Para ter um envelhecimento saudável, é preciso que hábitos saudáveis sejam incorporados à rotina bem antes da terceira idade, especialmente a partir dos 30 anos. Dessa forma, manter uma alimentação balanceada e praticar atividade física são atitudes fundamentais que ajudam a prevenir muitas doenças que ocorrem nesse período, como a sarcopenia.
Perder massa e função muscular a partir dos 30 e poucos anos é um processo natural do envelhecimento. Em pessoas saudáveis, a diminuição da massa magra geralmente inicia-se nessa idade, com perdas em torno de 1% a 2% ao ano.
A sarcopenia é a perda de força e massa muscular esquelética que ocorre de forma progressiva ao longo do processo de envelhecimento. A doença pode causar problemas de locomoção, quedas, dentre outros riscos para a saúde de idosos. Entenda melhor o que é e como preveni-la.
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Antes de mais nada, vale destacar que, embora a sarcopenia atinja majoritariamente idosos, também pode ser diagnosticada em pessoas mais jovens. Nesse caso, o sedentarismo somado à alimentação inadequada são fatores de risco para o desenvolvimento da doença em pessoas a partir de 50 anos, fase em que há uma dificuldade natural em desenvolver músculos.
“A vida foi facilitada. Hoje não levantamos para mudar o canal da televisão, pois temos controle remoto. Não usamos mais escadas, pois temos elevador, tampouco nos movimentamos para abrir o vidro do carro, pois temos vidro elétrico. Além disso, os exercícios que antes faziam parte do cotidiano, não fazem mais. Tudo isso contribui para o desenvolvimento da sarcopenia”, explica a Dra. Márcia Umbelino, médica geriatra.
Outros fatores contribuem com o surgimento da doença. São eles:
“Ao longo do tempo, hormônios como o cortisol são produzidos menos, fazendo com que a gente tenha uma massa magra com menos qualidade. Então, se com o passar das décadas a pessoa não fizer uma reposição hormonal, perde-se massa muscular gradativamente. E se além disso a pessoa tem hábitos ruins e não fizer exercício físico, o risco é ainda maior”, alerta a médica geriatra.
De acordo com a Dra. Francine Gelo, médica de família e comunidade, após os 40 anos ocorre uma perda progressiva de cerca de um terço da massa muscular esquelética, com maior intensificação após os 60 anos. Como consequência, pode surgir a sarcopenia. Veja os sintomas da doença:
A sarcopenia pode causar sérios danos para a saúde. De acordo com a Dra. Márcia, o paciente pode desenvolver trombose, já que não há o retorno do sangue para o coração. Aumenta, ainda, o risco de infartos. Por fim, as quedas podem ser fatais.
“Com a diminuição da mobilidade e aumento da incapacidade funcional e dependência, o indivíduo passa a não conseguir desempenhar suas atividades diárias como cuidados com a casa, autocuidado, preparar suas refeições, fazer compras, entre outras atividades funcionais. O aumento da fragilidade gera custos econômicos e sociais”, completa a Dra. Francine.
Diversos exames auxiliam no diagnóstico da sarcopenia. Dessa forma, o médico pode solicitar a bioimpedância, que é um exame que analisa a musculatura, além da densitometria, que permite identificar a perda de massa muscular e óssea. A ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética também podem ser recomendadas.
É possível, ainda, medir as pregas cutâneas, além de testes aplicados para avaliar a capacidade funcional do idoso, como esse: “Coloque o paciente para sentar e levantar de uma cadeira ou até do chão com o apoio da mão. Esse movimento só é possível fazendo força, por isso é uma maneira que você tem que detectar a sarcopenia sem exame de imagem, balança ou bioimpedância”, completa a Dra. Márcia.
O tratamento da sarcopenia envolve uma dieta com adequado aporte protéico-calórico calculada com base nas necessidades do paciente, reabilitação motora realizada com fisioterapia e pilates, bem como suplementação. A reposição hormonal também pode ser necessária. “Lembrando que o tratamento é individualizado, nunca será o mesmo de paciente para paciente”, afirma a Dra. Francine.
Além disso, outra forma de tratar a sarcopenia é por meio da soroterapia, um tratamento intravenoso semanal que substitui até 10 comprimidos diários e que promete maior eficácia e menos efeitos colaterais. “Para formar proteína e, consequentemente, músculo, eu preciso de aminoácidos. Então, eles são colocados na veia para que sejam melhor absorvidos. Em paralelo, vitaminas e fitoterápicos devem ser consumidos via oral por meio de suplementos para ganho de massa muscular”, explica a Dra. Márcia.
Por fim, é preciso levar a sério o tratamento de doenças consideradas fatores de risco. “Se o paciente tem diabetes, ele precisa tratá-la, assim como pacientes com problemas circulatórios, que podem utilizar meia elástica, por exemplo”, explica a geriatra.
A alimentação deve ser funcional, priorizando nutrientes que ajudam no ganho de proteína, como carne branca ou ovo, além de evitar alimentos inflamatórios, como os industrializados ou com agrotóxicos.
Com o aumento da expectativa de vida, é fundamental prevenir a sarcopenia para que o envelhecimento ocorra com boa qualidade de vida. Ao retardar a progressão, os benefícios incluem melhoria nas atividades diárias e menos risco de quedas e fraturas.
“A melhor forma de prevenir envolve exercícios para fortalecimento muscular (fisioterapia, musculação, pilates, natação, hidroginástica, ginástica orientada), associados a uma dieta equilibrada com aporte protéico-calórico adequado e orientada por profissional”, afirma a Dra. Francine.
Outro hábito importante na prevenção da sarcopenia é tomar sol, já que estar com os níveis adequados de vitamina D reduz o risco de desenvolvimento da doença. Isso porque sua deficiência desequilibra o fluxo de cálcio e potássio no corpo, potencializando a atrofia e a fraqueza dos músculos.
O ideal é fazer, anualmente, um check up para verificar se os índices hormonais estão adequados e, se necessário, iniciar uma reposição hormonal. Dessa forma, a idade mais adequada para procurar um geriatra e iniciar os cuidados preventivos para um envelhecimento saudável é a partir dos 35, antes que surjam os primeiros sinais de doenças crônicas.
Fontes: Dra. Márcia Umbelino, médica geriatra e ortomolecular e Dra. Francine Gelo, Médica de Família e Comunidade Graduada e Pós Graduada pela UFTM.
Referência: Danone Nutricia
