Falar pode mudar tudo

Saúde
05 de Dezembro, 2022
Falar pode mudar tudo

Transtornos mentais como ansiedade, depressão, bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, estresse pós-traumático e outros são comuns na realidade mundial dos dias de hoje. Contudo, será que nós sabemos mesmo como lidar com esse assunto? Conviver com quem tem transtorno mental pode ser desafiador, mas com informação, escuta e diálogo, é possível evitar o preconceito. Por isso, conheça algumas atitudes que podem mudar de forma significativa a sua relação com essa questão. Por exemplo, falar pode mudar tudo. Veja outras atitudes:

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Falar pode mudar tudo. Informar também

A melhor arma contra o preconceito aos transtornos metais é a informação, ou seja, é importante divulgar conhecimento sobre o tema e falar mais sobre o assunto. Assim, quem tem algum transtorno sabe que está incluído. Nesse sentido, o fato de artistas e celebridades tornarem públicos os seus transtornos contribui para a redução do preconceito. Dr. José Paulo Fiks, professor afiliado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Serviço de Atendimento e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático (PROVE), “eles mostram que têm um problema, se tratam, mas a vida continua”, diz o psiquiatra.

É hora de brincar?

A princípio, brincadeiras podem até ajudar a quebrar algum gelo e não são necessariamente sinal de preconceito, em si. Mas brincar é um gesto arriscado, que depende de um contexto que favoreça. Além disso, quando se fala de um assunto do qual se sabe muito pouco e rodeado de estigma, a chance de errar é grande. Por isso, é importante prestar muito atenção se a brincadeira é bem-vinda.

“É preciso ter o ‘semancol’ e perceber quando uma brincadeira está sendo adequada ou não. É questão de se desenvolver uma noção de empatia com o outro e ao mesmo tempo de compaixão”, explica a Dra. Alexandrina M. A. Silva Meleiro, doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Falar pode mudar tudo, mas é importante escutar

Mesmo tendo algum conhecimento, é importante abrir o espaço para que a pessoa que tem o transtorno mental fale. Dessa forma, antes de dar uma solução ou um conselho, pergunte e escute. “Quanto mais você se interessar, perguntar e escutar, mais eles vão se sentir acolhidos e fortalecidos para falar quando estão mal”, afirmou o Dr. Fiks. “Muitas vezes, o que mais ajuda é dedicar à pessoa bons ouvidos. Ouvir com atenção, sem julgar”, diz o psiquiatra Dr. Neury J. Botega, professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pergunte

Falar muda tudo. Por isso, antes de sugerir uma solução que funcionaria para você, pergunte. “Você acha que tem alguma coisa que poderia te ajudar a conseguir sair de casa? Tem alguma coisa que poderia te aliviar neste momento?”, exemplifica a psiquiatra Dra. Maria Antônia.

Convide

Além disso, também vale convidar. Mas um convite de verdade, que aceita o “não” como resposta, não aquele convite que disfarça uma demanda. “Uma coisa é chamar: ‘quer fazer uma caminhada comigo? Acha que pode te ajudar?’, outra é a cobrança: ‘vai ficar aí o dia inteiro? Não vai nem sair para dar uma volta?’”, explica a Dra.

Falar pode mudar tudo. Por isso, dialogue

Por fim, é preciso atenção para saber a hora de conversar. Apontar um problema na hora de uma briga não é o melhor momento, “porque a pessoa vai se defender. Mais vale encontrar um outro momento, fora da tensão, e falar ‘notei que você estava mais irritado, você não estava assim antes, será que está tudo bem?’, de um jeito que mostre uma preocupação genuína”, diz Dra. Maria Antônia.

Fontes:

  • Dr. José Paulo Fiks, professor afiliado pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Serviço de Atendimento e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático (PROVE).
  • Dra. Alexandrina M. A. Silva Meleiro, doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
  • Neury J. Botega, psiquiatra e professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
  • Dra. Maria Antônia, psiquiatra.

Referências: Vida Plena – Libbs.

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