DIU Kyleena: Saiba como funciona, quais as vantagens e indicações

Saúde
27 de Dezembro, 2021
DIU Kyleena: Saiba como funciona, quais as vantagens e indicações

Entre tantos métodos contraceptivos, o dispositivo intrauterino (DIU) é um dos mais usados pelas mulheres. Não só pelo conforto, já que não é preciso lembrar de tomar remédio todos os dias, como a pílula, por exemplo, mas também pelo baixo índice de falha. Atualmente, existe a opção não hormonal, que é o famoso DIU de cobre, e a hormonal (também conhecida como SIU), que libera baixas taxas de progesterona. E, neste caso, os nomes mais conhecidos do mercado são: DIU Mirena e Kyleena.

Ambos podem ser utilizados por 5 anos e interferem pouco no corpo. Mas o DIU Kyleena, que chegou recentemente ao Brasil, virou o queridinho do momento. Conheça mais sobre o dispositivo.

Como funciona o DIU Kyleena

Antes de falar sobre o Kyleena, é interessante saber que o DIU ganhou tanta notoriedade por conta de sua alta taxa de eficiência e segurança (que chega a 99,3%) e também pela ação prolongada que proporciona. A ginecologista Janayne Oliveira, do Hospital Anchieta de Brasília, destaca ainda a facilidade de uso e o custo-benefício. 

“Ele é tão eficaz quanto a laqueadura tubária. O DIU apresenta taxas de gravidez inferiores a 0,2%”, informa. Segundo ela, existem no Brasil atualmente quatro tipos diferentes de DIU: cobre, cobre com prata, DIU Mirena e DIU Kyleena – o mais moderno. “Eles possuem funcionamentos distintos entre si, assim como a sua composição, garantindo que cada mulher possa encontrar o melhor modelo.”

O DIU Kyleena é um dispositivo que funciona a partir da liberação intrauterina somente do hormônio progesterona (levonorgestrel), com uma menor dose (19,5mg, ou seja, 25% menos), ação hormonal local e menor insertor, o que facilita sua colocação e provoca menos dor durante o procedimento, beneficiando, principalmente, mulheres com útero pequeno ou que nunca tiveram filhos. Aliás, o tamanho do dispositivo e a quantidade de hormônio liberado são as diferenças básicas entre o DIU Kyleena e o DIU Mirena – ambos produzidos pelo mesmo fabricante. 

O dispositivo libera, todos os dias, pequenas quantidades do hormônio. Como resultado, a camada interna do útero – o endométrio – fica mais fina enquanto o muco cervical se torna mais espesso. Essa combinação é responsável por dificultar a passagem dos espermatozoides pelo canal cervical, atrapalhando a fecundação e reduzindo as chances de uma gravidez.

Apesar de não prometer a ausência de menstruação, o sangramento pode ser reduzido e acontece em menor intensidade. O mesmo para a redução das cólicas.

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Quais são as vantagens do DIU Kyleena?

De acordo com a ginecologista, “o DIU Kyleena tem como principal vantagem ter menor dose hormonal que o DIU Mirena. Quando comparamos os dois, percebemos que o Kyleena tem metade da dose (19,5mg) que o Mirena (52mg). Ele também vem com um anel de prata, o que é considerado um diferencial quando fazemos exames de imagem (por exemplo ultrassonografia transvaginal), pois facilita muito a visualização do DIU no exame”. Além disso, explica Janayne, o tubo insertor do Kyleena tem um diâmetro 25% menor.  

Colocação do dispositivo

O mais indicado é que o dispositivo seja inserido por um ginecologista. O procedimento é rápido, feito em poucos minutos, e pode ser realizado no próprio consultório do médico. “Podemos aplicar uma anestesia local, no colo do útero, sendo comum sentir um desconforto leve, como uma cólica, durante o processo”. Nesse caso, a mulher é colocada em posição ginecológica e o espéculo vaginal pinça o colo para posicionar e medir. Em seguida, o dispositivo é inserido. O procedimento é o mesmo para retirada, posteriormente. 

Entretanto, na consulta prévia o profissional deve avaliar a necessidade de marcar a inserção do DIU em um centro cirúrgico, contando com o apoio de um anestesiologista e sedação. “É recomendado também que a mulher fique em repouso no dia do procedimento, evitando carregar peso ou realizar atividades sexuais. É possível voltar à rotina normalmente já no dia seguinte.”

