Cirurgia de endometriose: Anitta é internada e passará por procedimento

19 de julho, 2022

Anitta passará por uma cirurgia de endometriose. A informação foi revelada pela própria cantora em seu perfil no Instagram nesta terça-feira (19). “Vim direto da turnê para o hospital”, afirmou. “Eu tenho o que se chama de endometriose (muito comum em milhões de mulheres no mundo, mas que não é tão falado quanto deveria ser). Eu estou bem, muito bem cuidada e manterei todo mundo informado”, disse na postagem.

Ao G1, a assessoria de imprensa do hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde a cantora está internada, informou que ainda não há um boletim médico sobre o estado de saúde da cantora. Entenda como funciona o procedimento.

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Cirurgia de endometriose: o que é e como é realizada?

O tratamento da endometriose passa pelo controle dos sintomas. Dessa forma, envolve o uso de anticoncepcionais e analgésicos, dormir bem, adotar hábitos saudáveis, fazer terapia comportamental e até fisioterapia do assoalho pélvico. Mas, se os sintomas não passarem, há a indicação de cirurgia, que retira o tecido inflamado.

No caso da Anitta, essa foi a recomendação dos especialistas depois da cantora passar 9 anos sem saber o real motivo de fortes dores na região íntima, sobretudo após algumas relações sexuais.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose, a cirurgia é feita através de videolaparoscopia. Dessa forma, por meio de uma microcâmera introduzida através do umbigo por uma pequena incisão, é possível buscar os focos de endometriose e cauterizá-los, limpando a cavidade abdominal. Trata-se de uma técnica extremamente efetiva e minimamente invasiva. As intervenções podem durar de cinco a seis horas e são realizadas por uma equipe multidisciplinar, que inclui ginecologistas e coloproctologistas, por exemplo.

Cirurgia de endometriose: entendendo a doença

A endometriose é uma doença que atinge cerca de 10% das mulheres brasileiras e que pode levar a complicações se não tratada adequadamente. O problema? Muitas vezes, ela é uma inimiga invisível e passa despercebida por anos.

“É uma condição feminina que acomete uma em cada dez mulheres no mundo. Nela, a camada interna do útero (endométrio) está em outros lugares do corpo (qualquer região). E onde o endométrio fica, ele gruda, inflama, responde aos hormônios mensalmente (como se fosse menstruar). Contudo, não tem como ele descamar e causar a menstruação nessas regiões, ocasionando reações inflamatórias (como lesões, aderências e cicatrizes internas) no corpo”, explica Bárbara Murayama, médica ginecologista especialista em miomas, endometriose e cirurgia minimamente invasiva.

“É uma doença que acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Isso representa quase 200 milhões de mulheres no mundo”, segundo Renato Tomioka, ginecologista especialista em endoscopia ginecológica (laparoscopia e histeroscopia) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e médico da clínica VidaBemVinda.

Sintomas de endometriose

A princípio, a endometriose pode ser silenciosa, muitas vezes, sendo necessário recorrer aos exames de rotina para um diagnóstico preciso. No entanto, os sinais mais comuns vêm em forma de cólica.

De acordo com dados do Colégio Norte-Americano de Obstetras e Ginecologistas, a dor pélvica crônica é um dos sintomas mais frequentes, especialmente quando surge pouco antes e durante o período menstrual. Além disso, cólica menstrual intensa também pode soar o alarme, bem como uma dor durante as relações sexuais. Deve-se prestar atenção também na intensidade do ciclo menstrual e caso tenha dificuldades para engravidar.

Se a doença atingir a região do intestino, a pessoa pode sentir desconforto com os movimentos do órgão. Da mesma forma com a bexiga: dores na hora de urinar estão associados à condição. Outros sintomas incluem:

  • Dor na relação sexual;
  • Menstruação alterada (fluxo intenso e irregular);
  • Mudanças no padrão da micção (xixi);
  • Humor inconstante;
  • Constipação e gases;
  • Por fim, dores no ciático, no pé e no ombro.

Sintomas emocionais

  • Medo: Pode estar relacionado ao tratamento ou às consequências que a doença pode ocasionar;
  • Raiva ou estresseEsse sentimento costuma surgir após o diagnóstico da condição;
  • Solidão: Quando a mulher não possui apoio de amigos e familiares;
  • Ansiedade: Por fim, um dos sintomas mais comuns quando a paciente não sabe se o tratamento realmente irá funcionar.

Fonte: Renato Tomioka, ginecologista especialista em endoscopia ginecológica (laparoscopia e histeroscopia) pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e médico da clínica VidaBemVinda

Referência: Sociedade Brasileira de Endometriose

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde