Endometriose umbilical: condição pode causar infertilidade

Gravidez e maternidade Saúde
30 de Março, 2022
Endometriose umbilical: condição pode causar infertilidade

A endometriose possui diversos tipos e muitas mulheres sequer imaginam que ela pode afetar outras partes do corpo. Uma delas é a endometriose umbilical, que se manifesta na cicatriz do umbigo e é bastante incômoda. Embora seja rara – estima-se que 4% da população feminina brasileira tenha a enfermidade – exige acompanhamento médico e intervenção cirúrgica.

Veja também: Endometriose: o que é, sintomas e causas

O que é e quais são as causas da endometriose umbilical?

A endometriose umbilical, assim como as outras variações dessa condição, consiste na presença de células do endométrio fora do útero. O endométrio é um tecido que faz parte da natureza do útero e reveste o interior do órgão. Sua principal função é trazer mais proteção ao bebê, que se desenvolve junto com a dilatação do útero ao longo da gestação. No entanto, quando a mulher não engravida, o tecido que cresceu durante o ciclo menstrual é expelido pela menstruação. Logo, a endometriose no umbigo apresenta o desenvolvimento dessas camadas em forma de nódulo, que possui cor avermelhada, arroxeada ou de mesmo tom da pele.

Mas afinal, quais são os motivos que levam ao surgimento da doença? Geralmente, quem desenvolve esse tipo de problema possui histórico de endometriose profunda (tipo que afeta outros órgãos da cavidade abdominal como bexiga e intestinos), mas as causas precisam ser investigadas pelo médico ginecologista.

Sintomas e riscos

Além do nódulo umbilical de aspecto rígido, a mulher sente a região dolorida e, em alguns casos, experimenta o desconforto de sangramentos e secreções expelidas pelo nódulo. Principalmente durante a menstruação, o que atrapalha ainda mais a qualidade de vida e autoestima da mulher. Portanto, ao notar o crescimento de um carocinho sensível ao toque na região do umbigo, é importante buscar auxílio médico para avaliar a origem do problema e descobrir se, de fato, é endometriose umbilical ou não.

Se não for devidamente tratada, pode causar infertilidade e dificultar as tentativas de engravidar, sobretudo se a mulher tiver endometriose nas trompas e na pelve. Por outro lado, se o processo inflamatório estiver focado apenas no umbigo, não existem estudos que apresentem um risco à fertilidade.

Diagnóstico e tratamento da endometriose umbilical

Os exames de imagem são os mais solicitados para investigação médica. Se o nódulo no umbigo for aparente, o médico percebe que se trata de endometriose na região, e pede a realização de um ultrassom ou ressonância magnética só para checar a suspeita. Também pode ser feita uma biópsia, pois o nódulo pode ter a presença de células malignas, embora seja uma condição rara.

Fechado o diagnóstico, o tratamento pode ter duas vertentes: primeiro, é feita a terapia hormonal para reduzir o tamanho do nódulo, caso ele seja muito grande; e, em seguida, a retirada do nódulo. O procedimento cirúrgico é simples, mas exige experiência profissional para a remoção completa do foco da endometriose para evitar que o problema retorne depois de algum tempo. Além disso, normalmente é necessária a reconstrução umbilical logo após a remoção do caroço.

Outro procedimento que pode ser feito é a laparoscopia ginecológica para retirar a proliferação do endométrio em outros órgãos, caso a mulher apresente esse problema. É por isso que o médico precisa fazer uma investigação minuciosa da cavidade abdominal para identificar outros focos da doença, que costuma ser dolorosa e atrapalhar a vida da mulher.

Referências: Sociedade Brasileira de Dermatologia; National Library of Medicine; e Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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