Cisto intracraniano: o que é e quando pode ser um risco à saúde

3 de agosto, 2022

O cisto intracraniano, também conhecido por cisto aracnoide, é um ou mais nódulos que se instala entre as membranas que recobrem o cérebro. A princípio, a maioria é de origem congênita. Ou seja, a pessoa já nasce com o cisto. Inclusive, a situação pode assustar os pais, pois muitas crianças recebem o diagnóstico ainda nos primeiros anos de vida. Afinal, esse problema é grave? Saiba tudo sobre o assunto e quando buscar ajuda médica.

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Como o cisto intracraniano se forma?

O cérebro é revestido de membranas e entre a primeira estrutura e a parte mais rígida – a membrana dura-máter – existe um espaço chamado subaracnoidea. Nessa região, ocorre a formação de um tipo de represamento do líquor, um líquido que circula dentro das cavidades ventriculares e que precisa ser reabsorvido. Esse processo de reabsorção ocorre em estruturas conhecidas como vilosidades aracnoides. São nesses espaços que surgem o cisto intracraniano.

Quais são os sintomas?

Em crianças, dor de cabeça e até mesmo atraso no rendimento escolar estão entre os principais motivos que levam os pais a buscarem ajuda médica para os filhos. Contudo, em pessoas adultas, o cisto intracraniano não dá sinais de sua presença. Em ambos os casos, o cisto pode crescer e, dependendo do local, pode causar:

  • Fortes dores de cabeça.
  • Náusea e tontura.
  • Dificuldade em manter o equilíbrio ao caminhar, por exemplo.
  • Déficit de atenção e confusão mental.
  • Fraqueza e formigamento dos membros.
  • Convulsões.

Nestas situações, é importante a opinião de um profissional habilitado para avaliar se o cisto cerebral tem alguma relação com os sintomas e, assim, tranquilizar os pais da criança ou o paciente adulto.

Diagnóstico do cisto intracraniano

“Hoje em dia, é comum a realização de exames radiológicos, como a tomografia e a ressonância magnética do encéfalo. Muitas vezes, cistos cerebrais podem ser identificados nestes exames. Entretanto, nem sempre a presença do cisto está associada à sintomatologia apresentada. Em muitos casos, são ‘achados’ de exames”, explica Ricardo Santos de Oliveira, neurocirurgião pediátrico.

Quando o problema pode ser grave

Nas situações em que os sintomas são severos, como convulsões, formigamento e dores de cabeça fortes, a investigação médica é importante para avaliar a retirada do cisto, ou se há outras complicações envolvidas. Em crianças menores de 2 anos, o alerta é quando há o crescimento progressivo da cabeça. Este caso pode indicar o crescimento do cisto devido falha no escoamento do líquor nas cavidades ventriculares. Geralmente, o aumento do cisto causa compressão na região e compromete o desenvolvimento natural do cérebro da criança.

Como é o tratamento do cisto intracraniano?

Normalmente, quando o cisto é pequeno e não se expande, a ressonância deve se repetir após 6 meses da realização do primeiro exame para acompanhar o caso. No entanto, se o cisto continuar crescendo, pode ser necessária a intervenção cirúrgica.

Cistos grandes devem ser operados?

É possível encontrar cistos grandes mas estáveis. Em outras palavras, que não se desenvolvem e precisam apenas de acompanhamento com exames de imagem. Por outro lado, alguns cistos podem progredir 

Além disso, há casos em que o paciente – portador de um cisto intracraniano — pode descompensar esse cisto depois de um traumatismo craniano. “Então, as duas situações podem ocorrer, o trauma pode levar a uma descompensação do cisto e o trauma pode levar ao diagnóstico de um cisto”, explica o neurocirurgião.

Por fim, pode ocorrer uma ruptura espontânea do cisto, também, associada a traumatismo craniano. Entretanto, são situações raras.

Quais são as cirurgias indicadas para os cistos aracnoides?

A princípio, há alguns tipos de cirurgias para os cistos aracnoides:

  • Microcirurgia: exige uma pequena incisão para romper a parede do cisto com auxílio de um microscópico. Dessa forma, o líquor volta a circular normalmente no cérebro.
  • Neuroendoscópico: ferramenta que permite uma pequena perfuração no crânio e introdução do endoscópico que atinge o núcleo do cisto (parte interna). De acordo com a localização do cisto, a cirurgia pode ser aberta ou endoscópica. Ambas conseguem tratar a maioria dos cistos.
  • Instalação de derivação cisto-peritoneal: mais complexa, é viável apenas em alguns casos.

Há riscos do tratamento cirúrgico para crianças e adultos?

A pressão interna do cisto é muito alta. Dessa forma, a cirurgia pode alterar a pressão e ocorrer o escape de líquido pela cicatriz cirúrgica, chamada de fístula liquórica. Portanto, é importante a realização ampla da comunicação do cisto com as estruturas intracranianas e, ao final, o fechamento deve ser bem executado para minimizar a possibilidade de escape de líquido.

Fonte: Ricardo de Oliveira, médico pela FMRPUSP; doutor em Clínica Cirúrgica pela Universidade de São Paulo, com pós-doutorados pela Universidade René Descartes, em Paris, na França e pela FMRPUSP.

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