Cisto pilonidal: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Saúde
12 de Julho, 2022
Cisto pilonidal: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

O cisto pilonidal, cujo nome significa “ninho de pelos”, é um tipo de nódulo dermoide composto por um conteúdo inusitado. A princípio, a protuberância se desenvolve entre as nádegas, um pouco acima do ânus, e costuma ser dolorido.

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O que é cisto pilonidal?

Também chamada doença pilonidal, o cisto é uma infecção ou inflamação que atinge a pele na parte superior da fenda entre as nádegas. “É formado por uma bolsa de células epiteliais que possuem pelos, tecidos da pele, glândulas sebáceas e sudoríparas”, explica Gustavo Botega, médico coloproctologista e professor de Medicina da Unisul. Dependendo do nível de inflamação, o cisto pode crescer e provocar. Além da região entre as nádegas, o nódulo pode aparecer em outros locais, como axila, umbigo e couro cabeludo.

Causas do cisto pilonidal

De acordo com Botega, o cisto se forma quando um ou mais pelos não conseguem crescer normalmente e encravam sob a pele. Como resultado, os fluidos começam a se acumular dentro da bolsa que envolve o pelo, o que deixa a lesão mais suscetível a inflamações. Há, ainda, outros motivos que não são muito claros para a ciência. Por exemplo, alterações hormonais, tendência à foliculite e disfunção nas glândulas sebáceas (que produzem a oleosidade) são possíveis responsáveis pela formação do cisto pilonidal.

Apesar disso, a lesão não costuma ser maligna — ou seja, com risco de progredir para um câncer ou de se espalhar para outros locais. Mas isso não quer dizer que deva ser ignorado, pois o quadro pode evoluir para um abcesso, com alta quantidade de pus e inflamação do tecido, que aumenta as chances de contrair uma infecção bacteriana, por exemplo.

Fatores de risco

A princípio, o cisto pilonidal é mais comum entre homens do que em mulheres, devido à maior concentração maior de pelos e glândulas na região íntima. No entanto, algumas condições podem favorecer o surgimento do cisto, tais como:

  • Usar roupas apertadas.
  • Obesidade.
  • Falta de higiene adequada.
  • Permanecer muito tempo sentado, pressionando a área do cóccix e adjacências.
  • Esportes como ciclismo e equitação, em que o atleta também fica sentado por longos períodos.
  • Transtornos hormonais em geral, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

Sintomas do cisto pilonidal

Os desconfortos variam de acordo com a fase de inflamação. No início do desenvolvimento, o cisto é discreto e emerge uma pequena bolinha com um micro-orifício, por onde saem os fluidos da inflamação. Ao longo do tempo, a condição transita por outros processos inflamatórios, que são:

Fase aguda

Nesse ciclo, o cisto começa a crescer e ficar avermelhado, um típico sinal de que inflamação está evoluindo. A região pode ficar bem sensível e dolorida ao toque. Já a secreção se acumula rapidamente e pode vazar com frequência. Por isso, é importante manter a área limpa, assim como evitar apalpar ou espremer o cisto.

Fase crônica

Quando a pessoa não busca ajuda médica para tratar ou remover o cisto, o estágio crônico avança e as inflamações tornam-se mais intensas. Além disso, podem surgir novos abcessos ao lado do cisto de origem, com sulcos mais profundos em que é possível visualizar o interior do cisto, com vazamentos recorrentes. Devido ao aumento da lesão, o local fica exposto à proliferação de bactérias que podem cair na corrente sanguínea e se disseminar para outras partes do corpo. Nesses casos, a pessoa pode ter febre, náuseas e indisposição.

Diagnóstico do cisto pilonidal

A identificação do cisto pode ocorrer no próprio consultório médico, com observação do nódulo e análise dos sintomas. Outra conduta é investigar o histórico do paciente: estilo de vida, presença de doenças ou distúrbios hormonais e se o cisto já apareceu antes, por exemplo. Para descartar ou confirmar a infecção bacteriana, o profissional poderá solicitar exames laboratoriais.

Tratamento

Segundo Gustavo Botega, o tratamento do cisto pilonidal é prioritariamente cirúrgico. “Existem vários métodos, como ressecção aberta ou fechamento após remoção com retalhos. Mais recentemente, há técnicas endoscópicas para reduzir o trauma relacionado a cirurgia”, explica. Ou seja, a maioria dos procedimentos atuais são minimamente invasivos e altamente seguros. Quanto ao uso de medicamentos, Botega afirma que são úteis para conter uma infecção ou diminuir os sintomas de febre e inflamação, mas não são a solução de combate ao cisto.

O que acontece se o cisto pilonidal não for tratado?

Já falamos que o problema não é uma condição maligna, mas que inspira cuidados para não ser uma porta de entrada para infecções. Portanto, ao adiar o tratamento, os sintomas irão persistir e há o risco da pele sofrer necrose por causa do processo “errado” de cicatrização. Isso porque a região fica sujeita a atritos, micro-organismos, suor e outros agentes — assim, a pele não consegue se recuperar adequadamente nem expelir os fluidos de forma definitva.

Especialidades para o tratamento do cisto pilonidal

O primeiro contato pode ser feito com um clínico geral, que geralmente encaminha o paciente a um dermatologista ou coloproctologista. Este último possui experiência com enfermidades relacionadas ao trato intestinal e ânus, e pode gerir o acompanhamento da doença pilonidal.

Fonte: Gustavo Botega, médico coloproctologista e professor de Medicina da Unisul.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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