Diabetes causa mais infartos do que outras doenças, segundo estudo

Saúde
04 de Outubro, 2022
Diabetes causa mais infartos do que outras doenças, segundo estudo

As doenças cardiovasculares são umas das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Ainda neste ano, a previsão é que 400 mil brasileiros morrerão por enfermidades desse tipo. Dentre os fatores de risco, se destacam obesidade, colesterol alto, hipertensão e tabagismo. No entanto, um estudo publicado na PLOS ONE apontou que o diabetes causa mais infartos do que as demais condições citadas. Ou seja, a hiperglicemia mostrou uma associação com esse desfecho de cinco a dez vezes maior do que outros fatores.

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Critérios da pesquisa

A princípio, os cientistas usaram dados de diversas fontes oficiais, como os ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2005 a 2017. Os números foram confrontados com informações de outros bancos, como o Global Health Data Exchange e o repositório do Institute for Health Metrics and Evaluation, da Universidade de Washington.

Com os dados em mãos, os pesquisadores determinaram o número de mortes para cada fator de risco. “Independentemente do controle que usávamos – e testamos diferentes tipos de variável, modelos estatísticos e métodos – o diabetes sempre se associava à mortalidade por doenças cardiovasculares. Mais do que isso: não se restringia ao ano analisado, mas perdurava por até uma década”, explica Renato Gaspar, pós-doutorando no Laboratório de Biologia Vascular do InCor, vinculado à FM-USP.

Diabetes causa mais infartos em mulheres do que em homens

Um ponto que chamou a atenção dos cientistas foram as diferenças de gênero. “As disparidades sexuais reiteram outros estudos que apontam o diabetes e a hiperglicemia como fatores de risco para doença cardiovascular mais em mulheres do que em homens”, advertem.

Além disso, os pesquisadores conseguiram calcular que 5 mil pessoas não teriam morrido por doença cardiovascular se os índices de diabetes fossem menores. Por outro lado, a pesquisa também permitiu concluir que pelo menos 17 mil mortes foram evitadas somente pela diminuição do consumo de cigarros durante esses 12 anos.

Impacto socioeconômico

A mortalidade e a incidência de doenças cardiovasculares diminuíram 21% e 8%, respectivamente, entre 2005 e 2017 no Brasil. Além da redução do tabagismo, o maior acesso à saúde básica ajudou a melhora nos índices. Essa observação levou em conta a hipertensão, frequentemente associada a problemas cardíacos.

Contudo, ela representou sete vezes menos mortes por doenças cardiovasculares do que a hiperglicemia. Uma das possibilidades é que o acesso ao sistema de saúde universal aumentou entre a taxa de controle da hipertensão.

Em contrapartida, o diabetes causa mais infartos independentemente do nível socioeconômico. “Além de aumentar a renda, diminuir a desigualdade e a pobreza e ampliar a qualidade e o acesso à saúde, precisamos olhar para o diabetes e para a hiperglicemia de maneira específica”, aponta Gaspar, ressaltando que o país fala pouco sobre o alto consumo de açúcar.

“Precisamos de uma política de educação nutricional. Debater se vale a pena colocar uma tarja nos produtos açucarados com um alerta. Assim como nas embalagens de cigarro, ou taxar produtos com açúcar para incentivar as indústrias a reduzir esse ingrediente.”

Fonte: Agência FAPESP.

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