celular. Alguns fatores de risco são sabidamente conhecidos, porém sabe-se que esses não são, de forma alguma, determinantes para o desenvolvimento da leucemia. 

Dessa forma, os principais fatores de risco são: exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia; desordens genéticas como Neurofibromatose ou Síndrome de Down; além de exposição ocupacional a substâncias tóxicas, como o benzeno, por exemplo.

Fevereiro Laranja: Quais são os sintomas da leucemia?

Os sintomas da leucemia são inespecíficos e podem ser bastante variados. Dessa forma, geralmente, estão relacionados à queda dos níveis hematimétricos, ou seja, à hipoprodução de células sanguíneas. 

Sendo assim, podem surgir sintomas relacionados à anemia, como fraqueza, cansaço e sonolência, por exemplo. Além disso, pessoas com leucemia têm maior chance de terem infecções ou trombocitopenia (plaquetas baixas), o que inclui sangramentos e hematomas espontâneos.

Outros sintomas podem estar relacionados ao aumento do volume do baço, como distensão abdominal ou mesmo ao aumento dos leucócitos, que causam turvação visual e dores de cabeça constantes.

Como é feito o diagnóstico? E o tratamento?

É realizada uma ampla análise através de exames laboratoriais e exame físico. Além disso, pode ser necessário realização de uma biópsia ou aspirado de medula óssea.Tal avaliação deve, necessariamente, ser realizada por um especialista na área.

A terapia difere completamente entre os tipos de leucemia, assim, dependem de uma avaliação completa do paciente. Atualmente, existem diversos tipos de tratamento, dentre as modalidades: quimioterapia, imunoterapia e até, inibidores específicos, cuja administração ocorre por via oral e acompanhamento ambulatorial. O transplante de medula óssea pode ser necessário em alguns casos.

Leia mais: Doação de órgãos: Mitos e verdades sobre o assunto

Fevereiro Laranja: Leucemia tem cura?

Existem diversos tipos de leucemia e, em consequência disso, o prognóstico e tratamento são diversos. Atualmente, com as opções terapêuticas disponíveis, sabe-se que a sobrevida de pacientes portadores de leucemia mieloide crônica se assemelha à população em geral, por exemplo.

Dessa forma, pode-se afirmar que pessoas diagnosticadas com leucemia podem ter uma vida normal. Esse é, inclusive, o objetivo do tratamento. As orientações quanto à necessidade de restrições específicas se dão de acordo com o tipo de leucemia e terapia proposta.

É uma doença que pode ser prevenida? Se sim, como?

Nos casos de leucemia, o mais importante é o diagnóstico precoce, que é reforçado durante a campanha Fevereiro Laranja. Quanto mais cedo diagnosticar e tratar a doença, maior é a chance de evitar complicações. A realização de hemograma de rotina é uma boa estratégia nesse quesito, sobretudo em pacientes com fatores de risco, como aqueles submetidos à quimioterapia ou radioterapia previamente. Além disso, fatores como exposição ocupacional a substâncias tóxicas como benzeno podem ser prevenidas com o devido uso de EPIs (equipamentos de proteção individual).

Leia mais: Tratamento com crioterapia diminui queda de cabelo causada pela quimioterapia

Fonte: Dra. Marina Barcelos, médica especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). É médica do grupo Oncoclínicas em Niterói e membro do Grupo de Hematologia e Transplante de Niterói (GHTN).

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde