Congelamento de embriões: o que é e como é feito

Gravidez e maternidade Saúde
14 de Abril, 2023
Congelamento de embriões: o que é e como é feito

O congelamento de embriões é uma técnica de reprodução assistida para preservar o produto da fertilização do óvulo pelo espermatozoide, para uma gestação futura. O método é geralmente indicado para mulheres mais velhas ou que têm baixa reserva ovariana. 

Como funciona o congelamento de embriões?

De acordo com Paula Fettback, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana, o congelamento de embriões se baseia no mesmo processo da fertilização in vitro. Ou seja, a paciente passa por exames para uma avaliação clínica. E, em seguida, é feita uma indução da ovulação, seguida da coleta de óvulos guiada por ultrassom com sedação e anestesia. 

A indução de ovulação é feita com o intuito de se obter uma maior quantidade de óvulos, entre 10 e 15, preferencialmente, segundo Marcos Moura, também especialista da área. 

Já a coleta dos espermatozoides pode ser feita através de um banco de sêmen. Ou, no caso de pacientes que realizam o processo junto a um parceiro, por meio da masturbação ou de métodos como vibroestimulação ou eletroejaculação.

Assim, após ambas as coletas, é feita a fertilização in vitro, que consiste na injeção do espermatozoide no óvulo, deixando o embrião se desenvolver até a fase de blastocisto, entre o quinto e o sexto dia.

“Os embriões obtidos são avaliados em termos de qualidade e, a seguir, congelados. Assim, congela-se embriões que estejam aptos a sobreviver ao processo de congelamento e descongelamento”, explica Marcos Moura. Segundo a resolução do Conselho Federal de Medicina nº 2.294 de 27 de maio de 2021, o número máximo de embriões gerados em laboratório é oito.

Quando é indicado?

O congelamento de embriões pode ser indicado em diversos casos. Um deles, e talvez o mais comum, é para preservar a fertilidade. Ou seja, pacientes que desejam preservar sua fertilidade para uso futuro podem optar pelo congelamento de embriões.

Além disso, a técnica também permite que os embriões sejam transferidos em um ciclo diferente da coleta de óvulos. Isso significa que os pacientes podem evitar os riscos associados aos tratamentos hormonais, como a síndrome da hiperestimulação ovariana.

Vantagens

Uma das principais vantagens do congelamento de embriões é a possibilidade de aumentar a taxa de eficácia dos tratamentos de fertilidade. Isso porque o uso de embriões congelados apresenta resultados semelhantes aos de embriões frescos. 

Além disso, uma pesquisa publicada na revista Fertility and Sterility, em 2019, avaliou a taxa de sucesso em ciclos de FIV (fertilização in vitro) com embriões frescos e congelados. Os resultados mostraram que a taxa de gravidez foi significativamente maior nos ciclos com embriões congelados do que nos ciclos com embriões frescos (55,3% vs. 43,8%). A taxa de aborto também foi significativamente menor nos ciclos com embriões congelados (10,5% vs. 15,9%).

Outro estudo, publicado na revista Human Reproduction, feito em 2021, avaliou os resultados de tratamentos de FIV com embriões congelados em pacientes com endometriose. Dessa forma, os resultados mostraram que a taxa de gravidez e a taxa de nascidos vivos foram significativamente maiores nos ciclos com embriões congelados do que nos ciclos com embriões frescos.

O congelamento de embriões também reduz o riscos de síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO), uma complicação comum em pacientes submetidos à estimulação ovariana controlada. Segundo Um estudo publicado em 2016 na revista científica Reproductive BioMedicine Online, a taxa de SHO foi significativamente menor em pacientes que optaram pela transferência de embriões congelados.

No entanto, é importante ressaltar que o sucesso da técnica depende de vários fatores, como a idade da paciente, a qualidade dos embriões e a técnica de congelamento utilizada. Por isso, é importante que os pacientes consultem seus médicos para avaliar as opções de tratamento mais adequadas.

Diferenças entre congelamento de óvulos e congelamento de embriões

Apesar de muitas pessoas confundirem os termos, eles não são a mesma coisa. De acordo com o Dr. Igor Padovesi, Ginecologista da USP e Hospital Albert Einstein, os óvulos congelados pertencem somente à mulher, enquanto os embriões pertencem ao casal.

“Isso na prática pode ser problemático quando há término da relação. Pois como existe o forte impacto da idade na fertilidade da mulher, pode ocorrer dela ter embriões congelados de um relacionamento anterior, não desejar mais utilizá-los, e ser tarde demais pra um novo tratamento. Por isso, recomendamos geralmente que a mulher tenha seus próprios óvulos congelados”, explica o médico. 

No entanto, Dr. Igor ressalta que o resultado com embriões congelados é mais eficaz que ao obtido somente com os óvulos congelados. “Os embriões já pertencem a uma fase mais avançada do tratamento (podem ser necessários alguns óvulos fecundados, para ter um embrião saudável). Por isso, para ter um filho por exemplo, é necessário um maior número de óvulos congelados do que de embriões congelados”, detalha.

Dúvidas frequentes sobre congelamento de embriões

Quanto tempo o embrião pode ficar congelado?

De acordo com os médicos, não existe prazo máximo e o embrião pode ficar congelado por tempo indefinido, assim como os óvulos. Em 2020, uma bebê norte-americana nasceu fruto de um congelamento de embrião que durou 27 anos.

Quais as chances de engravidar com embriões congelados?

As chances de gravidez dependem primordialmente da qualidade embrionária, que por sua vez é definida pela qualidade dos óvulos e dos espermatozoides. Mas, embriões obtidos de óvulos “jovens”, ou seja, de mulheres até 37 anos, são geralmente de melhor qualidade. Segundo Paula, a taxa média de gravidez por um bom embrião biopsiado é em torno de 50% a 65%.

Qual o destino dos embriões congelados?

O Dr. Igor lembra que se um casal deseja congelar os embriões, é importante que antes de iniciar o tratamento eles manifestem por escrito o que desejam fazer com os embriões em caso de divórcio, falecimento de um deles ou de ambos. “Os embriões podem ser descartados, doados para outro casal ou para pesquisa”, diz.

Como decidir o número de embriões para transferir ao optar pelo congelamento?

Pelos riscos associados às gestações múltiplas, o ginecologista afirma que atualmente as pessoas preferem transferir sempre um embrião por vez. No entanto, ele ressalta que no Brasil existe uma legislação específica que determina o número máximo de embriões que pode ser transferido, conforme a idade da mulher. “Quanto mais adiantada a idade, menor é a chance de implantação para cada embrião.”

Leia mais: Engravidar após a menopausa é possível? Especialista esclarece

Prepara-se para a transferência dos embriões congelados

Ao optar pelo congelamento de embriões, podem surgir dúvidas e até mesmo medo do procedimento. Mas a boa notícia é que você não precisa ter tantas preocupações. Segundo Dr, Igor, é necessário verificar a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra e, em alguns casos, utilizar alguns hormônios. “Além disso, é recomendado manter hábitos de vida saudáveis, com alimentação equilibrada, uso de algumas vitaminas e manutenção da atividade física”, finaliza o especialista.

Fontes

  • Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em infertilidade com ênfase em alta complexidade e doutora pela Faculdade de Medicina da USP;
  • Marcos Moura, ginecologista, especialista em reprodução humana e membro da American Society of Reproductive Medicine (ASRM) e European Society of Human Reproduction and Embriology (ESHRE);
  • Dr. Igor Padovesi Ginecologista da USP e Hospital Albert Einstein.

Referências

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