Edema articular: o que é, causas e tratamentos

Um edema acontece quando há o aumento da quantidade de líquido intersticial em um tecido ou, então, no interior de uma cavidade como a articulação — esse caso recebe o nome de edema articular. Esse líquido é formado por uma solução aquosa de sais e proteínas do plasma sanguíneo.

Devemos lembrar que o edema, habitualmente, não é uma doença. Mas, sim, uma das manifestações de uma outra doença.

O edema pode ser generalizado, isto é, quando ocorre por todo o corpo; ou localizado, quando se limita a uma região, podendo ocorrer em qualquer parte do nosso organismo (sendo mais comum nas pernas e nos pés). Pode ocorrer também em qualquer órgão do corpo — os pulmões, por exemplo.

Quando falamos do edema na articulação, podemos dividi-lo em dois tipos: o primeiro deles é o extra-articular, ou seja, nos tecidos que existem ao redor ou que compõe a articulação (como tendões, músculo e osso). Já o segundo é o intra-articular, conhecido como derrame articular, ou a famosa “água do joelho”.

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Causas do edema articular

A grande maioria dos casos de edema em uma articulação é gerada por um trauma ou uma inflamação, mas vale lembrar que temos diversas causas, entre elas, cardíacas, renais, vasculares e metabólicas.

O trauma geralmente é a causa mais importante e, dependendo de sua intensidade, pode provocar edema em qualquer estrutura da articulação, podendo estar associado a lesões mais graves e de longa duração, principalmente quando atinge tecidos mais profundos, como o dos osso.

O edema em decorrência do aumento da atividade inflamatória também tem várias causas. Entre elas, podemos citar as artrites, sendo as mais comuns a reumática e os processos degenerativos (como a artrose). Quando temos uma articulação com esse problema, observa-se uma perda da cartilagem que recobre o osso na articulação, gerando um intenso processo catabólico e inflamatório que normalmente leva ao derrame articular.

Sintomas

O principal sintoma do edema é o inchaço da região afetada. Porém, caso o inchaço seja muito grande, é possível notar outros sintomas, como pele mais brilhante e estirada. Como o edema articular, na maioria das vezes, faz parte de um processo inflamatório da articulação, ele geralmente apesenta os cinco sinais clássicos de inflamação: calor, vermelhidão, inchaço, dor e perda da função.

Também pode se manifestar como um sintoma isolado, sem qualquer dor, principalmente nos quadros degenerativos mais leves e nos quadros metabólicos, renais, cardíacos, vasculares e hepáticos.

Diagnóstico do edema articular

O diagnóstico do edema, na maioria dos casos, é fácil. Pode ser feito pela própria observação do aumento de volume da articulação, ou então, através da pressão dos dedos sobre a pele por pelo menos cinco segundos, sendo considerado edema se a depressão formada não se desfizer imediatamente. Vale lembrar que, em uma articulação, é muito importante descobrir se o edema é intra ou extra-articular. Isso irá auxiliar no diagnóstico da patologia de base.

Entre os exames que podemos avaliar e observar o edema estão: o raio-x simples, que é muito pouco específico e com pouca contribuição neste caso; a ultrassonografia, que se mostra um bom exame na detecção do edema de partes moles e intra-articulares (derrame); e a ressonância magnética, que é o melhor exame, pois pode mostrar o edema nos mais diversos tecidos, inclusive nos ossos, além de ser muito importante no auxílio do diagnóstico da causa do edema.

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Tratamento

O tratamento do edema deve ser de acordo com a condição que o causou. Habitualmente, temos diversas medidas para a melhora do edema/derrame da articulação, independentemente da patologia que está causando, entre elas:

  • Nos casos traumáticos, temos o protocolo do inglês PRICE (Proteção, Repouso, Gelo ou Ice, Compressão e Elevação do membro);
  • Compressa fria, principalmente na fase aguda da lesão, ou seja, nas primeiras 48 horas;
  • Compressa quente: poderá ser utilizada após 48 horas para aliviar a dor muscular;
  • Uso de anti-inflamatórios e analgésicos;
  • Fisioterapia;
  • Punção articular nos casos de derrame;
  • Por fim, em alguns casos, cirurgia.

Fonte: Fabiano Nunes Faria, ortopedista e traumatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.