O nome pode parecer difícil, mas a escleroterapia é um tratamento considerado simples e indicado para tratar vasos e varizes com finalidade estética e/ou terapêutica. Dessa forma, auxilia no alívio dos sintomas relacionados, como dor, cansaço, inchaço e coceira nas pernas. E o melhor: sem a necessidade de realizar cirurgias ou métodos mais agressivos, ou seja, é minimamente invasivo. Por essa razão, é uma técnica muito vantajosa, afinal o paciente não se afasta da sua rotina, da família ou trabalho. Entenda.
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Durante o procedimento, o médico aplica no paciente substâncias, como espuma ou glicose, ou laser diretamente nos vasos. Esses materiais ajudam o próprio corpo a devolver a normalidade às pernas, porque são capazes de redirecionar a circulação sanguínea, eliminando vasinhos e varizes e, consequentemente, evitam dores incômodas e melhoram o aspecto estético das pernas.
Conversamos com a Dra. Evelyn Boliani, cirurgiã vascular e endovascular, e ela nos explicou que os profissionais aptos a realizar a escleroterapia são o dermatologista e o angiologista/médico vascular. Isso porque, apesar de ser minimamente invasivo, o procedimento envolve o sistema vascular do paciente.
O tratamento é classificado de acordo com o material usado para promover a eliminação das varizes. Os principais tipos de escleroterapia são:
“A indicação da melhor técnica para cada tipo de vaso é sempre do médico especialista. Assim, para a tomada de decisão, ele vai considerar o calibre do vaso, a localização, a cor da pele do paciente, dentre outros fatores técnicos”, explica a Dra. Evelyn.
A técnica ficou consagrada como aplicação de glicose 75% na forma líquida. Posteriormente, surgiu o polidocanol em diferentes concentrações (0,25..0,5..1,0..2,0 e 3,0%), que também pode ser utilizado na forma líquida, mas mais conhecido sob a forma de espuma. Tanto a glicose quanto o polidocanol geram inflamação do vaso que culminará no seu fechamento e, consequentemente, no seu desaparecimento.
Segundo a cirurgiã vascular, a escleroterapia ocorre em duas etapas, a funcional e a estética. “Mesmo que o paciente tenha apenas queixas estéticas, deve-se realizar exame físico detalhado com uso de aparelhos que identificam veias profundas, muitas vezes nutridoras dos pequenos vasos que geram o incômodo estético.”
A especialista ainda ressalta que antes de iniciar o tratamento, todos os pacientes devem realizar o exame de ultrassom venoso com doppler para mapear essas possíveis veias profundas que possam vir a dificultar ou mesmo impedir o bom resultado do tratamento.
“Se identificadas veias nutridoras e responsáveis pelos sintomas, elas serão tratadas primeiramente por cirurgia ou aplicação de espuma. Em segundo lugar, partimos para o refinamento estético com laser transdérmico e/ou aplicação de glicose, quando houver desejo do paciente.”
No caso de indivíduos com feridas secundárias à presença de varizes, indica-se a escleroterapia com espuma para acelerar a cicatrização das lesões.
Além disso, gestantes, mulheres amamentando, pacientes com câncer ativo e com histórico de alergia aos componentes não devem realizar escleroterapia.
De acordo com a Dra. Evelyn Boliani, não há necessidade de preparo para a escleroterapia. No entanto, uma pele bem hidratada responde melhor ao procedimento, com menor formação de hematomas.
A escleroterapia, qualquer que seja a modalidade citada acima, é um procedimento simples, realizado em consultório, pouco doloroso e geralmente bem tolerado. Apesar de não requer anestesia, algumas técnicas podem ser utilizadas para reduzir a sensibilidade dolorosa. Por exemplo: inalação de óxido nitroso, aromaterapia, musicoterapia, cromoterapia e resfriamento da pele no local a ser tratado.
“Após a aplicação são deixados curativos por períodos variados, e após a retirada dos curativos utilizamos cremes e pomadas para a recuperação da pele e eliminação dos hematomas. Em geral, pedimos para evitar o sol enquanto persistirem os hematomas”, descreve a Dra. Evelyn.
A especialista comenta que os resultados se somam a cada sessão, afinal, a escleroterapia é um tratamento. “Eu diria que quase nunca é possível ter resolução completa com apenas uma sessão”.
A Dra. Evelyn esclarece que, quando realizada com a técnica adequada, respeitando as doses e as concentrações recomendadas, bem como as contraindicações, não há efeitos colaterais e a recuperação é bem tranquila. “Nos casos em que são tratadas varizes calibrosas com espuma, em geral, recomendamos o uso de meias de compressão graduada durante o dia, por períodos variados.”
As indicações são:
Além disso, não há necessidade de repouso, podendo o paciente retornar imediatamente para suas atividades do dia a dia.
A médica vascular esclarece que o tempo para desaparecimento do vaso depende do seu calibre. “Quanto mais calibroso, mais vezes ele deve ser exposto à inflamação gerada pela escleroterapia. No entanto, a cada sessão é possível notar os vasos mais finos e mais claros.”
Uma vez finalizado o tratamento, a Dra. Evelyn diz que a recomendação é “uma nova visita ao angiologista/cirurgião vascular em 6 a 12 meses para revisão e manutenção”. Pois, a insuficiência venosa crônica, que representa a doença responsável pela formação de vasos e varizes, não tem cura e sim controle.
“Outro alerta importante: sempre realize a escleroterapia com profissional habilitado e autorizado à prática do procedimento, sob risco de sérias complicações à sua saúde, por vezes irreversíveis”, aconselha Dra. Evelyn. E não se esqueça: Se você sentir dor, cansaço, inchaço nas pernas, especialmente ao final do dia, e tem notado o aparecimento de veias dilatadas e/ou manchas acastanhadas, procure um angiologista/cirurgião vascular para avaliação e tratamento.
A princípio, adotar hábitos saudáveis pode ajudar no controle do aparecimento de novos vasos e varizes. Dessa forma, segundo a cirurgião vascular Anna Sarpe, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), os principais cuidados preventivos são:
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Fonte: Dra. Evelyn Boliani, Cirurgia Vascular, Endovascular e Radiologia Vascular Intervencionista. CRM: 145.266 e RQE: 69.912
Residência Médica em Cirurgia Vascular no Hospital Ipiranga (SP) e Especialização em Radiologia Vascular Intervencionista e Cirurgia Endovascular pelo Hospital das Clínicas – HCFMUSP.
Referências: