Entenda por que toda mulher precisa fazer exame de glicose na gravidez

Toda mulher deve fazer um exame de glicose na gravidez. Mas você sabe o porquê? Como parte do pré-natal, esse exame é essencial para diagnosticar o diabetes gestacional, uma doença que, se não tratada, pode perdurar para depois da gravidez e afetar negativamente a mãe e o bebê.

Por que grávidas desenvolvem diabetes?

Segundo a Dra Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), por conta dos níveis de obesidade e sedentarismo que acometem o mundo hoje, vivemos um boom de casos de diabetes. E muitas mulheres que engravidam apresentam esse quadro de sobrepeso + inatividade física.

Soma-se a isso a produção típica da gravidez de hormônios hiperglicemiantes, gerando um estado de resistência à insulina durante a gestação. Isto é, é mais difícil para a insulina agir corretamente e cumprir a função de auxiliar na absorção de açúcares.

Ou seja: o resultado disso é um possível quadro de diabetes durante a gestação. E esse é o principal motivo para todas as mamães passarem por um exame de glicose ainda no pré-natal. E, também, fazerem um acompanhamento da glicemia durante toda a gravidez.

“No primeiro trimestre da gravidez, caso a glicemia de jejum seja inferior a 126 e superior a 92 mg/dl, estabelecemos o diagnóstico de diabetes durante a gestação”, explica. Lembrando que, à parte da gestação, o diagnóstico acontece quando esses valores estão iguais ou maiores do que 126 mg/dl por dois exames seguidos ou um exame somado a outro de hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5.

De acordo com a médica, o ideal seria toda mulher fazer exames de glicemia antes de engravidar. Isso é importante para descartar a possibilidade de resistência prévia à insulina, que poderia levar ao surgimento do diabetes durante a gestação.

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A importância do exame de glicose na gravidez

Agora que entendemos a importância dos exames, vamos ao próximo passo: por que esse diagnóstico deve ser feito precocemente? Porque a condição pode trazer uma série de complicações para a vida do feto e da mãe.

Dentre as complicações estão a macrossomia (quando o bebê cresce muito e nasce com peso maior que 4kg), aumento do risco de mortalidade (tanto da mãe, quanto da criança), parto prematuro, placenta prévia, descolamento prévio da placenta, eclâmpsia e pré-eclâmpsia, além de complicações típicas da doença, como aumento dos riscos de trombose.

E não para por aí. “Por conta desse diagnóstico, o bebê aumenta a produção da própria insulina ainda na barriga da mãe, e tem uma tendência maior a ser obeso na idade adulta, ou já na infância, e diabético”, complementa a médica.

Caso os exames da mãe estejam, de fato, alterados, é hora do acompanhamento e da administração do quadro. Isso inclui ajustes na dieta (com menos carboidratos e mais proteínas) e recomendação de exercícios físicos adequados para o momento gestacional.

Se esses ajustes de estilo de vida não derem resultado, hora de entrar com medicações adequadas para ajudar a baixar os níveis glicêmicos e evitar as possíveis complicações conectadas com o quadro de diabetes.

Além disso, a mãe passa a fazer a monitorização da própria glicemia com a ajuda dos aparelhos adequados. Como o kit medidor de glicose ou o chamado FreeStyle Libre, e que ajudam na administração desses valores.

Fonte: Dra Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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