Berne: saiba o que é, sintomas, tratamento e como prevenir

18 de julho, 2022

Berne é o nome popular de uma doença parasitária de pele conhecida como miíase. A princípio, é mais comum em áreas rurais, bem como ambientes quentes e úmidos. De acordo com Isis Veronez Minami, dermatologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, a doença é causada por larvas de moscas (varejeira, geralmente), mais comumente da espécie Dermatobium hominis.

Formas de transmissão da miíase

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dematologia, o berne possui alguns meios de contaminação — o mais comum é quando as moscas depositam as larvas em lesões da pele. Por sua vez, as regiões mais vulneráveis são as mais expostas: nariz, orelhas, olhos, couro cabeludo e sola dos pés (especialmente o calcanhar).

Quando a bicheira se instala na região calcânea, recebe o nome de “calcanhar de maracujá”, devido ao aspecto da pele, que fica parecido com a aparência da polpa da fruta. Nesse local, a pele ganha uma ferida aberta que expele pus com frequência, até receber o devido tratamento. Além de atacar lesões, o berne pode ser adquirido por meio do consumo de água e alimentos contaminados com a larva.

Tipos de berne

A mosca-varejeira não é a principal responsável pela miíase. É possível adquirir a doença ao entrar em contato com o bicho geográfico, cujo habitat é a areia contaminada, seja de praias naturais ou artificiais. Inclusive, esse tipo de miíase tem sido muito recorrente com a popularização e aumento dos espaços de beach tennis. Por fim, existe a miíase necrotizante, que ocorre quando o hospedeiro é um cadáver animal ou humano.

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Quais são os sintomas do berne?

Segundo a dermatologista, pessoas com berne apresentam um nódulo vermelho, que causa dor local e saída de secreção purulenta ou sanguinolenta, similar a um furúnculo. A larva pode se desenvolver por um período de 30 a 60 dias — nessa fase, o paciente pode experimentar fisgada, ferroada ou sensação de movimentos na lesão. Além disso, os ferimentos costumam coçar e apresentar mau cheiro, sobretudo ao soltar pus.

Como diagnosticar?

O diagnóstico se confirma com a extração da larva, que geralmente é esbranquiçada ou acinzentada, com discretas faixas pretas. Afinal, a lesão clínica pode confundir com furúnculos e abscessos comuns.

Fatores de risco da miíase

Pessoas de todas as idades e com lesões na pele podem ser alvo da infestação de larvas. No entanto, a população que trabalha em áreas rurais está mais vulnerável, pois os pés ficam mais expostos a machucados. Viver em situação de rua ou em locais com escassez de higiene ou saneamento básico também agravam o quadro, assim como o diabetes e outras doenças que comprometem a imunidade.

Tratamento do berne

O tratamento é a extração da larva. A prática mais comum é tampar o orifício com um esparadrapo e esperar a larva morrer para então removê-la. “Na grande maioria dos casos, uma leve compressão ao redor da ferida é suficiente. Às vezes é necessário abrir o orifício cirurgicamente, com a execução de dermatologista ou cirurgião geral. Também é comum ter infecções secundárias no local pela manipulação e por vezes é necessário uso de antibióticos associado”, explica Isis.

O que acontece se a miíase não for tratada?

Como toda lesão sem tratamento, o ferimento do berne pode se tornar uma porta de entrada para outras bactérias. Como consequência, a pessoa pode sofrer uma infecção ainda mais grave, como a sepse. Portanto, é fundamental buscar ajuda médica para o diagnóstico e tratamento corretos.

Como prevenir?

A prevenção depende do combate às moscas. Assim, é importante:

  • Utilizar roupas que cubram boa parte do corpo e repelentes.
  • Aplicar telas nas janelas e mosquiteiros.
  • Passar as roupas com ferro após retiradas do varal.
  • Manter os sacos de lixo bem fechados para evitar moscas por perto.
  • Buscar um dermatologista assim que notar alguma lesão na pele. 
  • Cuidar da higiene da pele e de possíveis ferimentos.

Fonte: Isis Veronez Minami, dermatologista do Hospital Edmundo Vasconcelos.

Sobre o autor

Fernanda Lima
Jornalista e Subeditora da Vitat. Especialista em saúde