Cheirar pó de corretivo e os riscos da nova “trend” entre adolescentes

11 de abril, 2022

Pode parecer mentira, mas uma nova tendência que ficou famosa nas redes sociais tem preocupado pais de adolescentes em escolas do Brasil. Trata-se de cheirar pó de corretivo após o produto secar, um comportamento nocivo e que pode trazer diversos prejuízos para a saúde.

O corretivo, também chamado de branquinho, é utilizado para apagar erros em textos escritos à caneta. Nos vídeos que circulam nas redes sociais, estudantes cheiram até mesmo dentro das salas de aula. Veja a opinião de um especialista sobre o tema.

Cheirar pó de corretivo: entenda o caso

De acodo com o jornal Folha de São Paulo, no Paraná, ao menos oito escolas estaduais relatam casos de alunos inalando pó de corretivo seco como se fosse cocaína. O número foi confirmado pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte. Também há relatos de que isso estaria ocorrendo em colégios particulares em São Paulo e Santa Catarina.

Em São Paulo, a Escola Estadual Guilherme Giorgi, na zona leste da capital, publicou um comunicado em sua página numa rede social, pedindo aos pais e responsáveis que ficassem atentos aos celulares e conteúdos que os filhos têm acesso na internet. Além disso, a Secretaria da Educação de São Paulo negou que a prática tenha ocorrido na escola citada e que “lamenta a disseminação do comportamento citado pela reportagem e repudia qualquer uso de entorpecentes e substâncias tóxicas dentro ou fora da escola.”

Apesar de não haver prescrição legal para punição criminal, o uso de corretivo líquido inalado pode resultar em processos civis para os pais dos alunos envolvidos.

Como funciona?

Vídeos em que adolescentes ensinam o passo a passo de como transformar a substância em pequenas partículas viralizaram em redes sociais como o TikTok. Nas imagens, jovens pincelam o líquido branco em carteiras escolares, aguardando a secagem e raspando o local até que o produto se torne pó.

Assim que a substância se desfaz de sua forma original, eles separam as partículas e passam a cheirar, utilizando canudos ou encostando a narina na mesa. Na maioria dos casos, os adolescentes não chegam a inalar o produto químico. A prática virou “modinha” entre alunos do ensino fundamental 2 e médio, ilustrando fotos e vídeos nas redes sociais. Giz e borracha também são usados para preparar o pó, que chega a ser fumado e vendido em sala de aula.

Cheirar pó de corretivo: os malefícios da prática para a saúde

Á Vitat, o Dr. Eduardo Bogaz, otorrinolaringologista da Rede de Hospitais São Camilo (SP), afirmou que a prática é absolutamente condenável. “Não traz nenhum benefício, obviamente, e as substâncias químicas presentes neste produto podem lesar mucosa nasal e pulmonar, causando rinites, sinusites e até mesmo irritação química pulmonar. Além de remeter a uma prática nada saudável pra qualquer pessoa. É preciso que seja feita a orientação a estas crianças, pois práticas como esta podem gerar muitos danos”, alertou.

Além disso, o produto é composto por água, pigmentos, geralmente dióxido de titânio, resina e solvente, sendo que, atualmente, a maioria também contém etanol. Ou seja, diversas substâncias nocivas à saúde. O dióxido de titânio, por exemplo, é classificado pelo IARC, sigla para Agência Internacional de Pesquisas em Câncer, como possível carcinogênico, ou seja, agente químico que pode causar câncer.

Fonte: Dr. Eduardo Bogaz, otorrinolaringologista da Rede de Hospitais São Camilo (SP)

Sobre o autor

Fernanda Lima
Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde