Como ajustar sua alimentação ao novo apetite

Alimentação
02 de Fevereiro, 2026
Fernanda Lancellotti
Revisado por
Nutricionista • CRN3 29223
Como ajustar sua alimentação ao novo apetite

Está sentindo que seu apetite mudou desde que iniciou o tratamento? Isso é mais comum do que parece.

Com o uso de medicamentos para tratamento da obesidade e/ou diabetes, é normal sentir menos fome e se satisfazer com porções menores.

Mas comendo menos, surge uma dúvida importante: como manter a nutrição equilibrada? 

O segredo está em escolher bem os alimentos e respeitar o novo ritmo do corpo, sem deixar de lado a qualidade das refeições.

Porque o apetite pode mudar tanto

Os medicamentos usados no tratamento atuam diretamente em hormônios que ajudam o corpo a reconhecer melhor os sinais de saciedade. Ou seja, ele “ensina” o organismo a identificar quando já comeu o suficiente.

Essa resposta é esperada e faz parte do processo, mas exige atenção para que o corpo continue recebendo todos os nutrientes necessários.

Como ajustar suas refeições na prática

Comer menos não significa comer mal. Quando o apetite diminui, priorizar alimentos com alto valor nutricional é essencial.

Frutas, verduras e legumes variados

Para auxiliar na digestão e saciedade:

Grãos integrais, leguminosas e sementes

Como fonte de energia de qualidade:

Proteínas magras

Fundamentais para preservar massa muscular:

Gorduras saudáveis

Para um bom funcionamento do coração:

Evite ultraprocessados e bebidas açucaradas

  • Oferecem muitas calorias, mas poucos nutrientes — o que aumenta o risco de deficiências de minerais, vitaminas e proteínas.
  • Alimentos gordurosos ou muito processados podem piorar náusea, refluxo e prisão de ventre, comuns no início do uso do medicamento GLP-1.
  • Alto consumo de açúcares e gorduras saturadas desequilibram o colesterol e glicemia, prejudicando a manutenção da perda de peso a longo prazo.

Dicas práticas para facilitar sua alimentação

  • Monte pratos com porções menores: nesse momento, encher o prato – mesmo que com alimentos saudáveis – não é uma boa opção. Respeite seu organismo.
  • Coma devagar: o corpo precisa de tempo para perceber a saciedade. Mastigar com calma evita desconforto e ajuda na digestão.
  • Hidrate-se bem: beber água é essencial para o funcionamento do corpo, principalmente quando a quantidade de comida diminui.
  • Evite beber enquanto come: priorize a ingestão de líquidos nos intervalos das refeições, pois isso evita o mal-estar estomacal e melhora a absorção de nutrientes.
  • Prefira alimentos ricos em nutrientes: frutas, verduras, cereais integrais, leite e derivados e proteínas magras para variar a alimentação e prevenir deficiências nutricionais.
  • Evite pular refeições: mesmo que a fome seja menor, manter uma rotina alimentar organizada ajuda o corpo a se equilibrar.

Dica extra: se houver aversão a alimentos ou queda de interesse por comer, procure um nutricionista para te orientar com substituições adequadas e de acordo com o seu momento.

Essas mudanças favorecem não só o resultado do tratamento, mas também a criação de hábitos mais saudáveis e sustentáveis a longo prazo.

O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

 

Referência bibliográfica:

MOZAFFARIAN, Dariush et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 121, n. 6, p. 1234-1256, 2025. Disponível em: https://ajcn.nutrition.org/. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajcnut.2025.04.023

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