Esclerodermia: o que é, sintomas, tratamentos e causas

25 de março, 2022

Quando a pele fica mais rígida e espessa, pode até não parecer um problema à primeira vista, mas é preciso ter cautela: possivelmente se trata de um conjunto de doenças e reações do organismo, que leva o nome de esclerodermia.

Essa condição reumatológica, mais comum em mulheres, é conhecida por causar um enrijecimento crônico da pele e dos tecidos conjuntivos que dão a estrutura e a sustentação aos órgãos e sistemas do corpo humano. Além disso, também costuma deixar a pele das áreas mais escura.

Atualmente, existem duas formas principais de apresentação dessa doença: a localizada e a sistêmica. Assim, na primeira forma, o envolvimento acontece apenas na pele. Já o segundo tipo, também chamado de esclerose sistêmica, afeta, além da pele, outros órgãos como o esôfago, os pulmões e os rins.

Causas

Até hoje, não se sabe as causas exatas dessa doença, apenas que ela compromete os pequenos vasos sanguíneos e a formação de anticorpos, colocando-os contra estruturas do próprio corpo (os chamados auto-anticorpos).

Além disso, a esclerodermia não pode ser considerada contagiosa, muito menos hereditária – mas estudos mostram que é possível encontrar casos em pessoas da mesma família.

Sintomas de esclerodermia

Os sintomas da doença vão depender do tipo (sistêmica ou localizada), mas um ponto de atenção, essencial para o diagnóstico, é o chamado fenômeno de Raynaud: quando acontecem alterações de temperaturas nas mãos e pés. Além disso, essas regiões costumam ficar muito frias, os dedos incham, ficam pálidos e arroxeados. Quando a circulação volta ao normal, os dedos ficam bastante vermelhos antes de retomar à cor usual.

Fora isso, são sintomas da esclerodermia:

  • Dor e rigidez das articulações
  • Diminuição da abertura da boca
  • Dificuldade para engolir alimentos sólidos
  • Mudança na cor da ponta dos dedos (começa esbranquiçado, passa para um tom azulado/roxo, e termina avermelhado). Tal condição leva o nome de Fenômeno de Raynaud, sendo mais propensa em ambientes frios
  • Dificuldade para respirar
  • Feridas nas pontas dos dedos
  • Surgimento de nódulos enrijecidos, vermelhos ou brancos, nas mãos e nos cotovelos

Geralmente, esses sintomas são mais perceptíveis entre as mulheres na faixa etária de 30 a 50 anos de idade, que são o grupo mais propenso a relatar a doença.

Tipos de esclerodermia

A condição é, geralmente, dividida em dois tipos:

Esclerodermia localizada: mais comum em crianças. As lesões surgem em pequenas áreas da pele, poupando os órgãos internos, e raramente evolui para o tipo sistêmico.
Esclerodermia sistêmica: muito mais comum nas mulheres do que nos homens, costuma aparecer a partir dos 40 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Geralmente, afeta não só a pele, mas pulmões, rins, esôfago, vasos sanguíneos e articulações.

Diagnóstico de esclerodermia

A análise para detectar a esclerodermia é difícil e pode levar meses (ou até anos!) para ser estabelecida. Mas, o que se sabe é que apresentar o Fenômeno de Raynaud costuma ser uma valiosa dica porque, em alguns casos, ele pode aparecer de forma isolada, até mesmo anos antes dos outros sintomas surgirem. 

Além disso, marcadores de exames de sangue, como a dosagem de anticorpos autossuficientes podem auxiliar bastante. Outros testes, comumente pedidos, incluem a radiografia ou tomografia da região torácica, exames para medir a função pulmonar e uma eventual biópsia de pele.

Leia também: Afinal, o que é reumatismo?

Tratamento e prevenção

Essa é uma doença que não tem cura, mas com tratamento é possível controlá-la. Por isso, para evitar complicações, principalmente, na sua versão sistêmica, que acomete os órgãos internos, além da pele, é essencial buscar ajuda médica especializada.

Para tratar a esclerodermia pode ser necessário o uso de medicamentos tópicos ou sistêmicos, de acordo com cada caso. Os principais incluem os corticoides e imunossupressores, como o metotrexate. No caso de pacientes com o Fenômeno de Raynaud, é necessário proteger as extremidades do corpo para não passar frio. 

Por fim, é importante lembrar que não existem formas conhecidas de prevenção da esclerodermia. O ideal é prevenir complicações da doença, fazendo o diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.

Fonte: Natasha Crepaldi, dermatologista formada em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com pós-graduação em Dermatologia pelo ISMD em Niterói (RJ) e em Medicina Estética pelo International Association of Aesthetic Medicine IAAM/ASIME.

Referência: Sociedade Brasileira de Reumatologia

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