Exames que previnem o câncer de ovário: veja os principais

Saúde
27 de Junho, 2024
Exames que previnem o câncer de ovário: veja os principais

Todo câncer é genético, isto é, ocorre por transformações no DNA ao longo da vida que favorecem o surgimento da doença. Porém, em 5% a 10% dos casos, esta alteração genética é herdada ao nascimento. Esse percentual atribuído a hereditariedade vale para quase todos os cânceres que acometem a maioria dos órgãos humanos. Dentre as exceções, está o câncer de ovário. Neste caso, a hereditariedade atinge 25% dos casos. Isso significa que uma em cada quatro mulheres são diagnosticadas com câncer de ovário. Na ausência de um exame de rastreamento, a atenção ao histórico familiar é uma importante medida para se reduzir as taxas de diagnóstico tardio e, consequentemente, de mortalidade por tumores ovarianos. Veja, agora, quais são os principais exames que previnem o câncer de ovário.

Leia mais: Câncer de ovário: o que é, sintomas e como tratar

Quais são as causas para o surgimento?

Embora a hereditariedade seja um fator de risco, existem outros que podem aumentar o risco da doença.  Similarmente ao que ocorre com a maioria dos casos de câncer de mama, os tumores malignos de ovário surgem, em cerca de 80% dos casos, por influência direta dos hormônios. Infertilidade e questões associadas com maior frequência de ciclos menstruais mensais como menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade (nunca ter tido filhos), dentre outras, assim como obesidade e tabagismo, são os principais fatores de risco.

Dentre os efeitos protetores estão o controle do peso, alimentação equilibrada e prática de atividade física, assim como o uso de contraceptivos por pelo menos cinco anos. Ter filhos, assim como a amamentação, também colabora na diminuição do risco de desenvolver algum tumor nos ovários.

Sintomas de câncer de ovário

Embora inespecíficos (podendo ser confundidos com outras doenças) e silenciosos na maioria dos casos, há sintomas que são importantes sinais de alerta de câncer de ovário.

  • Inchaço frequente;
  • Dor abdominal e pélvica;
  • Cólicas;
  • Pressão pélvica;
  • Falta de apetite;
  • Aumento da necessidade de urinar;
  • Indigestão;
  • Náusea;
  • Dor nas costas;
  • Constipação;
  • Fadiga;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Alterações no ciclo menstrual, como sangramento após a menopausa.

Esses sintomas ocorrem frequentemente em um grande número de mulheres com a doença. No entanto, é possível que sejam causados por outra condição. Para isso, é importante a avaliação com o ginecologista.

Como tratar o câncer de ovário?

A indicação do tratamento depende se o câncer está apenas no ovário ou se espalhou para tecidos próximos ou para outras partes do abdômen ou do corpo. A cirurgia e a quimioterapia – os tratamentos mais comuns para o câncer de ovário – podem ser eficazes mesmo depois que a doença se espalhou.

Recentemente, surgiram novas opções de tratamento, como terapias direcionadas ou biológicas. Por vezes, a cirurgia não é possível. Mas, em alguns casos, podem ser suficiente e segura. Por exemplo, quando a doença fica limitada ao ovário com bom prognóstico em doentes jovens. Nesse sentido, o tipo de tumor também pode determinar o tratamento.

Em casos de câncer de ovário avançado, a indicação mais comum é de histerectomia. Isto é, a remoção cirúrgica do útero e do colo do útero e a remoção de outro tumor que possa ter se espalhado para fora do ovário. Após a remoção, a mulher não pode mais engravidar.

Além dos exames que previnem o câncer, surgem novos tratamentos

Ao longo dos anos, mesmo para o câncer de ovário, medicamentos-alvo, como antiangiogênicos e inibidores de PARP (enzima que desempenha um papel na reparação do DNA danificado nas células), tornaram-se disponíveis. Estes últimos, especialmente para pacientes com mutações no gene BRCA (que codificam proteínas importantes para a reparação do DNA), têm se mostrado muito eficazes como terapias de manutenção ao final da quimioterapia.

Exames que previnem o câncer

Como dito, até o momento, não existem exames confiáveis para diagnosticar o câncer de ovário em seus estágios iniciais, antes do início dos sintomas da paciente. Mas exames de rotina e consulta regular com ginecologista podem ajudar a detectar o câncer. Entre os exames, estão os seguintes:

Ultrassom: uma pequena sonda pode ser inserida na vagina ou acima do abdômen, dando assim a possibilidade de ver perfeitamente se existe algum tipo de anomalia.

Tomografia computadorizada: esse tipo de raio-x capta imagens dos ovários e revela com mais precisão se há alguma anormalidade nessa área.

Laparoscopia: é inserido um tubo fino, quase como uma câmera, onde o médico consegue medir o tamanho do possível tumor.

Exames de sangue: além dos exames anteriores, é imprescindível fazer um exame de sangue. Estes testes permitem-nos saber se existem anomalias. Neste tipo de câncer é muito provável que as proteínas subam demais. Por isso também é importante que você faça um check-up frequente, pelo menos um exame de sangue por ano.

A importância dos exames que previnem o câncer

A detecção precoce e o tratamento imediato são importantes, portanto, fazer exames de saúde regulares e conhecer os sintomas são boas maneiras de se proteger. Infelizmente, não há um bom teste de triagem para câncer de ovário, especialmente para aqueles sem fatores de alto risco.

Dar visibilidade a esse câncer e informar sobre seus sintomas e abordagem para que a população em geral conheça e possa obter diagnósticos precoces é, hoje, a melhor prevenção. Por isso, é importante não esquecer de avisar o ginecologista se houve algum tipo de câncer ginecológico ou de mama em sua família, levar um estilo de vida e alimentação saudáveis, controlar o estresse no dia a dia, manter-se ativo e evitar a obesidade.

Fonte: Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

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