Seu bebê não quer mamar? Veja 5 possíveis motivos e o que fazer

Gravidez e maternidade Saúde
18 de Maio, 2023
Seu bebê não quer mamar? Veja 5 possíveis motivos e o que fazer

A amamentação é um momento de conexão único entre a mãe o bebê. Porém, essa fase pode ser bruscamente interrompida quando o bebê não quer mamar e passa a rejeitar o peito sem motivo aparente. Mas afinal, quais são os motivos para que isso aconteça? Como convencer a criança a retomar o ritmo no aleitamento materno? Continue lendo e entenda.

Bebê não quer mamar: possíveis razões 

De fato, o leite é o melhor alimento que o seu pequeno pode ter durante os 6 primeiros meses de vida. A recomendação é uma dica antiga, mas que tem base científica e também é indicada pelo Ministério da SaúdeMas, se a sua missão de alimentar o bebê está ficando cada vez mais difícil, confira algumas possíveis causas e o que fazer: 

1. Confusão entre os bicos

Alguns bebês ficam confusos com o uso da chupeta e o peito da mãe. Já que na chupeta, ele não precisa fazer nenhum movimento, há de pensar que no peito da mãe funciona da mesma forma, e portanto, evita realizar a sucção. A confusão pode ficar ainda maior se o bebê já estiver utilizando mamadeiras. É o que explica a Dra. Patrícia Terrivel, pediatra e neonatologista do Hospital IGESP.

“O bebê pode ter confusão de bicos, e o fluxo e confusão de fluxo. O leite quando na mamadeira, ele abre a boca, e o leite vem muito rápido. Na hora que vai para o peito, ele não quer fazer esforço para mamar. Com a chupeta é a mesma coisa. O movimento que ele faz na chupeta é diferente do peito, que ele precisa abrir toda a boca. Esse é um dos principais motivos”, afirma a médica. 

O que fazer? 

Evitar os bicos artificiais e priorizar o aleitamento materno. Além disso, invista no contato com a pele do bebê para que ele se sinta confortável e relaxado. Mas tenha paciência, não será logo de primeira que o pequeno corresponderá positivamente.

2. Pega inadequada

A pega inadequada acontece quando o bebê não consegue agarrar corretamente o mamilo e a aréola durante a alimentação no seio materno. “Então quando ele mama, pega só no bico, não sai leite, e ele fica irritado”, aponta a Dra. Patrícia. 

Isso pode acontecer por diversos motivos, como por exemplo a falta de orientação adequada, posição incorreta do bebê ou dificuldades físicas tanto da mãe quanto do bebê.

Contudo, a pega adequada é fundamental para uma amamentação confortável e eficaz. Quando o bebê faz uma pega inadequada, a mãe pode ficar com os mamilos doloridos e sentir-se desconfortável durante a mamada, além de prejudicar a eficiência da alimentação e a transferência de leite.

O que fazer? 

Ensine a pega correta para o seu bebê. Ao oferecer o peito, toque o lábio inferior do bebê com o mamilo para estimulá-lo a abrir bem a boca. Espere até que a boca do bebê esteja bem aberta antes de trazê-lo para o seio. Em seguida, repare se a criança apresenta uma sucção rítmica e profunda, com a bochecha arredondada durante a mamada. Além disso, a pega correta não deve causar dor ou desconforto nos seus mamilos. Se sentir dor, remova delicadamente o bebê do seio e tente novamente, ajustando a posição e a pega.

3. Freio lingual 

Outro problema para o bebê não querer mamar é o freio lingual curto. Essa é uma estrutura anatômica importante para desenvolver movimentos de sucção, fala e alimentação. Assim, um freio mais curto do que o normal pode impedir o movimento com a língua e reduzir o interesse pela amamentação. 

O que fazer? 

Nesse caso é preciso que o bebê seja avaliado pelo pediatra e consultora de amamentação, se necessário, passar por um atendimento com fonoaudiólogo. 

4. Torcicolo congênito

Existe ainda a possibilidade de ele não conseguir mamar por ter um torcicolo congênito, que faz com que fique todo travado e na hora que a mãe coloca no peito, ele não consegue fazer o movimento para mamar. Essa condição pode ser desenvolvida ainda durante a gestação e acontece quando o bebê tem uma inclinação do pescoço para um dos lados. Ainda sútil, o torcicolo congênito pode não ser percebido nos primeiros meses de vida, mas pode ser um incômodo durante o momento da amamentação.

