Cirurgia para diabetes: como é feita e para quem é indicada?

Saúde
11 de Novembro, 2022
Cirurgia para diabetes: como é feita e para quem é indicada?

Próximo ao dia Mundial de Combate ao Diabetes, comemorado 14 de novembro, estima-se que 90% dos casos no mundo sejam do Tipo 2. A genética tem uma forte influência no desenvolvimento da doença. No entanto, o sobrepeso e a obesidade são os principais motivos do crescimento deste tipo de diabetes no mundo. Nesse sentido, para aqueles que não conseguem controlar a doença com medicamentos, a cirurgia para diabetes pode ser indicada. Entenda melhor o procedimento.

Leia mais: Chá da rainha: afinal, bebida reduz riscos de diabetes tipo 2?

O que é a cirurgia para diabetes?

Diferente da cirurgia bariátrica, que tem como foco principal a perda de peso, a cirurgia para diabetes, ou seja, cirurgia metabólica, é indicada para o tratamento de pacientes que não possuem obesidade mórbida, com diabetes tipo 2 (DM2), Índice de Massa Corporal abaixo de 35 Kg/m2 e que, comprovadamente, já passaram durante dois anos pelo tratamento clínico da doença sem resultados.

“A cirurgia metabólica visa o controle do Diabetes. Já a cirurgia bariátrica tem como objetivo a perda de peso. É feita com as metas para contenção das doenças, como o diabetes e hipertensão em segundo plano”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Fábio Viegas.

Além disso, a cirurgia metabólica é uma ferramenta eficaz para prevenir complicações graves do diabetes como a insuficiência renal, a retinopatia diabética, acidentes cardiovasculares e os problemas de úlcera e gangrena dos membros inferiores que levam muitos pacientes a ter de amputar parte da perna.

Quem pode fazer? 

  • Pessoas com diabetes tipo 2 há menos de 10 anos;
  • IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m²;
  • Idade acima de 30 anos e no máximo 70 anos;

Dessa forma, a indicação cirúrgica precisa ser feita por dois médicos especialistas em endocrinologia. Assim, é necessário um parecer que mostre que o paciente apresentou resistência ao tratamento clínico com antidiabéticos orais e/ou injetáveis. Além disso, deve sinalizar que também houve resistência à mudanças no estilo de vida e que compareceu ao endocrinologista por no mínimo dois anos.

“Pacientes com resistência à insulina severa são os que melhor respondem ao procedimento que visa o controle do Diabetes Tipo 2″, explica o cirurgião especializado em doenças metabólicas, Alcides Branco, do Eco Medical Center.

Afinal, quais são os benefícios da cirurgia para diabetes

Os estudos têm demonstrado benefícios a médio e longo prazo para a qualidade de vida destes pacientes como, por exemplo, que 85% dos pacientes entram em remissão do diabetes (deixam de tomar medicamentos e insulina) já no primeiro ano de cirurgia.

Recentemente, um estudo publicado na revista JAMA Surgery, uma das principais revistas científicas do mundo, apontou que a cirurgia metabólica é um procedimento eficaz para redução do diabetes. Em um período de dois anos, a doença crônica atingiu a remissão em estágio inicial em pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade leve, com IMC de 30 a 35.

De acordo com um dos coordenadores do estudo, o cirurgião bariátrico Ricardo Cohen, os resultados foram animadores. “82% dos pacientes que se submeteram à cirurgia tiveram remissão da doença renal crônica em estágio inicial, contra 48% dos pacientes que receberam os mais modernos medicamentos”, ressalta.

Como é feita a cirurgia?

De acordo com o Dr. Alcides, o procedimento é realizado por videolaparoscopia, através de pequenos furos na parede abdominal, ou por robô. “Essa alteração promove a passagem mais rápida do alimento do estômago para o intestino. Ou seja, traz mudanças metabólicas, como a aceleração da produção de hormônios, que atuam no pâncreas melhorando a produção de insulina, o que normaliza os níveis de glicose no sangue”, reforça.

Fonte: Dr. Fábio Viegas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e Dr. Alcides Branco, cirurgião especializado em doenças metabólicas do Eco Medical Center.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde

Leia também:

montagem com as fotos de Wagner
Saúde

Ele já fez mais de 100 doações de sangue e plaquetas: “dar um pouco da minha saúde para quem precisa”

Conheça a história de Wagner Hirata, que tem as doações de sangue e plaquetas como um de seus propósitos de vida

neuralgia do trigêmeo
Saúde

Neuralgia do trigêmeo: doença que provoca uma das piores dores do mundo

Sintomas de doença são dores muito fortes e rápidas em apenas um lado do rosto, causando sensação de choque ou de um golpe muito forte

Reynaldo Gianecchini
Saúde

Reynaldo Gianecchini revela diagnóstico de doença autoimune

A síndrome de Guillain Barré causa fraqueza e dificuldades para mover os braços e as pernas