Por fim, Janayne afirma que a colocação do DIU pode ser feita em qualquer período do ciclo menstrual, não sendo obrigatório a paciente estar menstruada. “Porém, alguns estudos falam que inserir o DIU durante os primeiros dias da menstruação é mais fácil, pois o colo do útero vai estar um pouco mais aberto”, complementa. Dessa forma, o procedimento fica menos doloroso.

Pode haver sangramento durante a adaptação e o objeto não atrapalha a relação sexual. Mas é aconselhável aguardar 24 horas após a colocação. Se o parceiro sentir a ponta do fio, o médico pode cortar ou ajustar internamente. Já a ação contraceptiva começa uma semana depois da inserção e seu efeito pode durar até cinco anos. 

Para quem o DIU Kyleena é indicado?

O DIU Kyleena é indicado como método contraceptivo, sobretudo para mulheres que desejam ficar sem menstruação ou ter menor fluxo menstrual.

Sobre as contraindicações, a ginecologista esclarece que ele não deve ser inserido nas seguintes situações: 

  • Anormalidades uterinas.
  • Miomas uterinos submucosos com relevante distorção da cavidade endometrial, pois dificultam a inserção e aumentam o risco de expulsão. 
  • Vigência de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis), a exemplo de clamídia, gonorreia e AIDS. 
  • Presença de infecção inflamatória pélvica aguda ou crônica (DIPA).
  • Endometrite ou cervicite mucopurulenta.
  • Tuberculose pélvica. 
  • Abortamento infectado.
  • Câncer de colo uterino.

Quais são os efeitos colaterais do DIU hormonal?

O levonorgestrel, hormônio presente no DIU Kyleena, possui efeito androgênico, o que significa que pode piorar a acne, provocar aumento de pelos no rosto e piorar a queda do cabelo, principalmente quando existe uma maior sensibilidade aos andrógenos. 

Janayne também destaca que, no período de adaptação ao DIU (que dura aproximadamente seis meses), pode ocorrer aumento do fluxo menstrual, cólicas ou escapes menstruais várias vezes ao mês. “Esses sintomas tendem a melhorar após a fase de adaptação. Lembrando que tem mulheres que vão ficar bem adaptadas desde o primeiro mês. Esses efeitos colaterais são a exceção.” 

O DIU não incomoda nas relações sexuais e o parceiro também não sente o fio do dispositivo. Além disso, os sintomas desaparecem após alguns meses da colocação. O DIU não é indicado para mulheres com histórico de câncer, doença hepática, alterações uterinas ou endometriose.

Como escolher o melhor tipo de DIU?

Confira agora as informações de Janayne em relação aos diferentes tipos de DIU para entender qual pode se adequar melhor às suas necessidades:

  • DIU hormonal Kyleena: tem como mecanismo a liberação intrauterina de progesterona com menor dose hormonal e insertor. Além disso, é mais fácil de ser colocado e pode ser usado por quem deseja ter um menor fluxo menstrual ou até ficar sem menstruar.
  • DIU hormonal Mirena: tem como mecanismo a liberação intrauterina de progesterona e pode ajudar no tratamento de casos de mioma, endometriose e adenomiose, chegando a poupar até 70% das cirurgias. Também pode ser usado para reposição hormonal em associação com estrogênio. 
  • DIU não hormonal (cobre ou cobre com prata): não contém hormônios, é altamente efetivo, tem melhor custo-benefício, possui ação longa (até 10 anos o de cobre e cinco anos o de cobre com prata), retorno rápido à fertilidade, não interfere na amamentação e pode ser usado em mulheres que tiveram câncer de mama, entre outras características. O DIU de cobre com prata causa reação inflamatória local menor, mas os estudos atuais mostram que não existem vantagens em relação ao DIU de cobre, ou seja, tanto faz escolher o DIU de cobre ou de cobre com prata.

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Valores

O preço do Kyleena varia de R$ 800 a R$ 1.300, mas o valor total pode chegar a R$ 3.000 somando o custo do procedimento. De acordo com a resolução da ANS, tanto a implantação como o próprio dispositivo inserido, seja ele hormonal ou não, devem ser cobertos pelas operadoras de saúde.

Fonte: Dra. Janayne Oliveira, ginecologista do Hospital Anchieta de Brasília.

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