Além da inclinação, o bebê também fica com a rotação do queixo para o lado oposto e apresenta dificuldade em mover o pescoço, choro ou irritabilidade durante tentativas de movimentar o pescoço e um lado do pescoço com músculos mais tensos ou desenvolvidos.

O que fazer? 

O tratamento do torcicolo congênito geralmente envolve uma combinação de fisioterapia e exercícios de alongamento e fortalecimento muscular. Assim, o objetivo é relaxar e alongar o músculo afetado, melhorar a amplitude de movimento do pescoço e fortalecer os músculos do pescoço e ombros. Além disso, em alguns casos mais graves, pode ser necessária a intervenção cirúrgica.

5. Refluxo 

O refluxo gastroesofágico também pode ser um dos motivos da recusa ao leite materno. Ele acontece quando o conteúdo do estômago retorna ao esôfago, causando desconforto, regurgitação e, em alguns casos, irritabilidade durante a alimentação. “Isso deixa o bebê irritado, por sentir aquela queimação na hora que ele vai para o peito. Sente aquela azia e não consegue mamar”, aponta a Dra. 

Os sintomas do refluxo fisiológico são apenas golfadas em pequenas quantidades após as mamadas. Já o refluxo gastroesofágico pode levar a refluxos constantes, vômitos, dificuldade para mamar, irritação e choro excessivo.

O que fazer?

Ao amamentar, deixe o bebê em posição vertical e cuidado para não exagerar na quantidade de leite. Quando terminar, é indicado fazê-lo arrotar e manter a criança de 20 a 30 minutos em pé para que ela faça a digestão. A Organização Mundial da Saúde orienta que a criança durma de barriga para cima, no entanto, dormir de lado evita que o bebê engasgue em caso de refluxo.

Bebê não quer mamar: O que fazer?

Se o bebê está recusando o peito, o primeiro passo é consultar um pediatra pró amamentação que entenda esse contexto e não simplesmente dê uma mamadeira com fórmula, aconselha a Dra. Patrícia. “Ou procurar uma consultora de amamentação e uma fonoaudióloga que apoie a amamentação, para ver se existe a questão da língua [freio lingual]”, alerta. 

“Descartou essa questão da língua, descartou a questão do refluxo e ele realmente precisa tomar fórmula, porque a mãe não está com produção e não pode amamentar, existe ainda a colher dosadora e o copinho, porque se a gente for direto para uma madeira, aí sim perde o peito de vez”, indica a médica.

Veja também: Alimentos não indicados para bebês até 1 ano de vida

Os impactos negativos da interrupção do aleitamento materno

Além de ter os nutrientes necessários, o leite materno tem a quantidade de gordura necessária para o bebê. Ele também possui imunoglobulinas, as células de defesa para essa criança, que a deixam protegida contra as doenças infecciosas, diarréia, alergia. Por isso, abandonar o aleitamento quando o bebê não quer mamar certamente não é a melhor opção para a criança.

“Uma mãe que não consegue dar aleitamento materno exclusivo antes dos 6 meses, ela acaba entrando com fórmula. Existem várias no mercado, vários tipos, mas nenhuma nunca vai chegar ao padrão ouro que a gente fala, que é o leite materno”, aponta a Dra. 

Contudo, se o bebê não ceder às tentativas de retomada do aleitamento materno, a fórmula deve ser escolhida corretamente. “Precisamos saber também qual a fórmula que o bebê está tomando, se é uma fórmula rica em nutrientes, se é um leite de vaca somente, ou uma fórmula mais básica e não que não tem todos os nutrientes que o bebê precisa”. 

Afinal, como tornar a amamentação mais atraente para o bebê?

amamentação

A amamentação mais agradável para a mãe e para o bebê tem que ser desde o começo. Por isso, a mãe precisa estar relaxada e tranquila, evitando qualquer tipo de dor. Quanto mais relaxada, mas ela vai produzir leite. 

Além disso, o contato da pele do bebê, a troca de olhares entre a mãe e o bebê é muito importante. “A mãe não vai lá só entregar o leite. Portanto, a amamentação é muito mais do que simplesmente dar o leite. É todo esse laço afetivo criado entre mãe e bebê, essa sensação de proteção, esse carinho, principalmente na exterogestação, nesses 3 primeiros meses, isso é muito importante”, alerta a médica.

Fonte: Dra. Patrícia Terrivel – Pediatra e neonatologista do Hospital IGESP, e integrante do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Referências: Ministério da Saúde e Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Sobre o autor

Tayna Farias
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em gravidez e maternidade

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