Como funciona a cirurgia da bexiga (cirurgia para incontinência urinária)

Saúde
19 de Setembro, 2022
Como funciona a cirurgia da bexiga (cirurgia para incontinência urinária)

A incontinência urinária é uma condição de saúde super comum entre as mulheres. Alguns estudos dizem que 72% das mulheres do mundo lidam com essa questão, o que gera uma queda, às vezes brutal, na qualidade de vida dessas pessoas. No entanto, a tecnologia e a Medicina já evoluíram muito e, hoje, existem cirurgias curativas que solucionam a incontinência urinária, especialmente a de esforço, como a cirurgia da bexiga.

Incontinência X Continência Urinária

Antes de saber quais são as indicações para a realização da cirurgia de bexiga, é importante entender a mecânica do sistema urinário. 

“A continência urinária é quando você consegue segurar a urina normalmente nos momentos que você não está fazendo xixi”, explica Lilian Fiorelli, médica ginecologista especialista em sexualidade feminina. “Isso só é possível porque você tem um relaxamento do músculo da bexiga, não existe nenhuma contração involuntária.”

Segundo a médica, nesse estado de relaxamento, a bexiga recebe a urina produzida pelos rins e só avisa o cérebro sobre a necessidade de ir ao banheiro quando atinge 300 ml de ocupação. Até então, a uretra se mantém fechada tanto por conta da própria musculatura local, quanto pela região de músculos que sustentam a bexiga, o famoso assoalho pélvico. 

Apenas quando você senta no banheiro é que a uretra relaxa e a bexiga contrai, liberando o líquido normalmente. 

Perda urinária

“A incontinência urinária acontece quando esse mecanismo não funciona”, diz. “Durante essa fase, pode ser que a bexiga esteja com contrações e já comece a aumentar a chance de perder urina.”

Se, associado a isso, a paciente tiver um relaxamento dos músculos da uretra ou uma lesão nessa região, a facilidade de perda urinária também é maior.  

Às vezes, essa perda urinária acontece por esforço. Assim, a paciente tem todo o mecanismo funcionante, mas a força de uma tosse, um espirro ou de uma atividade física de impacto (como a corrida), aumenta a pressão na barriga e gera algum tipo de perda urinária. 

Existe ainda a chamada bexiga hiperativa, quando, de repente, a mulher sente vontade de ir ao banheiro ao ponto de não aguentar chegar lá. Por último, existe ainda a incontinência causada por infecção, o que, via de regra, gera ardor ao urinar e inconsistência nesse processo todo. 

Leia mais: Bexiga hiperativa: sintomas e possíveis tratamentos

Sintomas da incontinência urinária

Com essa revisão em mente, a médica atenta para que os sintomas da incontinência urinária vão depender da causa – por isso é tão importante consultar-se sempre com um médico uroginecologista para fazer o diagnóstico correto do quadro. 

Ainda assim, alguns dos sintomas mais comuns são: 

  • Ardor ao urinar;
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
  • Urgência para urinar;
  • Exitância: quando o xixi demora a sair mesmo com a sensação de urgência ou bexiga cheia;
  • Noctúria: quando a paciente acorda à noite para urinar;
  • Enurese: quando a paciente acorda à noite porque fez xixi na cama.

Como funciona a cirurgia na bexiga? 

A cirurgia de bexiga, portanto, será indicada a depender do caso. Quando a questão é de anatomia, diz a médica, a necessidade de correção cirúrgica é maior. 

“Os principais casos em que a gente indica a cirurgia são diante de defeitos anatômicos, mas também quando temos uma não aderência aos tratamentos clínicos, ou uma falha desses tratamentos, ou como um tratamento coadjuvante aos tratamentos clínicos”, explica. 

O primeiro passo, então, é descartar uma infecção. Normalmente, pacientes com incontinência urinária por infecção melhoram 100% uma vez que a causa infecciosa é tratada. 

Outros tratamentos

Caso a incontinência não seja por infecção, mas de esforço ou um quadro de bexiga hiperativa, é preciso avaliar se existem defeitos anatômicos ou outras disfunções do assoalho pélvico – isso porque é muito comum, nesses casos, que as pacientes também tenham cistocele, a famosa “bexiga caída”, um tipo de prolapso vaginal. Aqui, a cirurgia acaba sendo indicada não só para corrigir a incontinência, como também as outras questões. 

“Em outras situações você pode orientar uma terapia de assoalho pélvico. Elas são linhas de tratamento que a gente usa pré e pós cirúrgico, que vão fortalecer a musculatura local”, explica. 

Outros tipos de tratamento incluem ainda a aplicação de colágeno, por via hormonal ou com laser, para fortalecer a região, ou ainda a aplicação da toxina botulínica, popularmente chamada “botox”. 

Opções cirúrgicas

“Sempre que a cirurgia for indicada é porque existe um defeito anatômico. É feita com o chamado ‘sling’, uma telinha que a gente coloca para sustentar a uretra e melhorar esse suporte do assoalho pélvico. Ela é indicada especialmente para incontinência urinária de esforço”, conta. 

A neuromodulação sacral, usada especialmente para bexiga hiperativa, também é uma opção cirúrgica. Nesse caso, é inserido um marca-passo que solta estímulos elétricos para evitar que a bexiga contraia fora de hora. 

Os procedimentos, no geral, são simples e não costumam exigir anestesia geral. Um dia de internação é o suficiente para completar o tratamento, que costuma ser feito sem abertura do corpo da paciente na mesa de cirurgia. 

Complicações na cirurgia da bexiga

No entanto, é possível que existam complicações, especialmente com a contração de infecções, o que é comum no âmbito cirúrgico. Há também a possibilidade de rejeição, no caso do sling principalmente, quando aplica-se um corpo estranho ao organismo – o que significa que o corpo pode decidir rejeitar a tela, por exemplo, gerando desconfortos e uma necessidade de correção. 

É por isso que a avaliação médica é essencial nesses casos – afinal, a cirurgia precisa andar lado a lado com o tratamento clínico, especialmente quando se fala em fisioterapia. 

“A grande vantagem da cirurgia é que ela ajuda no tratamento. Ela pode ser curativa, sozinha? Pode, mas geralmente é necessária uma equipe multidisciplinar, que inclui um fisioterapeuta pré e pós, para que a paciente possa ter um sucesso maior nessa cirurgia”, explica. 

Fonte: Lilian Fiorelli, médica ginecologista especialista em sexualidade feminina

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