Coqueluche: conheça os riscos e a importância da vacinação

28 de junho, 2022

A coqueluche (também chamada de pertussis ou tosse comprida) é uma doença altamente contagiosa que afeta o trato respiratório. Pode causar crises de tosse intensas e persistentes que podem durar semanas ou até mesmo meses.¹

A doença afeta pessoas de todas as idades e pode causar complicações sérias. Entenda melhor a doença, seus riscos e a importância da vacinação.

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O que é e como ocorre a transmissão?

A coqueluche é uma infecção respiratória aguda causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis, que é transmitida por gotículas de saliva expelidas durante a tosse, espirros e fala. Também pode ser transmitida – embora mais raramente – por objetos recentemente contaminados, como talheres e copos.²

A doença pode durar até 30 dias, tendo como principal sintoma a tosse frequente e por muito tempo. “A transmissão da bactéria da coqueluche (Bordetella pertussis) ataca a via aérea e secreções, como tosse, espirro, saliva, mão contaminada e até a lágrima”, explica o Dr. Carlos Machado, clínico geral especialista em medicina preventiva e nefrologista.

Sintomas da coqueluche

Ainda de acordo com o Dr. Carlos, os sintomas da coqueluche ocorrem em três fases:

A primeira fase é a contaminação, que ocorre a partir da secreção de uma pessoa com a bactéria. A transmissão ocorre com facilidade pela tosse e espirro, mas também em lençóis, copos e objetos. Assim, inicia-se a segunda fase, caracterizada por episódios frequentes de tosse e muito catarro. Dura, em média, 14 dias, mas as flutuações de crises de tosse podem durar 1 mês e meio ou até mais. Por fim, vem a fase da recuperação, quando a tosse começa a diminuir e fica menos frequente, e pode durar até 3 semanas. 

“Ou seja, um quadro de coqueluche pode durar de 10 a 11 semanas. São quase 3 meses de muito catarro, depois muita tosse (tosse de cachorro) e depois uma recuperação que fica flutuando por um período de mais de 2 meses”, explica o especialista.

O Dr. Nelson Morrone Junior, médico pneumologista no São Cristóvão Saúde, complementa que pode ocorrer, também, febre, coriza e mal-estar generalizado.

Riscos¹,²

Em adultos, sobretudo idosos, a coqueluche pode evoluir para quadros graves, como¹,²:

  • Pneumonia
  • Distúrbios neurológicos, como infecção cerebral
  • Convulsão
  • Desidratação
  • Otite
  • Parada respiratória
  • Fratura da costela

Diagnóstico²

O diagnóstico da coqueluche pode ser clínico, isto é, ocorre através da avaliação física do paciente por parte do médico para descobrir se, de fato, trata-se de coqueluche. Para confirmar o diagnóstico, o especialista pode colher material e, na sequência, encaminhar para o laboratório para detectar a doença, ou solicitar exames como hemograma e raio-x de tórax.

Tratamento

“O tratamento é realizado com antibióticos da classe dos macrolídeos (Azitromicina Claritromicina) e deve ser instituído nos primeiros dias de sintomas. Embora a tosse possa persistir por cerca de 1 mês, com o tratamento é possível diminuir a transmissibilidade da doença. Além disso, o paciente acometido deve fazer o isolamento respiratório, usar máscaras, distanciamento e evitar tossir e espirrar sem proteger a boca”, explica o Dr. Nelson.

Vacina e outras formas de prevenir a coqueluche

No Brasil, a vacinação de rotina nas crianças, desde 1973, possibilitou importante redução nos números de casos e a mortalidade por coqueluche.⁴ Por isso, é considerada a principal e melhor forma de prevenir a doença e faz parte do calendário público de vacinas.⁴,⁵ Dessa forma, crianças a partir dos 2 meses de idade já podem tomar a tríplice bacteriana (DTP), que é dada em 3 doses³. As grávidas também devem ser vacinadas a partir da 20ª semana a cada gestação.³,

No entanto, para o Dr. Carlos, existe uma falha na orientação para que adultos tomem o reforço dos imunizantes. “Todas as vacinas devem ter reforço na vida de adultos e idosos, pois essas doenças estão presentes. São doenças infecciosas e podem atacar em qualquer idade. A coqueluche é uma doença que tem ciclos e pode infectar, inclusive, pessoas vacinadas. Por isso, as vacinas devem ter reforços para evitar infecções na vida adulta”, completa. Assim, a imunidade não permanece por toda vida, sendo recomendado uma dose de reforço a cada 10 anos.³

Por fim, a segunda forma de prevenir a coqueluche, bem como outras doenças transmissíveis, é manter a higiene em dia.5 “Uma pessoa que está com qualquer sintoma de gripe ou resfriado deve utilizar máscara, evitando assim contaminar outras pessoas. Também é recomendado evitar ir para escola ou trabalho e sempre proteger a tosse e o espirro, ou seja, não espirrar ou tossir na frente das pessoas, bem como lavar as mãos, o rosto e o nariz com água”, completa o especialista.

Por isso, se tiver 50 anos de idade ou mais, converse com seu médico sobre as formas de prevenção da coqueluche, como ter uma boa higiene e vacinação.5 Proteja-se contra a coqueluche!

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Material dirigido ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico.

NP-BR-PTX-KIT-220001 | JUNHO 2022

Fontes: Dr. Carlos Machado, clínico geral especialista em medicina preventiva/nefrologista e Dr. Nelson Morrone Junior, médico pneumologista no São Cristóvão Saúde. CRM-SP: 41.937

Referências

1.EUROPEAN CENTRE FOR DISEASE PREVENTION AND CONTROL. Disease factsheet about pertussis. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/en/pertussis/facts. Acesso em: 10. Jun. 2022.
2.BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z: Coqueluche. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/coqueluche/. Acesso em: 22 Mai. 2022
3.SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário Vacinal 2021-2022: Do nascimento à terceira idade. Disponível em: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-0-100.pdf. Acesso em: 02 Jun. 2022.
4.BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde – Informe Técnico para a Implantação da Vacina Adsorvida Difteria, Tétano e Coqueluche (Pertussis Acelular) Tipo Adulto – dTpa. 1-22, 2014. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2015/junho/26/Informe-T–cnico-dTpa-2014.pdf. Acesso em: 29 Mar. 2022.
5.CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Pertussis(Whooping Cough): Prevention. Disponível em: https://www.cdc.gov/pertussis/about/prevention>. Acesso em: 10. Jun. 2022.