Dieta low carb e câncer: O que dizem as pesquisas

17 de junho, 2021

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que mais de 600 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença no Brasil em 2020. E cerca de 230 mil morreram dele. O principal tratamento para a enfermidade envolve uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Mas alguns estudos iniciais sugerem que a dieta low carb pode ser uma grande aliada no combate ao câncer — e até na sua prevenção. Entenda melhor a relação:

O que é a dieta low carb?

A dieta low carb é uma estratégia alimentar que visa reduzir a quantidade de carboidratos do cardápio, aumentando, assim, as porcentagens de proteínas e gorduras. Ou seja: enquanto em uma alimentação considerada “convencional”, metade ou mais (45 a 65%) do que a gente consome é carboidrato, na low carb esse nível cai drasticamente (de 20 a 5%, dependendo do tipo).

Isso provoca transformações no corpo, que passa a usar a gordura (tanto a acumulada no corpo, quanto a ingerida no dia a dia) como a sua principal fonte de energia. Esse processo é denominado cetose, e auxilia no emagrecimento.

Dieta low carb e câncer: possíveis relações

Em 1931, o cientista Otto Warburg ganhou o Prêmio Nobel de Medicina. Isso porque ele descobriu que as células cancerígenas se alimentam de glicose (açúcar proveniente dos carboidratos). A lógica por trás da possível relação entre a dieta low carb e o câncer, então, seria simples: com a redução no consumo do macronutriente, as células de câncer “morreriam de fome”. O que poderia reforçar os efeitos do tratamento da doença, ou até ajudar a preveni-la.

Contudo, essa teoria ainda não foi completamente comprovada por especialistas. Os resultados até agora foram iniciais, mas promissores.

Leia também: Benefícios do exercício físico para pacientes com câncer

Dieta low carb e câncer: o que dizem os estudos

A maioria dos estudos, até agora, utilizou animais para tentar testar a ideia de que a dieta low carb pode combater o câncer. Um deles, por exemplo, analisou ratinhos com metástase. Os que foram submetidos a uma alimentação sem carboidratos tiveram uma redução no crescimento do tumor. Bem como um aumento na expectativa de vida (em 56,7%) quando comparados aos bichinhos que continuaram consumindo o macronutriente normalmente.

Além disso, outra pesquisa, também realizada em hamsters, descobriu que a combinação da dieta low carb com quimioterapia não só ajudou a desacelerar o câncer de pulmão, como o fez regredir.

E apesar dos achados com animais serem animadores, existem poucas investigações com humanos. Ou então foram feitas com um grupo muito pequeno de pessoas, como é o caso de uma pesquisa publicada na biblioteca virtual do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.

Para o estudo, cinco pacientes com glioma (um tipo de tumor cerebral bem agressivo) receberam dietas low carb e tratamentos com quimioterapia. Três deles tiveram uma completa remissão do câncer (quando não há evidências da doença nos exames). Nos outros dois, houve uma progressão mais agressiva do problema depois que eles voltaram às suas alimentações normais.

Sem contar que apostar nesse tipo de cardápio parece melhorar a qualidade de vida de quem sofre com a enfermidade. Mulheres com câncer de ovário ou endométrio que adotaram planos alimentares com baixos índices de carboidratos por 12 semanas relataram mais facilidade e disposição para realizar tarefas simples, como subir escadas e mover objetos pesados.

Poréns

O câncer é uma doença bem complexa, e levanta dúvidas de especialistas até hoje. Muitos tipos e subtipos de tumor podem aparecer em diferentes locais, incluindo órgãos, tecidos, ossos e sangue. E a mesma doença pode afetar duas pessoas de forma diferente.

Vale ressaltar, também, que o próprio INCA possui uma cartilha orientando profissionais e pacientes a não recomendarem e nem seguirem as dietas detox, alcalina, low carb e nem cetogênica, já que as evidências ainda são inconclusivas.

De qualquer forma, é sempre bom buscar acompanhamento médico e nutricional se você decidir usar a estratégia para fortalecer os resultados dos tratamentos convencionais.