Ultraprocessados causam 57 mil mortes por ano no Brasil

Alimentação Bem-estar Saúde
07 de Novembro, 2022
Ultraprocessados causam 57 mil mortes por ano no Brasil

Um fast-food aqui, pedir uma comida ali… O consumo semanal de comidas ultraprocessadas é alto. De acordo com um estudo da Universidade de São Paulo (USP), da Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile, cerca de 57 mil óbitos por ano acontecem no Brasil devido o excesso desses produtos. A pesquisa foi publicada no American Journal of Preventive Medicine, feita com dados de 2019 de pessoas entre 30 e 69.

Diversas pesquisas alertam que o consumo das comidas ultraprocessadas tem relação com o aumento de peso, hipertensão e outras doenças como o câncer. Assim, os pesquisadores responsáveis pelo estudo tiveram como base essas informações para formar o modelo que associa os riscos e as mortes. 

Os resultados da pesquisa assustam ainda mais quando comparados à mortes violentas ou doenças crônicas. Por exemplo, em 2021, houveram 47,5 mil mortes por homicídio ou latrocínio no Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. 

“Buscamos quantificar, mostrar a prioridade pública, que é a questão dos ultraprocessados no Brasil. Isso é uma questão mundial. É muito importante encarar isso como um problema de saúde pública, trabalhar em políticas que favoreçam escolhas saudáveis a partir do padrão alimentar. É isso que vai preservar o que temos de cultura alimentar brasileira”, disse Eduardo Nilson, pesquisador e um dos autores do estudo em entrevista ao portal R7. 

Leia também: Por que alimentos processados engordam?

Resultados

O estudo teve como base dados de 2017 e 2018 da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgaram dados sobre como funciona a dieta da população brasileira. Assim, foi filtrado o consumo dos alimentos conforme a classificação NOVA

Essa pesquisa revelou que, em média, 19,7% das caloridas consumidas pelos brasileiros são dos ultraprocessados. Os dados da POF foram combinados com informações demográficas e de mortalidade de 2019. Então, acrescentaram os dados aos riscos relativos a cada faixa de consumo dos alimentos em questão, sendo os perigos calculados com base em uma metanálise que revisou estudos da ligação entre as comidas e o estado de saúde.

“As estatísticas sobre o consumo de ultraprocessados e o risco disponível na literatura científica geraram um percentual que multiplicamos pelas mortes totais, para descobrir quantas são atribuíveis ao consumo”, disse Nilson. 541,1 mil pessoas na faixa etária de 30 a 69 anos morreram no Brasil em 2019. Do total, consideradas prematuras, 57 mil (10,5%) têm associação ao consumo desses produtos. A maioria das fatalidades ocorreu em homens e a maior quantidade de mortes foi entre pessoas de 50 a 69 anos. 

No entanto, os pesquisadores alertaram que essas mortes poderiam ser evitadas caso o consumo dos produtos fosse menor. Ou seja, se a população diminuísse as quantidades na ingestão total de energia em 10%, 20% ou 50%, 5,9 mil, 12 mil e 29,3 mil vidas poderiam ter sido poupadas. 

O que são as comidas ultraprocessadas?

As comidas ultraprocessadas não são somente os fast-foods. Comidas como pizzas, macarrão instantâneo, salgadinho, comidas congeladas, bolachas recheadas, biscoitos e até mesmo algumas refeições de restaurantes passam pelo processo de ultraprocessamento. Dessa forma, mesmo que no dia a dia pareça a opção mais prática, seu consumo representa um risco para a saúde. 

Os alimentos em questão contam com muitas substâncias químicas que colaboram para o aumento de peso e diversas doenças. Os componentes mais presentes são o sódio, gordura e açúcar, além de aditivos alimentares. Ao R7, Nilson afirmou que a dieta tradicional é saudável e não pode ser substituída por esses produtos. Ou seja, consumir o arroz, feijão, proteína e salada, prato típico bem brasileiro, é muito melhor em vitaminas, nutrientes e saciedade. 

Por fim, para mudar o cenário preocupante da ingestão desses alimentos é preciso um trabalho sério de políticas públicas que conscientize a população quanto a esses perigos.

Sobre o autor

Gabriela Ferreira
Jornalista e Repórter da Vitat.

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